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segunda-feira, outubro 09, 2017

613 - Interior da habitação: entrada, circulação e zonas mais sociais - Infohabitar 613

Infohabitar, Ano XIII, n.º 613

“Interior da habitação: entrada, circulação e zonas mais sociais” – sete artigos sobre o tema e um novo texto


por António Baptista Coelho

Há cerca de um mês a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição.

Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar tem editado artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interativos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas do interior da habitação e, designadamente, dos seus espaços de entrada, circulação e zonas mais sociais, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas apaixonantes e tão atuais matérias; e salienta-se que todos os artigos qui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais, a estrututação dos respectivos edifícios e a organização e estruturação habitacional.
Em próximos artigos iremos disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados, que integram e caraterizam cada fogo/habitação.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respetivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caraterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sediado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os sete (7) artigos disponibilizados sobre o tema “Interior da habitação: entrada, circulação e zonas mais sociais”:

Espaços domésticos comuns

Entrar na habitação, o vestíbulo de entrada

Circulações domésticas como espaços de vida - I

Circulações domésticas como espaços de vida - II

Lavabo, espaço funcional ou de “cerimónia”

Escadas domésticas

Corredores e zonas de passagem domésticas


Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral do interior da habitação e, designadamente, dos seus espaços de entrada, circulação e zonas mais sociais muito há a dizer e sublinha-se que o que a seguir se aponta, em alguns parágrafos temáticos, corresponde, apenas, a uma informal reflexão sobre estes estimulantes assuntos.

A “ditadura funcionalista” levou, frequentemente, a uma rígida estruturação hierárquica da habitação, produzindo-se, assim, quase sempre, vivências domésticas estereotipadas, pouco ricas, excessivamente compartimentadas e muitas vezes monótonas e desinteressantes, com zonas, por vezes, reservadas e pouco usadas e outras intensamente usadas, pouco espaçosas e até mal situadas.

Mas essa “ditadura funcionalista” também se caracterizou, muto frequentemente, ao nível do espaço doméstico, pelo apoio ao desenvolvimento de uma estrutura, mais ou menos radiculada, de espaços de entrada e de circulação expressivamente separados dos outros espaços da “casa” e, muitas, vezes funcionalmente usáveis apenas para a dita função da circulação doméstica; obtendo-se, por vezes, caricatas situações em que áreas de fogos muito limitadas, porque de habitação de interesse social, mas com um substancial número de quartos, integram extensos e conturbados corredores.

Não se trata, aqui, de negar os aspectos positivos de uma adequada privatização dos espaços domésticos e da possibilidade que eles devem oferecer para uma gradação de privacidade e de convivialidade, mas essencialmente de defender que tais condições deveriam poder ser assumidas de modo opcional pelos respectivos habitantes, proporcionando-se diversas formas de vivência de cada espaço doméstico.

A questão da privacidade, uma questão “de base” na concepção arquitectónica habitacional, poderá/deverá ter deversas formas de abordagem, seja no interior da habitação, seja na sua estruturada relação com o exterior público ou comum (do edifício multifamiliar); afirmação que apenas quer sublinhar situações sem sentido em que organizações domésticas extremamente hierarquizadas e sequencialmente privatizadas convivem com uma expressiva inexistência de privacidade na relação com o exterior, público ou comum.

Os espaços domésticos/privados com características de uso mais comuns, e designadamente, os espaços de entrada e de circulação são elementos de estruturação da organização doméstica que devem ser responsáveis não só pela respectiva funcionalidade, mas por uma funcionalidade devidamente submetida a um sentido “doméstico” (não “maquinal”), e por uma adequada caracterização da habitação em termos de solução de arquitectura, caracterização esta que importa ligara a aspectos de clareza de leitura/uso, de sentido de percepção mais global ou mais gradual dos respectivos espaços e, naturalmente, a um essencial potencial de adaptabilidade e apropriação da habitação a diversos modos e gostos de habitar.



Em tudo isto julga-se importante caldear as bem conhecidas e expressivamente aplicadas necessidades domésticas de privacidade com as talvez menos conhecidas e muito menos aplicadas necessidades domésticas de uma convivialidade naturalmente mitigada mas potencialmente muito expressiva; e estas são necessidades muito pouco servidas por espaços domésticos rigidamente hierarquizados e compartimentados, e servidos por alongados, estreitos e conturbados corredores.

Que soluções então? Não as desenvolveremos aqui, para já, de modo pormenorizado, pois será melhor que elas possam ficar à discrição dos leitores; mas que elas existem é um facto.
Importa naturalmente fazer aqui uma espécie de parêntese referindo que tudo isto, todos estes potenciais de caracterização e adaptabilidade domésticas, que se jogam nas zonas de entrada e de circulação e, naturalmente, também nos espaços dos próprios compartimentos, ganha com um sentido de espaciosidade, sendo que um espaço doméstico mais espaçoso e com dimensões mais folgadas é, evidentemente, um espaço com maior potencial de adaptabilidade, tal como temos vindo aqui a reflectir; mas há que apontar que é possível e existem excelentes exemplos de soluções habitacionais espacialmente pouco folgadas em termos de áreas que conseguem proporcionar as qualidades equilibradas de privacidade e de convivialidade, aqui defendidas, e isto em estruturações domésticas agradavelmente articuladas, pouco rígidas e pouco hierarquizadas.

E em tudo isto há que lembrar e reforçar a importância dos espaços antes da entrada na habitação, que nos “preparam” para nela entrar (vão de entrada) e dos elementos e espaços de contacto do mundo doméstico com o exterior (vãos de peito e de sacada das janelas); trata-se, afinal, de considerar a habitação realmente “fundida” e na continuidade com os espaços comuns e públicos que a envolvem; uma opção que faz realmente arquitectura, a tal grande Arquitectura feita nos espaços de passagem, de transição e de contacto, como defende Siza Vieira; e ao articular desta forma a habitação com a sua envolvente proporciona que os espaços de circulação e de entrada não sejam elementos de “impasse”, mas sim de relacionamento numa estutura com verdadeira continuidade – trata-se de entrar e circular na habitação para depois, olhar pelas janelas, ou sair para a varanda ou para o pátio ou jardim, fechando-se, de certa forma um “círculo” de relações exterior/interior/exterior e público/comum/privado/público no qual pouco sentido parecem fazer circulações extremamente rígidas e hierarquizadas.

Passando, agora para algumas notas sobre espaços domésticos mais “comuns” e expressivamente de circulação ou recepção; aos quais voltaremos, mais pormenorizadamente, em próximos artigosfuturos, pode-se referir que quase tudo numa habitação “começa” na entrada, ou talvez antes dela, no patim ou galeria comum, mas a ação de entrar na habitação, e o respectivo espaço ou vestíbulo de entrada deverá sempre ser assunto marcante no desenho de uma habitação, ainda que tal espaço seja, eventualmente, pouco destrinçável de um outro com o qual se conjugue.

A possibilidade de existirem acessos/entradas alternativas (mais de serviço e principal) é interessante, mas tem, naturalmente a ver com a espaciosidade global da solução doméstica.
Globalmente, a entrada na habitação deve proporcionar privacidade interior e capacidade de recepção, sendo que outros aspectos de maior ou menor compartimentação da mesma entrada poderão ser considerados menos importantes.

As questões regulamentares associáveis à segurança contra risco de incêndio deverão ser naturalmente consideradas e respeitadas, no entanto julga-se que é bastante discutível que elas possam obrigar a uma dada compartimentação habitacional que estaria, afinal, associada a uma obrigatória situação de portas fechadas, o que no interior da habitação é algo extremamente discutível.

Uma boa entrada doméstica é um espaço que deve ter luz natural e ventilação e neste sentido obrigará, frequentemente, a uma conjugação afirmada com outros espaços e compartimentos contíguos.

Que outros usos poderão ser acolhidos numa entrada doméstica para além dos mais conhecidos aspectos de recepção, apoio ao vestir, despir e guardar de alguns agasalhos? Talvez a apresentação de algum mobiliário “representativo” e, no limite, talvez a própria extensão de algumas actividades possíveis na sala-comum; isto considerando-a nas suas diversas valências (jantar formal e estar) e condionando-se esta opção a vontades expressas de maior ou menor abertura de tais actividades a quem chega/entra na “casa” –  no limite e lembrando muito do que se passa na habitação popular/tradicional, poderemos ter uma entrada que dá para uma zona de jantar formal, quase convidando quem chega a sentar e partilhar uma refeição de boas-vindas.

E temos assim já o tema desta pequena reflexão que corresponde à assunção das circulações domésticas como espaços de vida, matéria que iremos desenvolver em próximos textos, mas que, essencialmente, tem a ver com a sua consideração e variada leitura, seja como elementos de clarificação da estruturação doméstica – e simultaneamente de sua caracterização – , seja como elementos de circulação, seja como elementos/espaços domésticos com outras utilidades complementares e potencialmente muito diversas – desde zonas expressivamente mobiláveis a verdadeiras pequenas “galerias” de arte domésticas.

Caso a habitação tenha um razoável desenvolvimento, será interessante que ela possa integrar um pequeno compartimento que se pode designar de lavabo, e que possua característica funcionais adequadas, mas também de alguma “cerimónia”; caso a habitação tenha pequena dimensão a situação da respectiva casa de banho deverá poder cumprir estas funções ainda que de forma mitigada, não devendo obrigar a uma expressiva intrusão na privacidade do morador, que é duplamente negativa para o morador e para o visitante.

Quando existem escadas domésticas importa, basicamente, que elas sejam funcionais e expressivamente confortáveis e seguras no seu uso, mas também importa que elas sejam importantes elementos de atractividade e eventualmente de caracterização doméstica, uma condição que pode ser conseguida aliando-se as escadas a outros espaços e elementos domésticos e tirando-se partido destas alianças e posições privilegiadas. Uma coisa importa, portanto, sublinhar: uma escada doméstica pode e deve ser muito mais do que um simples elemento funcional na globalidade da respectiva habitação.

De certa forma e globalmente há que “resgatar” as zonas de entrada, os corredores e as zonas de passagem domésticas de uma sua “velha” e muito exclusiva caracterização funcional, tratando estes elementos de uma forma positivamente inovadora e caracterizadora da respectiva solução habitacional, tendo-se em conta quer a a sua história em termos de formas e funções, quer os novos usos e desejos habitacionais e visando-se, sempre, uma positiva adaptabilidade das organizações e pormenorizações domésticas.

e a estas matérias voltaremos …


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 613
Interior da habitação: entrada, circulação e zonas mais sociais” – sete artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, outubro 28, 2013

458 - Sobre as entradas comuns habitacionais - parte II - Infohabitar 458


Infohabitar, Ano IX, n.º 458

Artigo XXXVIII da Série habitar e viver melhor

Sobre as entradas comuns habitacionais - parte II
António Baptista Coelho

Devido à sua extensão o presente artigo foi dividido em duas partes, que respeitam o seguinte índice (a negrito os itens editados na presente semana)

Índice 
I.Notas introdutórias 
II. Sobre as entradas comuns habitacionais: aspetos gerais 
III. Sobre as entradas comuns habitacionais: sobre a interioridade e domesticidade
IV. Sobre as entradas comuns habitacionais: relação interior/exterior e pormenorização             V. Sobre as entradas comuns habitacionais: a positiva marcação da agregação de habitações 
VI. Sobre as entradas comuns habitacionais: ao serviço dos, e salientado os, serviços comuns 
VII. Sobre as entradas comuns habitacionais: para além dos asptos funcionais está quase tudo o que há que considerar na conceção 
VIII. Sobre as entradas comuns habitacionais: ao serviço de um escala urbana e habitacional mais humana

V. Sobre as entradas comuns habitacionais: a positiva marcação da agregação de habitações
Naturalmente que a entrada de um edifício multifamiliar deverá, em primeira linha, reflectir e expressar, a dimensão social do respectivo agrupamento de habitações e a, eventual, existência de serviços de apoio domiciliários, devendo referir-se que ela pode variar entre um espaço mínimo, quase reduzido ao estritamente necessário para abrir a porta de entrada – numa opção em que a entrada comum se aproxima, claramente, do sentido de entrada privada das poucas habitações existentes naquele edifício – até soluções próximas das usadas em grandes átrios de hotéis, até porque, neste caso, as funções de entrada e recepção têm grandes semelhanças, quando se trate de  um edifício multifamiliar com grande dimensão e quando se desenvolvam condomínios com funções alargadas, tanto em espaços comuns, como nos serviços prestados ao funcionamento das habitações.
Há, no entanto, nestas matérias uma reflexão necessária que tem a ver com a opção, que pode ser feita, de se optar pela expressão pública de uma presença com grande sobriedade, mesmo tratando-se, por exemplo, de um grande edifício com muitos serviços comuns, numa sequência de espaços e de vistas que se vá revelando, estrategicamente, à medida que o habitante ou o visitante penetre nos espaços comuns de recepção e em outros espaços, com outras valências, que, eventualmente, assegurem uma continuidade mitigada ou filtrada a essas zonas de recepção.

Fig. 03: vizinhança de interesse social em Alvalade, Lisboa, projeto urbano do arquiteto Faria da Costa.

VI. Sobre as entradas comuns habitacionais: ao serviço dos, e salientado os, serviços comuns
Nesta matérias do habitar ao serviço do entrar/sair no habitar, e em outras matérias que lhe estão associadas. o limite estará na imaginação fundamentada dos projectistas, mas não se quer deixar de referir que, por um lado, há aqui, naturalmente, muito a aprender com a concepção dos bons espaços de hotelaria, e que, por outro lado, há que assumir e expressar um forte sentido residencial, pois entre estadias curtas e longas haverá diferenças de carácter a evidenciar; mas note-se a forma como se referiu este último aspecto, é que, repete-se, há muito a aprender com a residencialidade oferecida por alguns hotéis, afinal, num cruzamento de ideias de concepção em que a hotelaria vem também encontrar e utilizar muita matéria da residencialidade mais estrita em várias famílias de tipos de hotelaria, que vão dos hotéis de charme, aos hotéis de arte, aos hotéis especialmente dedicados a pessoas idosas, e a outras categorias hoteleiras.
Tal como se sintetizou num estudo anterior  (6) “entrar tem a ver com diversos aspectos fundamentais no habitar entre os quais se destacam:
  •  a transição entre espaços ambientalmente diferentes – abertos ou fechados, maiores e menores, etc;
  • a segurança nessa passagem, que se joga em grande parte nos respectivos aspectos de visibilidade em ambos os sentidos de uso das entradas (entrando ou saindo);
  • a identidade e a atractividade ou dignidade que deve marcar um espaço de transição do público para o privado (de um agregado familiar ou de um grupo);
  • e a espaciosidade equilibrada que deve marcar essa transição, e diz-se equilibrada pois tem de se ligar à espaciosidade que marca o resto do edifício”;
  • e termina-se esta síntese sublinhando-se ainda dois outros aspectos a considerar:  (i) “a apropriação, que se liga à identidade e à atractividade; (ii) e a, cada vez mais vital [porque importante e rara] convivialidade”.
A ideia que se desenvolveu nesta reflexão sobre a entrada como elemento positivo da construção de um habitar que possa influenciar um viver diário mais satisfatório foi não avançar muito em matérias mais específicas e ligadas, por exemplo, a soluções desenvolvidas com objectivos concretos e, eventualmente, pouco replicáveis, como será o caso de soluções expressivamente marcadas pela vida em comum e por um afirmado apoio ao convívio.
A principal ideia foi pensar em soluções que possam servir um amplo leque de gostos habitacionais, através de entradas adequadamente desenvolvidas; e considerando que, depois, e em espaços comuns específicos, poderá haver lugar a uma convivialidade espontânea e livremente assumida.

VII. Sobre as entradas comuns habitacionais: para além dos asptos funcionais está quase tudo o que há que considerar na conceção
Globalmente e para rematar este tema, há que destacar que as entradas dos edifícios têm de se caracterizar por aspectos muito mais amplos e diversificados do que, apenas, por simples questões funcionais, que se ligam, designadamente e por exemplo, a aspectos de acessibilidade e à eficácia no uso dos receptáculos postais e de baterias de contadores.
Dá vontade de dizer que há aqueles edifícios onde nem tais aspectos funcionais são considerados, há, depois, um outro grupo que respeita tais funcionalidades, e que podemos considerar habitacionalmente "adequados" e há, finalmente, aqueles edifícios cujas entradas são verdadeiros espaços de habitar com satisfação, e para tal, como se referiu, nem é preciso muito espaço nem muito dinheiro em equipamentos e acabamentos; precisamos, sim, de capacidade e qualidade de projecto.

Fig. 04: pormenor de edifício de interesse social em Alvalade, Lisboa, projeto de Miguel Jacobetty.

Faltará, desde já e basicamente, fazer aqui uma fundamental reflexão sobre a importância da entrada comum como pólo de estruturação do conjunto de acessos comuns do edifício multifamiliar, uma reflexão que é feita através de algumas palavras do Arq.º Bartolomeu Costa Cabral, que sublinham que "a localização das entradas e a sua articulação com os percursos exteriores é muito importante na definição da relação edifício-circulação, considerando-se necessária uma grande clareza no conjunto do sistema de acessos... garantindo aos fogos, simultaneamente, um grande isolamento e uma grande comunicabilidade com o sistema de acessos e o exterior, sendo os contactos com as funções da «rua» considerados como fundamentais..." (7)
E esta última reflexão tem também muito a ver com o desenvolvimento de pequenas agregações de habitações, nas quais ou se opta por uma simples entrada comum, espacialmente contida, embora estrategicamente bem marcada e agradavelmente visível, ou, alternativamente, se opta pela afirmação de uma expressiva desagregação do edifício, assumindo-se cada habitação e cada acesso habitacional como uma entidade com relativa autonomia formal e funcional, no caminho para uma solução em que, mais do que o conjunto edificado, se evidencia a presença de cada habitação e de cada acesso habitacional. E esta é uma matéria, que por si própria, justificaria um pequeno capítulo de desenvolvimento e que, portanto, importa explorar.

VIII. Sobre as entradas comuns habitacionais: ao serviço de um escala urbana e habitacional mais humana
Esta tipologia de diversidade de opções tem muito a ver com favorecer-se, nesta reflexão, a solução de ligação, mais afirmada, entre rua e habitação, que tem sido abordada ao longo deste processo de estudo como uma forma de nos podermos reaproximar de ruas mais vivas e de habitações mais apropriadas; uma perspectiva que tem, sempre, muito a ver com a opção mais geral por núcleos urbanos estruturados para os peões e bem servidos por transportes públicos de proximidade - assunto que merece cuidadoso e urgente desenvolvimento
E sobre esta matéria da constituição de entradas comuns para pequenos conjuntos de habitações criando agregados de pequenas vizinhanças bem estruturadas, importa referir, ainda, que pode haver uma opção específica neste sentido, por exemplo, para apoio a um grupo de habitantes que optam por um expressivo desenvolvimento de espaços e serviços comuns (ex., um pequeno pólo residencial para pessoas sós e pequenos agregados familiares).
E podemos comentar que este privilegiar da entrada comum, provavelmente, associado a um significativo desenvolvimento de outros espaços comuns, poderá configurar verdadeiras soluções de “habitação colectiva”, pois há um transportar ou uma extensão para espaços colectivos de várias funções habitualmente realizadas nos espaços domésticos.
E de certa forma e no limite podemos pensar aqui em soluções de habitar em que a agregação de habitações em vizinhanças seja um assunto e a disponibilização de espaços e equipamentos comuns seja outro assunto, embora, naturalmente, bem articulados entre eles.

Fig. 05: zona de entrada de edifício de interesse social em Olivais Norte, Lisboa, projeto dos arquitetos Nuno Teotónio Pereira e António Pinto de Freitas.

Falta fazer um brevíssimo apontamento sobre as entradas comuns em edifícios para uma família (unifamiliares) ou até para duas (bifamiliares) a quatro famílias (tri e tetrafamiliares), mas sempre fortemente agregados em conjuntos com afirmada unidade e continuidade, considerando-se que, na prática, tais soluções seguirão tudo aquilo atrás referido para os multifamiliares, pois, na realidade, o que aqui sucederá é uma agregação de habitações com significativa e afirmada individualidade.
E aproveita-se para sublinhar considerar-se que esta linha de opção por unifamiliares ou pequenos multifamiliares mutuamente densificados e bem agregados é, basicamente, muito compatível, quer com a sempre presente força do individualismo familiar doméstico, quer com todo um flexível conjunto de vantagens comuns do multifamiliar, quer, ainda, com a solução de ligação privilegiada, entre casa e rua, que tem sido proposta neste processo de estudo.

Notas:
(6) “Do bairro e da vizinhança à habitação”, LNEC, ITA n.º 2.
(7) Bartolomeu Costa Cabral, "Formas de Agrupamento de Habitação", p. 30.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt
INFOHABITAR Ano IX, nº458
Sobre as entradas comuns habitacionais - parte II
Grupo Habitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
e  Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do LNEC
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, outubro 21, 2013

457 - Sobre as entradas comuns habitacionais - parte I - Infohabitar 457

Infohabitar, Ano IX, n.º 457

Artigo XXXVIII da Série habitar e viver melhor

Sobre as entradas comuns habitacionais - parte I

António Baptista Coelho

Devido à sua extensão o presente artigo foi dividido em duas partes, que respeitam o seguinte índice (a negrito os itens editados na presente semana); salienta-se que a respetiva segunda parte será editada na próxima segunda-feira dia 28 de outubro de 2013.

Índice

  •       I.        Notas introdutórias
  •     II.        Sobre as entradas comuns habitacionais: aspetos gerais
  •    III.        Sobre as entradas comuns habitacionais: sobre a interioridade e domesticidade
  •   IV.        Sobre as entradas comuns habitacionais: relação interior/exterior e pormenorização
  •    V.        Sobre as entradas comuns habitacionais: a positiva marcação da agregação de habitações
  •   VI.        Sobre as entradas comuns habitacionais: ao serviço dos, e salientando os, serviços comuns
  •  VII.        Sobre as entradas comuns habitacionais: para além dos asptos funcionais está quase tudo o que há que considerar na conceção
  • VIII.        Sobre as entradas comuns habitacionais: ao serviço de um escala urbana e habitacional mais humana

I. Notas introdutórias
Tal como se referiu em um anterior artigo da presente série editorial - "Série habitar e viver melhor" -  serão considerados e abordados em próximos textos a editar na Infohabitar, desejavelmente intercalados com outros artigos tematicamente diversos, os seguintes os espaços comuns ou semi-privados mais correntes:
  • Entradas comuns e sua pormenorização.
  • Átrios e outros espaços comuns conviviais ou específicos.
  • Elevadores.
  • Escadas comuns.
  • Patins de distribuição para habitações.
  • Galerias interiores (corredores).
  • Galerias exteriores.
  • Garagens.
  • Aspectos qualitativos gerais nos espaços comuns e respectiva pormenorização.
  • Elementos “verdes”.
Não se deu uma importãncia específica à ordem de apresentação, embora se tenha considerado , sempre que adequado, a habitual sequência de uso , quando entramos num edifício habitacional.
E antes de passarmos ao artigo, propriamente dito, importa sublinhar que a inovação fundamentada com que pretendemos abordar, em futurod artigos, os espaços domésticos deveria marcar, também aqui, a reflexão sobre os espaços comuns habitacionais, ficando registada esta intenção, que iremos procurar respeitar em cada tipo de espaço abordado e, se possível, em um artigo final sobre os espaços comuns habitacionais com que se pretende concluir esta matéria geral, havendo tempo e capacidade para  este desafio.


II. Sobre as entradas comuns habitacionais: aspetos gerais
Uma entrada comum habitacional que nos dê as boas vindas, através de um arranjo agradável e envolvente, que nos abrigue da chuva e do sol excessivo, que se caracterize por aspectos que não se encontram em outras entradas comuns, é a entrada que todos desejamos.
E tal entrada não implica um gasto especial de espaço e uma despesa fora do vulgar, implica, sim, um projecto muito cuidado, e tanto mais cuidado quanto maior for a exigência de economia.
Uma entrada comum muito cuidada deve reflectir, para além da dimensão do respetivo agregado habitacional, o seu carácter em termos de escala geral, de principais formas de associação entre espaços interiores e exteriores e mesmo de tipos de acabamentos.
Uma entrada comum pode ter ainda outras “utilidades”, especialmente, quer na atribuição de um sentido de identidade específico a um dado edifício, quer até em alguma compensação (essencialmente imaterial) por eventuais áreas reduzidas no interior dos fogos, ou por acompanhamento de eventuais caraterísticas específicas das respetivas habitações.
Há, ainda, alguns aspectos formais particularizados, que são de grande importância na concepção de uma entrada comum e que têm a ver, de forma geral, com a relação entre o espaço edificado, essencialmente interior, com o espaço exterior e a natureza que envolve esse espaço edificado. Referimo-nos a todo o estimulante jogo de relações entre interior e exterior, seja através de uma  vivência específica, seja através de transparências e de afirmadas marcações de separação, e também nos referimos à presença dos elementos naturais – plantas, água, rocha, texturas naturais – quer numa situação de relação e aproximação à entrada do edifício, seja, já no seu interior, como prolongamentos naturais, desenvolvidas já em espaço basicamente interior e feito pelo homem.


Fig. 01


III. Sobre as entradas comuns habitacionais: sobre a interioridade e domesticidade
Depois há matérias que parecem ser, só aparentemente, pouco importantes e que têm a ver com uma Arquitectura de interiores extremamente bem desenhada e pormenorizada, considerando que aqui, nestes espaços em que se pára, se mexe em chaves, se passam os olhos pelo correio, estamos fortemente sensibilizados para uma tal pormenorização e equipamento cuidados. E há ainda que referir que um tal cuidado pode ter em conta, especificamente, matérias de afectividade, de reforço de uma escala marcada pela dimensão e pelo uso humanos e pelas artes.
Realmente, num sentido mais amplo, mas bem verdadeiro, podemos considerar que a entrada comum do nosso edifício é também uma extensão das entradas privadas das nossas casas, e, portanto, não deverá ser um lugar de frieza, impessoalidade e “aridez”.
E há, ainda, aspectos pormenorizados, mas com grande importância funcional e em termos de apropriação, destacando-se a desejável personalização dos botões de ligação com as diversas habitações e a sua adequada visualização nocturna e a disponibilização de uma representação esquemática do conjunto das habitações e dos respectivos acessos comuns, sempre que tal se justifique, quer devido ao número de habitações agregadas, quer por se tratar, eventualmente, de uma distribuição geral de habitações menos evidente.
Como se tem comentado ciclicamente nesta série de artigos, nada disto tem a ver, directamente, com soluções habitacionais mais caras. Por vezes, até más soluções, mal arquitectadas, vão procurar a mais espaço e acabamentos caros as qualidades de identidade, apropriação e atractividade que não quiseram ou souberam desenvolver de outras maneiras; o que não quer dizer, naturalmente, que o espaço não seja um elemento de grande importância a manejar para a obtenção de tais resultados, mas o que aqui se defende é que não é o único elemento para tais finalidades e, muito provavelmente, nem será o mais importante.
Devemos ainda reflectir sobre uma outra matéria, de cariz mais pessoal, mas igualmente importante para o objectivo de um habitar amplamente mais satisfatório e mesmo gerador de sentimentos específicos de felicidade. Tal matéria refere-se a que a entrada do edifício constitui, provavelmente, para muitos de nós, uma etapa fundamental na sequência de espaços urbanos e domésticos que habitamos todos os dias; e, sobre este aspecto, lembramos Rob Krier quando este escreve que: “No caminho da rua para o interior do edifício passamos por gradações do que podemos designar como «o público». Imediatamente, a posição da entrada e a importância arquitectónica que lhe é atribuída exprimem o papel e a função do Edifício..." (1).
E na ausência de estudos que fundamentem a afirmação da importância da entrada comum, cabe aqui chamar a atenção para a necessidade de se dar muito mais atenção a este elemento de composição do espaço do habitar, havendo muito a aprender com tantos excelentes exemplos que aí estão para serem vistos, facilmente, ao longo das ruas da nossa cidade.
Nestas matérias Alexander defende (2) a criação de uma transição gradual entre a rua e a porta de entrada, transição esta que deve ser servida por aspectos específicos de iluminação natural e artificial, protecção acústica, sequências de níveis, limiares bem marcados e vistas sequenciais de penetração e saída, vistas estas que disponibilizem diversos tipos de visões fugazes, estratégicas, gerais, etc. E o mesmo autor sublinha, depois, a importância que tem a criação de uma entrada acolhedora, preenchida por elementos que propiciem sentimentos de "boas vindas", como assentos confortáveis, pontos de vista interessantes e úteis, tons de cor domésticos e até outros elementos habitualmente associados ao interior das nossas casas. (3)

Mas há ainda um outro aspecto a ter em conta nestas matérias, pois devemos ter bem presente que uma entrada de edifício bem concebida e atraente é também um elemento muito importante para a vizinhança urbana em que se integra.
Não sendo este, especificamente, o tema que aqui nos move, importa reflectir que uma entrada que nos influencie positivamente, pelos seus aspectos formais e funcionais, será, provavelmente, uma entrada que assumirá, também, uma excelente presença e função urbanas. Mas, no entanto, tais aspectos de presença e de função urbanas poderão eles próprios ter reflexos específicos na concepção de entradas de edifícios e, tendo-os, e se os tiverem através de soluções que resultem realmente bem, então, poderemos considerar que haverá motivos complementares para que os habitantes desse edifício fiquem mais agradados com o “seu” edifício e a “sua” entrada, que, assim, naturalmente, é também uma entrada da cidade, pois pertença da cidade e das suas continuidades e vizinhanças específicas.

No que se refere à relação entre a entrada de edifício e o espaço urbano de vizinhança salientam-se dois aspectos de concepção apontados por Alexander: (4)
·      A entrada deve ser visível quando nos aproximamos do edifício ou existir uma indicação clara e condigna da sua localização.
·      A entrada deve ser formalmente realçada, e considerando-se que a aproximação mais frequente é feita paralelamente ao edifício e, portanto, em ângulos de visão habitualmente muito apertados ( e de difícil visualização).
A entrada ou átrio comum deve ter, sempre, uma "contrapartida" exterior, pelo menos, parcialmente protegida das intempéries, zona esta que poderá, naturalmente, variar, entre um pequeno espaço coberto sob uma pala e um recinto específico e equipado.

Fig. 02


IV. Sobre as entradas comuns habitacionais: relação interior/exterior e pormenorização
Ainda nesta matéria da aproximação ao edifício e, naturalmente, das acções de partida do edifício, considera-se que os respectivos espaços exteriores deverão ser, sempre que possível, especificamente caracterizados e pormenorizados, apontando-se, em seguida, algumas opiniões de Dubuisson e La Salle nesta matéria: (5)
·      "As entradas consideradas como pontos fortes e partes privilegiadas de junção entre zonas habitacionais interiores e espaços exteriores, também cumprirão o princípio de continuidade. Serão concebidas como «crescimentos» facilitando os encontros entre os habitantes. Para esse efeito o espaço aberto exterior será definido por taludes ou muretes, dispondo-se bancos e vegetação."
·      "O tratamento do pavimento é um dos principais elementos da composição das entradas dos edifícios, afirmando a presença de um acontecimento ao mesmo tempo que define um local de encontro, ele materializa uma potencial penetração dos passeantes."
·      "A sinalética específica poderá exprimir-se de variados modos, através da denominação dos edifícios nos pavimentos exteriores que prolongam exteriormente as entradas e nas paredes verticais contíguas."


Notas:
(1) Rob Krier, "Elements of Architecture", p. 61.
(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 494 e 495.
(3) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 623 e 624.
(4) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 485 a 487.
(5) S. Dubuisson, X. De La Salle, in "Espaces Exterieurs Urbains, Rencontres du Centre de Recherche d'Urbanisme",  J. P. Muret (Coord.), p. 65.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt
INFOHABITAR Ano IX, nº457
Sobre as entradas comuns habitacionais - parte I
Grupo Habitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
e  Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do LNEC

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.