terça-feira, agosto 25, 2015

Verde Urbano Desenhado - IV - n.º 547 Infohabitar

 


O 3.º CIHEL - Congresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, recebeu
118 propostas de artigos e está já aí, de 8 a 11 de setembro de 2015, em São Paulo;
vai ser uma oportunidade única de discutirmos, em português, alguns dos temas
principais que marcam as matérias do habitar e do urbanismo, ainda neste princípio
do século das cidades e quase na véspera do Habitat III.

Contamos com todos em São Paulo,

Bem hajam,

António Baptista Coelho
Coordenador da Área de Arquitetura, Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã,
Portugal, Editor da Infohabitar e dinamizador do CIHEL 

Infohabitar, Ano XI, n.º 547

Verde Urbano Desenhado - IV
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

O verde urbano consegue simular a natureza em plena cidade
Desenho 1: através de uma essencial e cuidadosa manutenção de preexistências e de um trabalho de arquitetura paisagista adequado é possível fazer o verde urbano simular a natureza, em conjuntos densos de árvores, praticamente em pleno meio urbano; em termos de prática de desenho, é sempre surpreendente a força volumétrica das sombras.


O nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte

Desenho 2: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis; em termos de prática de desenho trata-se aqui de um exercício de "azuis" - do céu às sombras - sendo que o verde natural surge em boa parte da mistura com o amarelo.


O verde urbano integra-se na/e dá coesão à continuidade urbana
Desenho 3: as árvores de arruamento (designação sempre interessante) suavizam o edificado e articulam-se com ele aprofundando aspetos positivos de continuidade urbana, por vezes, quase envolvente, ajudando a criar sítios bem caraterizados e a "esconder" arquiteturas menos interessantes (o que não é o caso); em termos de desenho é sempre positiva a prática de se tentar expressar o que é natural e o que é construído (suave/orgânico e rígido/racional).


O ambiente natural em meio urbano é veículo importante da escala humana


Desenho 4: realmente o ambiente natural em meio urbano e designadamente os maciços arbóreos são elementos privilegiados de expressão evidenciada da escala humana, em termos de uso pelo homem e em termos da relação da sua escala (humana) com a dos edifícios; em termos de desenho o desafio sempre presente no desenho de quadros naturais é a captura do essencial entre uma infinidade de pormenores que nos chamam a atenção - uma excelente prática para o treino do projeto arquitetónico.


A sempre renovada relação entre edifícios e árvores

Desenho 5: este é o tema-base do excelente e modernista Olivais-Norte, a sempre renovada relação entre edifícios e árvores - renovada pelos pormenores e aspetos estruturantes que vamos sempre redescobrindo em cada esquisso e renovada também pelo próprio ciclo das estações; em termos de desenho já acima se referiu o excelente exercício de se procurar expressar a relação harmonizada entre formas construídas e naturais. 


A experiência do meio natural em plena cidade

Desenho 6: proporcionar ao citadino estar num meio natural bastante completo e agradavelmente "habitável", ainda que "a dois passos" de uma rua comercial animada, é proporcionar qualidade urbana e qualidade de vida; em termos de prática de desenho chama-se aqui a atenção para o equilíbrio que importa desenvolver entre a marcação de contornos e a sua diluição - que ajuda a dar um sentido estimulante de profundidade.


Infohabitar, Ano XI, n.º 547
Verde Urbano Desenhado - IV
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional


Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

quarta-feira, agosto 19, 2015

Verde Urbano Desenhado - III - Infohabitar 546

http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 
Inscreva-se no 3.º CIHEL

Infohabitar, Ano XI, n.º 546


Verde Urbano Desenhado - III

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos os desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

Preexistências num jardim modernista

Desenho 1: as velhas, mas fortes memórias das velhas quintas com olivais permanecem bem vivas em jardins - que infelizmente já estiveram melhor cuidados - e que se integram de forma muito positiva entre altos edifícios sobre "pilotis"; podemos esquecer o edificado e imaginarmos que estamos em plena natureza, mas pontualmente humanizada.


O verde urbano "perdoa" a massa edificada

Desenho 2: já se apontou nesta série editorial que um intenso e qualificado verde urbano, com árvores de arruamento bem estruturadas e com boa escala humana, criam espaço, criam zonas positivas de apropriação pedonal por baixo das suas copas e "brigam" positiva e visualmente com edifícios, eventualmente, menos interessantes, promovendo-se, assim, a um verde verdadeiramente protagonista e qualificador.

O verde urbano apenas "apontado"

Desenho 3: lembra-se o Desenho 1 deste artigo e refere-se que neste esquisso procurou-se fixar o essencial da natureza e da preexistência; um tipo de exercício que é essencial a quem pratica desenho, que não é fácil, mas que progride, lenta mas seguramente, com a prática.


Um verde urbano protagonista e já com "história"


Desenho 4: o verde urbano protagonista e modernista de Olivais Norte, já com mais de 50 anos de idade dá escala, cor, movimento, carácter e interesse à imagem urbana deste excelente pequeno bairro lisboeta, tão bom de viver como de visitar, e agora facilmente a partir da estação de Metro da Encarnação, que abre bem no coração de Olivais Norte. 

O nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte


Desenho 5: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis.

Um verde urbano que faz esquecer, positivamente, o espaço urbano


Desenho 6: é também função do verde urbano fazer esquecer o espaço urbano, sempre que assim desejemos, e para tal ele tem de ser estruturado e mantido de forma a proporcionar uma simulação de natureza, mas muito humanizada e "usável"/passeável; a ideia gráfica é tentar dar uma "ideia/mancha desenhada e cromática" de uma "ideia mental" de uma zona verde que vive, por si, independentemente dos edifícios que a contornam, embora de forma descontínua - "modernista".

Infohabitar, Ano XI, n.º 546
Verde Urbano - III
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


terça-feira, agosto 11, 2015

Verde Urbano Desenhado - II n.º 545 Infohabitar



O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos; está na altura de nos inecrevermos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 545

Nota prévia da edição: durante agosto a Infohabitar continuará a ser editada semanalmente, embora o dia de edição possa "deslizar" um pouco.

Verde Urbano Desenhado - II

António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa, o nosso bairro modernista por excelência que importa revalorizar com urgência e designadamente no âmbito da recente PNAP - Política Nacional de Arquitetura e Paisagem.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.

A edificação suavizada pela vegetação


Desenho 1: como se sabe a vegetação urbana e designadamente as árvores de arruamento são elementos suavizadores da edificação e, sempre que necessário, cumprem também um estratégico papel de camuflagem de edifícios menos interessantes. Naturalmente a múltipla função de melhoria do conforto ambiental e da saúde proporcionada pelas árvores e zonas verdes está sempre presente.


A edificação positivamente "camuflada" pela vegetação



Desenho 2: parte do que se referiu no desenho 1 aqui se lembra, pois árvores e zonas verdes amplas são excelentes elementos de enquadramento da massa edificada, podendo estabelecer-se jogos cromáticos e volumétricos muito interessantes, sempre que haja a necessária sabedoria para tanto da parte de quem coordena o projeto urbano e de paisagem.  

nosso bairro modernista de referência - Olivais Norte - e a PNAP


Desenho 3: Olivais Norte/Encarnação, em Lisboa é um bairro a conhecer - facilmente visitável a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) - onde arquitetura modernista, verde urbano bem escolhido e, essencialmente, um excelente modelo de "convívio" entre peões e veículos, são matérias bem evidenciadas/visíveis. E sublinha-se que por ocasião da publicação da fundamental Política Nacional de Arquitetura e Paisagem - PNAP, Resolução do Conselho de Ministros n.º 45/2015, será essencial começar a preparar Olivais Norte no sentido da sua verdadeira devolução a uma estima lisboeta e nacional adequadas, pois este bairro pode e deve ser um excelente elemanto de valorização da cultura urbana de lisboeta e portuguesa.

Uma das excelentes obras modernistas de Olivais Norte; e a arquitetura veículo de cultura  



Desenho 4: apontamento simples dos aspetos principais de uma volumetria modernista em contraste positivo com formas naturais; o apontamento rápido, tão caro aos arquitetos, pode ser uma via de verdadeiro estudo dos aspetos de apuramento e sobriedade formal da boa arquitetura, uma arquitetura que, tal como sublinhou Tadao Ando, "deve estar plena de cultura"; e neste acso temos um bairro cheio de uma arquitetura cheia de cultura, sob diversas formas

Forçar um apontamento desenhado "simples", depurado


Desenho 5: há que "forçar", com o máximo de naturalidade a geração de esquissos/apontamentos "simples", depurados, que fixem o essencial do "recanto" urbano que nos despertou a atenção; esta é em primeiro lugar uma intenção de prática de desenho, só aparentemente fácil, pois exige extrema concentração e em continuidade (ainda que durante 2/3/4 minutos), e talvez sequencialmente passa a ser uma intenção de estudo urbano, em que poderemos procurar o que ali está que nos interessa aprofundar em termos de arquitetura urbana.

A questão da escala humana deve estar sempre presente



Desenho 6: julgo que no excelente documentário sobre Tadao Ando, intitulado "Tadao Ando from emptiness to infinity", o arquiteto referiu que no remate de um esquisso desenha-se uma pessoa; julgo que ele o terá referido, se não o fez apresento desde já as minhas desculpas, mas lembro-me que foi das primeiras coisas que o meu primeiro professor de desenho, o meu Pai, Arquitecto, me ensinou, integrar apontamentos humanos no desenho, para "dar escala", para sentirmos a escala do espaço que estamos a esboçar; e em Olivais Norte a escala humana está verdadeiramente por todo o lado e no meio até dos grandes edifícios, sendo o verde urbano um seu excelente veículo.


Infohabitar, Ano XI, n.º 545
Verde Urbano Desenhado - II
Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


sábado, agosto 01, 2015

544 - Verde Urbano Desenhado I - n.º 544 Infohabitar


http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 

Infohabitar, Ano XI, n.º 544

Verde Urbano Desenhado - I
António Baptista Coelho

Apresentam-se, em seguida, alguns apontamentos/desenhos livres realizados sobre a temática do verde urbano.
Todos este desenhos foram realizados, no próprio local, em Olivais Norte - Encarnação, Lisboa.
Fazem-se, em alguns casos, comentários curtos e práticos, abordando o "desenho" e também, por vezes, matérias de urbanismo e habitat humano.


Harmonização entre verde urbano e edifícios altos
Desenho 1: em Olivais Norte/Encarnação, Lisboa – o nosso bairro modernista por excelência a conhecer, facilmente, a partir da estação de Metro da Encarnação (situada bem a meio do bairro) – o verde urbano harmoniza os edifícios altos sobre pilares – piso térreo vazado proporcionando continuidade de vistas naturais.

Ruas muito naturais e urbanas
Desenho 2: as ruas assumem fortíssimo conteúdo natural, realizadas nos anos 60 do século XX, pela primeira vez em Portugal com a participação de paisagistas e com uma excelente qualidade urbanística; e não é por terem esse forte conteúdo natural que são menos urbanas: há aqui muito a (re)aprender.


O verde urbano e os edifícios integram-se com naturalidade
Desenho 3: verde urbano e os edifícios integram-se com naturalidade, mas nesta “naturalidade” o principal segredo é a excelente qualidade urbana e paisagística da envolvente e a excelente qualidade de desenho de arquitetura do edificado, que se carateriza por elevada sobriedade e pormenorização (matéria a desenvolver nesta série editorial).


Um exemplo de ligação entre natureza e espaço urbano - Olivais Norte

Desenho 4: - o verde urbano assume expressão fortemente naturalizada e marcada por árvores preexistentes (ex., oliveiras) e pela introdução de espécies rústicas (com manutenção simplificada, embora de crescimento relativamente lento) mas com excelente imagem, como os medronheiros.



Naturalização do espaço urbano incentiva biodiversidade

Desenho 5: a naturalização do espaço urbano incentiva a biodiversidade, que proporciona “espetáculo” natural aos habitantes da cidade e designadamente às crianças.



O verde urbano é espetáculo sempre renovado

Desenho 6: o verde urbano é espetáculo sempre renovado, sempre novo com o passar do ano.
Dos troncos despidos às massas de folhas marcadas por sombras e variadas tonalidades de verde e azul, as árvores são um dos temas de eleição de quem desenha; e aprende-se muito com elas desde a proporção geral, à modelação formal, ao claro/escuro, às misturas cromáticas e, naturalmente, ao equilíbrio entre a síntese formal e a indicação do pormenor.

Infohabitar, Ano XI, n.º 544
Verde Urbano Desenhado - I
Editor: António Baptista Coelho abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.


domingo, julho 26, 2015

543 - Lavandaria doméstica - Infohabitar n.º 543

O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 543

Lavandaria doméstica - Infohabitar n.º 543

António Baptista Coelho
Artigo LXXXIV da Série habitar e viver melhor


Continuamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar.
Estamos a abordar , com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e continuamos a desenvolver uma reflexão sobre os espaços de lavandaria domésticos.

Lavandaria doméstica - associações interessantes

Habitualmente a lavandaria e rouparia doméstica está associada à cozinha e, eventualmente, a uma casa de banho mais ampla, mas há que manter total independência com os usos ligados à preparação de refeições.

Lavandaria doméstica - hábitos interessantes

O estender a roupa no exterior é um hábito interessante que convém salvaguardar, havendo excelentes soluções que harmonizam esta atividade com o respetivo e relativo recato e a sobriedade da imagem pública produzida.


Fig. 01: pormenor de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 15 - 16, Arquitetura: Mats Molén.

Lavandaria doméstica - aspectos motivadores

A associação de boa parte do tratamento de roupa doméstico – lavar, engomar e costurar – num espaço desafogado do tipo sala de família ou mesmo grande cozinha familiar e multifuncional é uma solução associada a uma interessante dinamização do convívio doméstico, desde que os aspectos associados ao ruído da lavagem estejam minimizados, assim como os aspetos de ventilação que são essenciais.

Lavandaria doméstica - problemas correntes

Os problemas correntes nestas matérias têm a ver, frequentemente, com a quase ausência de apoios domésticos específicos ao tratamento de roupas, ou à existência de situações em que espaços desse tipo interiorizam criticamente os espaços de cozinha contíguos.
E há ainda que referir situações críticas onde se propõe uma íntima associação sem qualquer sentido entre tratamento de roupas e espaço de preparação de refeições – por exemplo com um estendal interior cruzando e cortando transversalmente o espaço de cozinha.



Fig. 02: pormenor de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 33 - 34, Arquitetura: Greger Dahlström.


Lavandaria doméstica -  questões levantadas por áreas mínimas

As áreas e dimensões mínimas agravam as situações de deficiente previsão do tratamento de roupas, tendendo a “amalgamá-lo” juntamente com as diversas funções de cozinhas, sendo estas espacialmente exíguas e mal equipadas.

Lavandaria doméstica - novidades e tendências (ex., idosos, etc.)

As principais tendências relativas ao tratamento de roupas doméstico na sociedade urbana actual, marcada pelo isolamento de cada um na sua célula habitacional têm a ver, frequentemente, com a transferência desta actividade para serviços especializados, uma solução que, provavelmente, será também bastante adequada a uma população envelhecida.

Fig. 03: pormenor de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 36 - 37, Arquitetura: Bengt Hidemark, Ingemar Jönsson.


References/Referências/notas


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.


Infohabitar, Ano XI, n.º 543
Artigo LXXXIV da Série habitar e viver melhor
Lavandaria doméstica - Infohabitar n.º 543

Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, julho 19, 2015

542 - Arrumações domésticas: aspetos inovadores – Infohabitar n.º 542


http://labhab.fau.usp.br/3cihel/ 

O 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 542

Arrumações domésticas: aspetos inovadores – Infohabitar n.º 542

António Baptista Coelho
Artigo LXXXIII da Série habitar e viver melhor


Continuamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar.
Estamos agora a abordar , com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e continuamos a desenvolver uma reflexão sobre os espaços de arrumação domésticos, agora considerando matérias diversas que ficam para desenvolvimento futuro, como aquelas associadas a áreas mínimas e a novas formas de habitar.

Arrumação doméstica: hábitos interessantes e críticos

Como já se apontou em artigos desta série, uma maior e mais diversificada capacidade de arrumação tem a ver com hábitos residenciais marcados por modos de vida não-urbanos, no entanto a vivência da cidade é também caracterizada pela profusão dos mais diversos e numerosos gadgets, elementos de comunicação e consumíveis, que invadem as nossas casas, diariamente, e que obrigam, cada vez mais, a uma grande e sistemática disciplina de triagem, rejeição, arrumação e, eventual arquivamento, se não se quiser assumir o risco de se viver, constantemente, num ambiente doméstico desarrumado e confuso.
Há, ainda, que sublinhar que a intensificação do trabalho profissional e do estudo em casa é um aspecto que marca o habitar de hoje e que muito agrava a referida invasão doméstica de gadgets, elementos de comunicação e consumíveis; de certa forma trata-se de associar à casa boa parte ou a totalidade das valências de um escritório doméstico.
Naturalmente que a disseminação de uma adequada capacidade de arrumação, por toda a habitação, tal como acabou de se apontar, muito ajuda nesta “batalha” diária contra a desarrumação, seja pela arrumação disponibilizada, seja, indirectamente, pela capacidade de “esconder” a desarrumação com alguma facilidade.
Uma coisa é certa, quanto menor for a capacidade de arrumação doméstica oferecido, tanto maior a necessidade de sistematização e de disciplina nessa luta diária contra a desarrumação.



Fig. 01: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H21 – 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.

Arrumação doméstica: problemas correntes

A arrumação eficaz e bem disseminada ao longo dos diversos espaços domésticos é um factor fundamental para a funcionalidade, a agradabilidade e a satisfação do desenrolar das actividades que aí são frequentes, sublinhando-se que a ocorrência de uma situação distinta terá como consequência a ocorrência dos mais diversos tipos de problemas nessas actividades, e o avolumar de um sentimento de insatisfação com as respectivas condições domésticas. 

A afirmação que acabou de se fazer não deve ser considerada um “lugar comum” pois nos tempos de hoje, que vão passando com um sentido crítico de velocidade e urgência, tudo e mesmo tudo aquilo que se possa fazer para garantir um máximo de funcionalidade doméstica é essencial para se ganhar uma espécie de “lastro”, em termos de adaptabilidade no uso da casa; e neste lastro tem uma importância vital a existência de uma significativa, bem disseminada e multifuncional capacidade de arrumação doméstica. 


Podemos aprofundar ainda, um pouco mais, esta reflexão considerando que, actualmente, há três tipos de tarefas críticas num uso doméstico “autonomizado”, porque realizado praticamente sem ajudas profissionais (por exemplo empregadas) ou com tais ajudas reduzidas ao mínimo:
. as tarefas associadas à preparação de refeições e ao tratamento de roupas, que poderão e deverão ter um apoio funcional específico e maximizado, tal como foi e será aqui apontado;
. as tarefas associadas à arrumação doméstica, que poderão ser grandemente facilitadas através da estratégia que acabou de ser referida;
. e as tarefas associadas à limpeza doméstica, às quais dedicaremos, mais à frente, um parágrafo específico.
Tudo o que se faça, em termos de concepção de espaços, acabamentos e equipamentos para agilizar estas tarefas constitui uma vantagem determinante para o melhor e mais satisfatório uso da casa; e se considerarmos o uso da casa pelo grupo, cada vez mais alargado, de pessoas idosas, então estas vantagens assumem, ainda, uma importância mais determinante e que obriga a cuidados ergonómicos, funcionais e dimensionais específicos.



Fig. 02: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H21 – 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.

Arrumação doméstica: questões levantadas por áreas mínimas

Como já se apontou, em artigos desta série, a existência de áreas habitacionais mínimas não é compatível com a ausência de adequadas capacidades de arrumação, pois face a esta ausência a arrumação tenderá a ser assegurada, muito provavelmente através de soluções improvisadas e funcionalmente negativas, em espaços que estão já nos mínimos funcionais, com resultados, que, frequentemente produzirão situações domésticas atravancadas e sem quaisquer condições de agradabilidade e de satisfação.
Conclui-se, assim, que quanto mais reduzido for o dimensionamento doméstico, tanto maior deverá ser o cuidado investido na previsão dos respectivos espaços e elementos de arrumação.
E quando há áreas mínimas e, frequentemente, dimensões mínimas, há que cortar no mobilar, o que até é também lógico em termos das poupanças financeiras associadas, e deveria haver uma tipologia de mobiliário específica, eventualmente marcada com um símbolo específico, que fosse caracterizada, seja por um dimensionamento funcional mas mínimo, e por dispositivos funcionais, de integração e de durabilidade muito adequados (exemplo, pequenas mesas rebatíveis, cadeiras dobráveis e bem arrumáveis em conjuntos compactos, sofás confortáveis mas pouco volumosos, camas cujo estrado funciona como grande espaço de arrumação, zonas domésticas com tecto rebaixado e aproveitado como espaço de arrumação, lavatórios dimensionalmente reduzidos, etc.).
Caso contrário e caso frequente, como os habitantes não têm nem têm de ter uma formação em aspectos de espacialidade e de integração dimensional, irão arranjar elementos de mobiliário que são adequados a habitações com mais 50% a 100% da área de que dispõem realmente.
E o exemplo prático do que se está a referir é a opção de mobiliário e equipamento embutido, multifuncional, versátil, subdimensionado, muito durável e facilmente limpável de autocaravanas e de iates; embora a comparação com as unidades habitacionais "mínimas" não possa ser directa, na prática esta é uma reflexão que sempre nos levará longe .



Fig. 03: interior de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H21 – 24, Arquitetura: Mario Campi, Arne Jönsson, Jan Telving.

Arrumação doméstica: novidades e tendências (ex., trabalho em casa; idosos, etc.)

Uma boa capacidade de arrumação doméstica é uma condição essencial no uso flexibilizado e adaptativo de uma habitação a diversos modos de vida e composições familiares, o que constitui um aspecto de grande importância quando hoje em dia cada vez mais há que favorecer uma máxima diversificação das características residenciais pormenorizadas.
Uma casa com uma boa capacidade de arrumação pode, praticamente, converter-se em diversos cenários domésticos com um mínimo de alterações significativas, mas quando não há tal capacidade tudo o que se altera tem reflexos muitas vezes críticos na vivência de toda a habitação, num crescendo de problemas que se agrava com a existência de áreas e dimensões mínimas.
Estes aspectos têm relação directa com a actual tendência de se intensificar o trabalho profissional em casa, que obriga naturalmente a condições específicas de arrumação e à sua compatibilização com os espaços e as arrumações domésticas...
E a existência de uma boa capacidade de arrumação doméstica é um dos aspectos determinantes da adequação de uma casa à sua vivência prolongada por habitantes idosos, proporcionando o gradual “arquivamento” dos mais diversos elementos, o que é duplamente útil, seja no sentido em que se disponibilizam condições de arrumação diversificadas, para os mais diversos bens acumulados ao longo da vida, seja no sentido em que a boa arrumação pode proporcionar um apreciável desimpedimento dos espaços domésticos, condição positiva para a vivência dos idosos.

References/Referências/notas


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
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Infohabitar, Ano XI, n.º 542
Artigo LXXXIII da Série habitar e viver melhor
Arrumações domésticas: aspetos inovadores - Infohabitar n.º 542

Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.