domingo, abril 03, 2011

340 - Sessão no LNEC e novo livro sobre ventilação e qualidade do ar interior; resultados do concurso "Moradia Ideal" - Infohabitar 340

Infohabitar, Ano VII, n.º 340

Nota introdutória:

A presente edição do Infohabitar divulga a sessão que terá lugar na Biblioteca do LNEC, no dia 13 de Abril, pelas 15h 00, sobre a temática da "Ventilação e da qualidade do ar interior", integrando a apresentação do n.º 06 da Série do LNEC, Cadernos Edifícios, pelo seu coordenador editorial, o Investigador do LNEC Eng.º João Viegas e contando com duas palestras, uma pelo Investigador do LNEC Eng.º Jorge Gil Saraiva, e a outra pelo Professor Doutor Arq.º Vasco Moreira Rato, Director do Departamento de Arquitectura e Urbanismo (DAU) do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (IUL).

Em seguida faz-se, também, a divulgação dos 11 finalistas do Desafio Global On-line
Moradia Ideal: Colaboração Para Cidades Mais Inclusivas e Sustentáveis uma iniciativa da responsabilidade dos Changemakers da Ashoka, que foi há alguns meses divulgada, aqui, na nossa revista.

O editor do Infohabitar e Chefe do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC
António Baptista Coelho


Fig. 01: capa da nova edição do LNEC " Ventilação e da qualidade do ar interior"


13 de Abril, 15h 00, Biblioteca do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Av. do Brasil 101 - Lisboa: Sessão Técnica Sobre Ventilação e Qualidade do Ar Interior e lançamento do Cadernos Edifícios N.º 06, sobre o mesmo tema
(entrada livre, limitada à capacidade da sala)

Convidam-se os leitores para a apresentação e o lançamento público, no LNEC, do último número dos Cadernos Edifícios, com o título "Ventilação e da qualidade do ar interior", no âmbito de uma sessão técnica que integra duas palestras ligadas a esta temática.

Esta sessão técnica e de divulgação integra-se numa iniciativa de dinamização da Biblioteca do LNEC, sem dúvida um dos espaços nobres do Laboratório.



fig. 02: a Biblioteca do LNEC


A sessão incluirá as seguintes intervenções: (i) introdução de enquadramento à sessão; (ii) duas palestras sobre a temática a realizar por investigadores convidados; e (iii) a apresentação da nova publicação, pelo Eng.º João Viegas.

A apresentação da nova edição é feita, também, sumariamente, neste artigo, onde se divulga o respectivo conteúdo técnico.

Juntam-se, também, breves sínteses biográficas dos dois conferencistas, bem como resumos dos conteúdos a abordar nas respectivas intervenções.

Sobre o novo livro: "Ventilação e da qualidade do ar interior"


Até há poucas dezenas de anos a envolvente dos edifícios caracterizava-se pela sua elevada permeabilidade ao ar que, embora sendo causa de desconforto, assegurava as necessidades de ventilação das habitações.

No rescaldo do impacte das crises energéticas dos anos setenta foi evidenciada a forte necessidade de ser reduzida a permeabilidade ao ar da envolvente dos edifícios, como forma de reduzir os consumos energéticos na climatização das habitações.

Com alguma frequência, a forte redução da permeabilidade ao ar da envolvente do edifício e o subdimensionamento dos meios de evacuação dos produtos da combustão das cozinhas conduziram à existência de uma menor qualidade do ar interior de edifícios de habitação, sendo esta evidenciada pelo aparecimento de anomalias construtivas, por exemplo pelo crescimento de fungos e bolores, quando a esses aspectos se associa também um limitado isolamento térmico da envolvente.

A tomada de consciência da deficiente qualidade do ar interior criou condições para o desenvolvimento de acções que têm em vista a sua melhoria, referindo-se como exemplo a publicação das várias partes da norma NP 1037, relativa à ventilação e evacuação dos produtos da combustão, e a publicação do Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (Decreto-Lei 80/2006, de 4 de Abril), marcado também pela preocupação da melhoria da qualidade do ar interior.

Neste número dos Cadernos Edifícios apresenta-se um conjunto de textos que reflectem um olhar multifacetado relativamente à ventilação e que evidenciam a sua crescente importância.

Nos textos que são coligidos nesta edição são abordados o impacte dos aparelhos a gás domésticos nas necessidades de ventilação, as acções que geram a ventilação natural, a análise do desempenho de ventilação natural e mista (através de trabalhos de investigação que têm sido realizados), aspectos da modelação analítica da ventilação, a contribuição da permeabilidade ao ar da envolvente para a ventilação dos edifícios, os impactes da ventilação nos desempenhos acústico e de consumo de energia nas edificações, a análise da qualidade do ar interior e um caso de estudo.

Espera-se que este conjunto de textos, sem ter o objectivo englobar todos os aspectos relevantes para este problema, contribua para uma visão alargada deste domínio e para a discussão e aprofundamento do estudo que a ventilação e qualidade do ar interior requerem.

João Viegas


Fig. 03: João Viegas

Resumo da palestra de Jorge Alberto Gil Saraiva

VENTILAÇÃO: UMA PERSPECTIVA PROFISSIONAL

Aborda-se o tema da ventilação numa perspectiva profissional encarando aplicações específicas com que normalmente os projectistas e utilizadores se debatem mas encaradas e suportadas pelo conhecimento científico e técnico actual.

Uma estratégia recomendável
Ideias de ontem, hoje e amanhã
Finalidades e objectivos
Os processos de análise e de síntese
O caminho. Três equações que mudaram o mundo
As consequências
Os profissionais
Estratégias
Recomendações


Fig. 04: Jorge Saraiva

Jorge Alberto Gil Saraiva

Jorge Alberto Gil Saraiva, Engenheiro Mecânico pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto; Especialista em Estruturas e Habilitado para Coordenação de Actividades de Investigação e Desenvolvimento pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Investigador Coordenador do LNEC; Professor Convidado do Departamento de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico, até 2003, e da Faculdade de Arquitectura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Membro Conselheiro da Ordem dos Engenheiros.

Autor de mais de quatro centenas de publicações dos mais diferentes tipos (relatórios e notas técnicas (LNEC e LNETI), comunicações e artigos, livros e memórias, ...) nos diferentes domínios em que exerceu actividade (Dinâmica de Estruturas, Termodinâmica Aplicada, Mecânica dos Fluidos, Energia e Ambiente, ...).

Tem desenvolvido também actividade como conferencista e formador (orientando, nomeadamente, mais de uma vintena de teses de mestrado e de uma dezena de teses de doutoramento).

No campo das tecnologias de aplicação de Energia Eólica quer activa (parques eólicos e bombagem) quer passiva (ventilação/desenfumagem natural) desenvolveu trabalhos teóricos, de laboratório e de campo. Desenvolveu igualmente trabalhos de aplicação no campo dos sistemas de ventilação/desenfumagem forçados e mistos, abrangendo dimensões e aplicações muito variadas.


Resumo da palestra de Vasco Moreira Rato

A qualidade do ar interior é hoje, como sempre foi, determinante nas condições de habitabilidade necessárias a uma vivência saudável da arquitectura. Por sua vez, a obtenção de qualidade do ar interior nos edifícios apenas é possível mediante uma adequada renovação de ar, promovida pela ventilação, quer seja natural, mecânica ou mista. Por outro lado, a renovação do ar tem implicações de outra ordem, por vezes contraditórias, na satisfação de diversas exigências funcionais. Podem enumerar-se, por ventura por serem as mais significativas, a sua contribuição na redução do risco de ocorrência de anomalias resultantes do excesso de humidade, a sua implicação nas necessidades de energia para obtenção de conforto higrotérmico, a sua compatibilização com os requisitos de comportamento acústico bem como a sua relação com exigências legítimas de qualidade arquitectónica. Há pois que garantir níveis de salubridade correctos no contexto de uma complexa rede de objectivos.

As questões referidas são portanto um desafio no processo produtivo de novas edificações, mas assumem particular relevo na reabilitação do património existente. Os limites de intervenção definem, neste caso, um intervalo significativamente reduzido no qual não cabem todas as opções disponíveis para os novos edifícios. A inequívoca compreensão deste facto é condição imprescindível para o sucesso de um segmento de mercado que deverá assumir, rapidamente, uma preponderância determinante na indústria da construção.

O cumprimento do desígnio da qualidade do ar interior, referenciado nas demais exigências a verificar, dependerá pois da capacidade de coordenação de equipas de trabalho coesas o que, por seu lado, apenas se obtém com conhecimento e competência.

O contributo da 6ª edição dos Cadernos Edifícios “Ventilação e Qualidade do Ar Interior”, sob a égide do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, é assim de inestimável valor na consolidação de um saber prático, solidamente fundamentado em pressupostos científicos. Será de enorme utilidade para todos aqueles que desenvolvem actividades relacionadas com a construção de edifícios assim como para a escolas de engenharia civil e de arquitectura.


Fig. 05: Vasco Moreira Rato

Vasco Moreira Rato

Vasco Moreira Rato é Professor Auxiliar do Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa e investigador do DINÂMIA-CET (Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território).

Arquitecto, mestre em Construção e doutorado em Engenharia Civil na especialidade de Reabilitação do Património Edificado, trabalhou na indústria dos materiais de construção, na consultoria técnica, gestão e coordenação de intervenções de conservação em património arquitectónico bem como na docência e na investigação universitária.

Desenvolve actualmente actividade relacionada com o património e a eficiência energética e é Director do Departamento de Arquitectura e Urbanismo (DAU) do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (IUL).


Fig. 06: o novo Cadernos Edifícios, " Ventilação e da qualidade do ar interior"

Conteúdo/índice do
CADERNO DE EDIFÍCIOS 06: VENTILAÇÃO E QUALIDADE DO AR INTERIOR

João Viegas, coordenador da edição

Editorial - João Viegas

Aplicação da ventilação natural e mista em edifícios. As acções indutoras da ventilação natural - Fernando Marques da Silva

Ventilação de edifícios de habitação: Sistemas mistos - Vasco Peixoto de Freitas

Aplicação da norma NP 1037-1: 2002 - João Viegas

Ferramenta simplificada para a previsão do desempenho da ventilação natural - João Viegas

Limites para a permeabilidade ao ar da envolvente de edifícios. Eficiência energética e qualidade do ar interior - Armando Pinto


A ventilação natural e a instalação dos aparelhos a gás - Gregório Laranja

A normalização europeia no domínio da ventilação e evacuação dos produtos de combustão - Ernesto F. Peixeiro Ramos

A compatibilização das exigências de conforto acústico com os sistemas de ventilação em edifícios de habitação - Jorge Patrício

Caracterização experimental de um sistema de ventilação misto em edifícios de habitação - Manuel Pinto, Vasco Peixoto de Freitas

Avaliação simplificada dos consumos de energia associados à ventilação - Celestino Rodrigues Ruivo

Qualidade do ar interior - Maria Carmo Proença, Manuela Cano

Sistema de ventilação natural da Praça de Touros do Campo Pequeno - Guilherme Carrilho da Graça

O novo cadernos Edifícoos 06 está disponível na Livraria do LNEC

http://livraria.lnec.pt/php/index_livraria.php


Algumas Publicações do LNEC sobre Ventilação e Qualidade do Ar Interior

VIEGAS, João C. – Ventilação natural de edifícios de habitação. LNEC : Lisboa, 1995. Colecção Edifícios, CED 4. 144 p. ISBN 978-972-49-1671-2.

SILVA, Fernando Marques da – Ventilação natural de edifícios. Turbulência atmosférica. LNEC, Lisboa, 2004. Teses e Programas de Investigação LNEC, TPI 33. 339 p. ISBN: 978-972-49-2020-7

VIEGAS, João C. – Utilização de ventilação de impulso em parques de estacionamento cobertos. Lisboa, 2008. Teses e Programas de Investigação LNEC, TPI 55. 672 p. ISBN: 978-972-49-2149.


Fig. 07: Desafio Global On-line Moradia Ideal: Colaboração Para Cidades Mais Inclusivas e Sustentáveis


Por solicitação dos respectivos organizadores e com todo o gosto, o Infohabitar associa-se à divulgação dos 11 finalistas do Desafio Global On-line Moradia Ideal: Colaboração Para Cidades Mais Inclusivas e Sustentáveis, uma iniciativa da responsabilidade dos Changemakers da Ashoka.

O Changemakers da Ashoka está muito feliz em compartilhar com você os 11 finalistas do Desafio Global On-line Moradia Ideal: Colaboração Para Cidades Mais Inclusivas e Sustentáveis e esperamos que você se una a nós para parabenizá-los!

De 23 de março a 5 de abril de 2011, visite a página
http://www.changemakers.com/pt-br/moradiassustentaveis

para saber mais sobre os 11 finalistas e votar nas três inscrições de sua preferência. Os vencedores serão anunciados em 12 de abril e os três projetos mais votados receberão o prêmio de US$10mil cada.

Além disso, gostaríamos de fazer um convite para que você participe de bate-papo pelo Twitter, na segunda-feira, 4 de abril. O programa Changemakers da Ashoka reunirá empreendedores, inovadores sociais, os finalistas e os comentaristas de todo o mundo debater sobre os desafios globais para uma moradia urbana mais sustentável. Participe do bate-papo utilizando a tag #SocEntChat no Twitter, na segunda-feira 4 de abril, entre as 16hs-18hs (horário de Brasília). Siga-nos no @Changemakers



Com sua ajuda, nós conseguimos mobilizar agentes de mudanças em todo o mundo que apóiam soluções criativas para a falta de moradias adequadas e inclusivas. Esperamos que você continue a trazer ideias e entusiasmo para esta comunidade. Por favor, vote e nos ajude a selecionar um dos 3 vencedores e envolva-se nas discussões online no decorrer do desafio.

Julia Forlani, Changemakers da Ashoka 55 (11) 3085 9190 r. 234 R. Alves Guimarães, 715, São Paulo - Brasil/ 05410-001
changemakersbrasil@gmail.com
http://www.ashoka.org.br/
http://www.changemakers.com/
Skype: changemakers.brasil
Siga o ChangemakersPT no Twitter

ESTÁ DISPONÍVEL A VOTAÇÃO QUE ESCOLHERÁ AS MELHORES SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS PARA CONSTRUIR CIDADES MAIS AGRADÁVEIS E INCLUSIVAS
(Washington DC - 23 de março de 2011) Começa hoje a votação pública que escolherá três vencedores entre os 11 finalistas do Desafio Global do Changemakers da Ashoka “Moradia Ideal: colaboração para cidades mais inclusivas e sustentáveis”. A votação acontece no site changemakers.com. Os três finalistas com maior número de votos receberão cada um US$10 mil para investir em seus projetos para a construção de comunidades mais resistentes e habitáveis em todo o mundo.

Os 11 finalistas foram escolhidos entre 289 participantes de 48 países por um painel internacional de jurados especialistas no tema. Os jurados selecionaram finalistas cujas ideias foram consideradas as mais inovadoras, mas também as com maior potencial de aplicação em escala em cenários urbanos.

O painel de jurados do Desafio “Moradia Ideal: colaboração para cidades mais inclusivas e sustentáveis” é formado por Jeroo Billimoria, fundador da Aflatoun; Angel Cabrera, presidente da Thunderbird School of Global Management, William Cobbett, gerente da Aliança de Cidades, Inês Magalhães, secretária nacional de habitação para a República Federativa do Brasil, María Otero, subsecretária de Estado para Democracia e Assuntos Globais do Departamento de Estado dos EUA, Eduardo Rojas, especialista em desenvolvimento urbano do Banco Interamericano de Desenvolvimento; Ron Sims, secretário-adjunto do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA; Sara Topelson, subsecretária de desenvolvimento urbano e territorial para o Governo Federal do México, e Jane Weru, diretora executiva e fundadora da Akiba Mashinani Trust.

"As soluções finalistas vão estimular o crescimento econômico, combater a pobreza e construir centros urbanos mais inteligentes do ponto de vista ambiental, com abundância de transporte e que deem prioridade para a circulação de pedestres", disse Benjamin de la Peña, diretor para Desenvolvimento Urbano da Fundação Rockefeller. "Eles vão desencadear oportunidades econômicas para a população pobre que vive nas cidades, criando desenvolvimento social inclusivo ao redor do mundo por muitos anos."

Conheça, em seguida, os finalistas :

Sume Materiales (“Incorporate materials”) - Reutilization of Materials to Facilitate Access to Housing
http://www.changemakers.com/pt-br/node/101334
da Fundacion Sagrada Familia – Argentina

Sume Materiais (SM) facilita às familias de baixos recursos tenha acesso aos materiais de contrução e reforma de suas casas. Eles atuam desde 2004 reutilizando materiais em desuso para as famílias com condições habitacionais precárias. Eles recebem doações de materiais não utilizados e restos de obras de indivíduos e empresas, retiram as doações em domicílio, transportam, catalogam, estocam e concertam quando necessário. Os produtos são vendidos à preços sociais, diferenciados de acordo com a capacidade de pagamento de cada família. O programa é auto sustentável e o excedente se destina aos outros programas de construção da Fundação Sagrada Família

Slum Networking – Transforming Slums and Transcending Poverty Without Aid with an Innovative Water and Sanitation Paradigm
http://www.changemakers.com/pt-br/node/99417
da Himanshu Parikh Consulting Engineers - Índia

A Slum Networking explora a correlação poderosa entre as favelas e os caminhos fluviais de cidades para transformar o ambiente e infra-estrutura das cidades. Eles usam a água e o saneamento para reduzir a pobreza em uma mudança de paradigma de paternalismo social "para" negócios acessíveis'. Este trabalho já transformou a vida de mais de meio milhão de moradores de favelas.

Developing Real Estate for Squatters and Tenants of the City of Buenos Aires
http://www.changemakers.com/pt-br/node/96796
da Habitat para la Humanidad Argentina - Argentina

Como a maioria das grandes cidades, Buenos Aires tem mais edifícios não utilizados ou mal utilizados que famílias com necessidade de moradia. Freqüentemente, duas famílias pagam um aluguel com taxa de mercado e compartilham uma pequena sala onde cozinhar, estudar e dormir; com banheiros coletivos em prédios se deteriorando. O projeto Reciclando Habitações Urbanas, da Habitat para a Humanidade Argentina, reforma edifícios para demolição, para ser alugado a estas famílias com uma taxa de mercado. A diferença entre essa taxa e uma "Feira de Aluguel" é reservada como poupança, de modo que a família pode deixar a sua HPHA (Programa de Aluguel Assistido) como histórico e economia para sair do ciclo de pobreza da habitação. Esses projetos desenvolvem ambientes urbanos com a construção sustentável, adaptação cultural e fornecer uma saída para as famílias marginalizadas.

Social Franchising for Development of Sustainable Housing at the Bottom of the Pyramid
http://www.changemakers.com/pt-br/node/99126
da Ecoblock International, S.A. - México

Echale um tu casa! promove uma habitação auto-sustentável para a base da pirâmide através da inclusão social. Neste modelo comunitário de franquia social, as famílias desenvolvem o empreendedorismo, formam uma organização social, recebem formação em contabilidade, administração e técnica, máquinas de produção, design participativo, sistema de construção ecológico, supervisão técnica, financiamento e educação financeira com a integração de um fundo de garantia de poupança . Como resultado, estas famílias têm um patrimônio e uma habitação sustentável. O benefício social para os franqueados é se associar a um fundo de garantia e possuir uma micro indústria de construção para replicar na região.

Programa Bem Morar
http://www.changemakers.com/pt-br/node/100312
Associação Ateliê de Idéias – Brasil

É um pacote integrado de serviços e tecnologias para promover o acesso de famílias e comunidades de baixa renda a moradias dignas, seguras e confortáveis: alia crédito habitacional, assistência técnica e produção e difusão de métodos, soluções e materiais de construção sustentável. O crédito é concedido pelo banco comunitário (Banco Bem, em Vitória). As famílias têm assessoria para fazer os projetos arquitetônicos e os orçamentos de suas obras, que consideram a aplicação de soluções ecoefientes: como tijolos de solo-cimento, aquecedores solares e sistemas de reuso de águas servidas. O próximo passo do programa é produzir e aprimorar essas soluções e materiais para difundir entre as famílias de baixa renda por menor custo.

Kibera Public Space Project: Sustainable Housing Through “Productive Public Space”
http://www.changemakers.com/pt-br/node/99698
Kounkuey Design Initiative (KDI) – Quênia

É uma rede de espaços públicos que transforma comunidades da maior favela da África de forma sustentável. Para melhorar verdadeiramente a qualidade de vida os projetos devem planejar as comunidades para a sustentabilidade ambiental, social e econômica. Esse entendimento levou ao conceito de Espaços Públicos de Resíduos em Espaços Públicos Produtivos: lixões são reconstruídos através de um processo conduzido pela comunidade para mitigar os riscos ambientais, proporcionar conforto e desenvolver empresas que financiam a manutenção do local. No primeiro espaço há um jardim público, salão, playground e água. As vendas de adubo feito a partir da compostagem e cestos tecidos a partir de uma planta nativa prestam apoio financeiro. No segundo espaço há chuveiros, banheiros e uma escola.

Zero Waste, Sustainable Architecture, Renewable Energy
http://www.changemakers.com/pt-br/node/99578
da Associação Verdever / Curadores da Terra – Brasil

Curadores da Terra (Earth Curadores) desenvolveu um sistema inovador que transforma resíduos em materiais fabricados para habitação. A inovação consiste em uma tecnologia patenteada que combina lixo com resinas de resíduos orgânicos para a produção de materiais de construção renováveis. Ela é então usada para construir casas sustentáveis e acessíveis através de um processo de construção já testado e em implementação.

Green Development Zone
http://www.changemakers.com/pt-br/node/97522
da People United for Sustainable Housing – EUA

Em 2008, a PUSH criou uma Zona de Desenvolvimento Verde (GDZ), em Buffalo, ao concentrar os investimentos para habitação verde à preços acessíveis com energia geotérmica e solar, a formação de empregos verdes e agricultura urbana. Ao desenvolver o GDZ, PUSH engajou uma intensa comunidade de planejamento que reuniu centenas de moradores do bairro. Trabalho no GDZ até agora inclui a conclusão de 11 unidades de habitação verde acessível, com 20 unidades adicionais em desenvolvimento, uma renovação da habitação NetZero, incluindo sistemas geo-térmica e solar avançados; pagamento de formação profissional em construção verde -40 jovens que recém saíram da escola - e uma parceria com o Projeto Massachusetts Avenue , que dirige uma fazenda urbana de dois hectares .

micro Home Solutions: Safe & Affordable Home Upgrading in Low Income Urban India
http://www.changemakers.com/pt-br/node/101756
Índia

Muitas famílias pobres na Índia urbana vivem em estruturas precárias e inseguras ainda que o governo facilite assentamentos legais. Micro Home Solutions criou o conceito e lançou Home Design Solutions (IDS),
um serviço que combina design personalizado de assistência técnica com financiamentos acessíveis para famílias de baixa renda interessados em melhorias residenciais. Eles fazem parcerias com instituições financeiras para oferecer um pacote de produtos de empréstimo para melhoria de casas com acesso a concepção técnicas profissional. No nível comunitário, eles estabelecem parcerias com ONGs locais. Os serviços prestados pelo DHS permitem que famílias consigam investir numa construção segura, bem ventilada e com espaços saudáveis, e muitas vezes possibilita um maior rendimento.

Transforming the Low-Income Housing Development Paradigm
http://www.changemakers.com/pt-br/node/97568
do Centro de Transporte Sustentable de México - México

A cidade de Aguascalientes está enfrentando os desafios do século XXI, como a expansão, transporte ineficiente e altos níveis de ferimentos e acidentes fatais causados por acidentes de trânsito. Para enfrentar isso, o prefeito solicitou ajuda para transformar um conjunto habitacional de baixa renda para 40 mil moradores, o "Centenario de la Revolución". Foram desenvolvidas recomendações de políticas de uso misto do território que criam proximidade dos serviços com melhores condições para os pedestres e ciclistas, bem como acrescentado conexões aos transportes públicos de alta qualidade. Entre as recomendações incluíram mais lotes comerciais, calçadas mais largas e com maior densidade, ciclovias, mais espaços públicos, melhor distribuição de estacionamento, ligações com transportes públicos. Até setembro de 2010, o governo já tinha incorporado cerca de70% das recomendações.

Building a Culture of Earthquake Resistant Construction Practices Among Day Laborers in Haiti
http://www.changemakers.com/pt-br/node/101758
da AIDG – EUA/Haiti

Após o terremoto de 12 de janeiro de 2010 em Porto Príncipe, no Haiti, a AIDG, em cooperação com o Centro Multidisciplinar de Engenharia Sísmica da Universidade de Buffalo e Engenheiros Consultores da KPFF, começou a inspecionar 1.500 estruturas danificadas. As equipes encontraram erros de construção se repetindo. A origem desses erros é uma força de trabalho pouco qualificada que aprende através de práticas de construção básicas que não são apropriados para a construção em zonas sísmicas. Com base nessa experiência de ver bons construtores trabalhando com trabalhadores pouco qualificados que a AIDG desenvolveu um currículo de formação em massa para trabalhadores diaristas. No intuito de corrigir o déficit de conhecimento que a AIDG realizou um treinamento para 10.000 pedreiros.

Entre 23 de março e 06 de abril de 2011, visitantes do Changemakers.com podem votar em três soluções empreendedoras que constroem cidades mais agradáveis e inclusivas. A participação e votação contribuem para o avanço nos modelos de colaboração significativa e eficaz entre líderes comunitários, urbanistas, acadêmicos, especialistas em transporte, instituições de crédito e financeiras, profissionais de arquitetura e políticas públicas, além de governos locais. Além do prêmio de 10 mil dólares, os vencedores serão apresentados e expostos no evento de encerramento da competição que acontece em junho de 2011 no National Building Museum, em Washington, DC

"Em 2050, três em cada quatro pessoas no mundo viverão nas cidades já que milhões de pessoas continuam a migrar para áreas urbanas em busca de novas oportunidades", explica a presidente da Ashoka Diana Wells. "Ao criar habitações que sejam acessíveis, sustentáveis e inclusivas e enfrentar o desafio de restrições de energia e alterações climáticas, estas soluções permitem que as cidades possam servir de motores da economia global ao mesmo tempo em que proporcionam comunidades mais agradáveis e resistentes para milhões de pessoas ao redor do mundo."



Fig. 08: Desafio Global On-line Moradia Ideal: Colaboração Para Cidades Mais Inclusivas e Sustentáveis

Sobre a Ashoka's Changemakers
O Changemakers da Ashoka é uma comunidade de ação que conecta empreendedores sociais ao redor do globo para partilhar ideias, inspirar e orientar uns aos outros. Através de suas competições colaborativas online e seu processo de direitos abertos, Changemakers.com é um dos espaços mais robustos mundialmente para o lançamento, discussão e financiamento de ideias que buscam resolver problemas sociais urgentes. Changemakers dá continuidade à história de três décadas da Ashoka que crê que todos nós temos a capacidade de ser Transformadores.
http://www.changemakers.com/

Sobre a Fundação Rockefeller
A Fundação Rockefeller promove soluções inovadoras para muitos dos mais urgentes desafios do mundo, confirmando sua missão, desde 1913, que busca "promover o bem-estar" da humanidade. Hoje, a Fundação trabalha para garantir que mais pessoas possam aproveitar os benefícios da globalização enquanto reforça a resistência a eventuais riscos. Iniciativas da Fundação incluem os esforços para mobilizar uma revolução agrícola na África Subsaariana, para fortalecer a segurança econômica de trabalhadores americanos, produzir informação sobre políticas de transporte sustentáveis e igualitárias nos Estados Unidos, garantir acesso a sistemas de saúde de alta qualidade e acessíveis nos países em desenvolvimento, acelerar impacto através de investimento na evolução da indústria e desenvolver estratégias e serviços que ajudam comunidades vulneráveis a lidar com os impactos causados pela mudança climática. Para mais informação, visite http://www.rockefellerfoundation.org/

Sobre o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano (HUD) dos EUA
O Departamento dos EUA de Habitação e Desenvolvimento Urbano (HUD) tem a missão de criar comunidades fortes, inclusivas, sustentáveis e moradias populares de qualidade. HUD está trabalhando para fortalecer o mercado habitacional – de maneira que isso estimule a economia e proteja consumidores; atender à necessidade de qualidade a preços acessíveis no mercado de locação de imóveis; utilizar a habitação como plataforma para melhoria da qualidade de vida; construir comunidades sustentáveis, inclusivas e livres de discriminação; e transformar a maneira como o HUD faz negócios.
http://www.hud.gov/
espanol.hud.gov

Sobre a Associação Americana de Planejamento
A American Planning Association é uma organização de ensino independente, sem fins lucrativos, que forma lideranças no desenvolvimento de comunidades vivas. A APA e seu instituto profissional, o American Institute of Certified Planners, são dedicados ao avanço da ciência, arte e profissão de um bom planejamento - físico, econômico e social - de forma a criar comunidades que ofereçam as melhores escolhas sobre onde e como as pessoas trabalham e vivem. Os membros da APA ajudam a criar comunidades de valor duradouro e a encorajar líderes cívicos, interesses das empresas e cidadãos em desempenharem papel significativo na criação de comunidades que enriquecem a vida das pessoas. A APA tem escritórios em Washington, DC, e em Chicago, IL.
http://www.planning.org/

Sobre o Departamento de Estado dos EUA
O Departamento de Estado dos EUA, chefiado pela Secretária Hillary Rodham Clinton, executa as políticas externas do presidente dos EUA, Barack Obama, para o povo americano. O Bureau de Assuntos do Hemisfério Ocidental é chefiado pelo secretário assistente de Estado Arturo Valenzuela A., responsável pela gestão e promoção dos interesses dos EUA na região, apoiando a democracia, o comércio e o desenvolvimento econômico sustentável e promovendo a cooperação em questões como a segurança do cidadão, fortalecendo as instituições democráticas e o Estado de Direito, inclusão econômica e social, energia e alterações climáticas.
http://www.state.gov/

Mais informações sobre ECPA
O Presidente dos EUA, Barack Obama, convidou todos os países da região a aderirem ao Tratado para Energia e Clima das Américas (ECPA) na Quinta Cúpula das Américas, em abril de 2009. A adesão ao ECPA é voluntária, permitindo que governos, organizações interamericanas, indústria privada e sociedade civil possam conduzir iniciativas com foco em eficiência energética, energias renováveis, combustíveis fósseis mais limpos, infraestrutura, pobreza , uso sustentável da terra e de florestas e adaptação. A ECPA é destinada a ajudar na promoção de políticas ambientais de governo que incentivem o desenvolvimento com baixa emissão de carbono, além de atuar como ferramenta para identificar áreas onde assistência seja necessária. Qualquer governo no hemisfério pode liderar uma iniciativa, assim como oferecer apoio financeiro para realização de atividades ou buscar financiamento de bancos de desenvolvimento público e privado e instituições multilaterais. Progresso e mais informação são compartilhadas no site da Organização dos Estados Americanos. ECPA em
http://www.ecpamericas.org/

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Notas editoriais:
(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.

(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.


(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.




Infohabitar a Revista do Grupo Habitar


Editor: António Baptista Coelho


Edição de José Baptista Coelho


Lisboa, Encarnação - Olivais Norte


Infohabitar, Ano VII, n.º 340, 03 de Abril de 2011

sábado, março 26, 2011

339 - A rua metropolitana transitória - Infohabitar 339

Infohabitar, Ano VII, n.º 339
Artigo de Gustavo de Casimiro Silveirinha

Notas iniciais:
É sempre com uma satisfação muito especial que o Infohabitar acolhe e edita um artigo de um novo participante activo na nossa revista semanal, neste caso o Arq.º Gustavo de Casimiro Silveirinha, que nos oferece um artigo sobre a rua de hoje na cidade de hoje, aquele feita de áreas urbana e suburbanas e um artigo que vem na linha directa dos vários textos ultimamente aqui editados, seja sobre as questões da segurança/insegurança urbana, seja das matérias ligadas ao convívio nas nossas cidades e vizinhanças, e tudo isto numa perspectiva global que nunca esquece a vontade actual da reconquista da rua para ser bem habitada e vivida por todos nós.

Com este artigo também se assinala mais um ano "oficial" de actividade do Grupo Habitar, uma associação técnica e científica sem fins lucrativos com sede no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU) do LNEC, que tem contado com apoios muitos diversos, por parte de muitas pessoas e instituições, e que no dia 28 de Março irá realizar a sua 10.ª Assembleia-Geral em Matosinhos (indicações disponíveis em uma das últimas edições do Infohabitar), contando mais uma vez com o apoio da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) e da Cooperativa As sete Bicas, às quais se apresentam os públicos e sentidos agradecimentos.
O editor do Infohabitar
António Baptista Coelho

Breves notas sobre o autor do presente artigo:
Gustavo de Casimiro Silveirinha nasceu em Aveiro, em 1982.
Colaborou com o Prof. Doutor Walter Rossa e o Arq. Mário Celso Albuquerque, previamente ao ingresso na faculdade. Licenciou-se em Arquitectura pelo Darq/FCTUC – Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra, em 2007. Foi Bolseiro Erasmus de Arquitectura em San Sebastian, Espanha.

Desenvolveu a Tese de final de curso na área do Urbanismo e Desenho Urbano com o título “In Absentia – Limite e Carácter da cidade do Porto”, tendo como orientador o Prof. Doutor Paulo Providência, procurando continuar a investigar nessa mesma área.

É actualmente Doutorando do programa Doutoral em Arquitectura do Instituto Superior Técnico/UTL; um programa apoiado e participado pelo NAU do LNEC.


A rua metropolitana transitória Gustavo de Casimiro Silveirinha (*),
(*) Arquitecto, Doutorando IST,
gustavosilveirinha@gmail.com

“A dicotomia entre aparência e realidade assumiu grande relevância na concepção do mundo material. A noção de que a função da ciência é dizer o que a humanidade pode dizer sobre a natureza e não o que ela realmente é, levanta questões acerca da relação entre a forma como se dá um fenómeno determinado e as limitações para o observar e entender com o máximo de precisão.” (1)

O modo como a cidade tem sido observada reflecte uma noção pouco estruturada, que se torna óbvia se se focar a atenção na envolvente das áreas metropolitanas nomeadamente a AML – Área Metropolitana de Lisboa.

Observar a cidade através do traçado e não do tecido edificado permitirá alguma abstracção, necessária num processo de análise de tensões e fenómenos urbanos ou metropolitanos, capaz de abarcar uma escala e conjunto.

Os ritmos económicos, culturais e sociais não permitem hoje uma unidade de desenho das cidades. Apesar de ligadas por infra-estruturas, dizemos que lhes falta um traçado unificador.

As cidades contemporâneas metropolitanas estão a dotar-se de centros de passagem de grandes infra-estruturas e cruzamentos de vias, onde se localizam recorrentemente interfaces que dispensam a necessidade de circulação até ao seu centro para se usufruir do serviço motivador da deslocação.

O que impede a cidade de se desintegrar morfologicamente podem ser elementos de transição: capilares metropolitanos, ruas e vias que permitem a circulação entre infra-estruturas metropolitanas que conferem à cidade escala humana, constituindo a cidade vivencial. É neste conjunto de elementos que se encontra a rua metropolitana transitória, com o sentido simultaneamente temporal e espacial.

Surgem espacialmente entre as vias viárias infra-estruturais e os aglomerados urbanos adjacentes, sendo por isso elementos de transição, mas o seu carácter e perfil não se encontra ainda definido, sendo por isso o actualmente transitório.

A passagem de escala entre infra-estrutura e traçado urbano deve ser assim assumida pelos capilares metropolitanos transitórios, complementados com espaços de descompressão como parques e praças, com identidade de desenho, com capacidade para se concretizarem como espaço público.

As grandes Infra-estruturas de distribuição
Por simplificação referimo-nos neste artigo como infraestrutura, os grandes “canais de distribuição dos fluxos viários à escala metropolitana e “ruas metropolitanas transitórias às vias rápidas e com capacidade elevada intermédias com os traçados urbanos de escala local.

O processo de urbanização aumentou a necessidade de aumento de tráfego entre as diversas partes da cidade. Este processo gradual culminou com o aumento do perfil das infra-estruturas, em função da distância e do tráfego. A infra-estrutura viária, que une partes da cidade cada vez mais dispersas mas também mais especializadas, foi a que maior crescimento aparente teve, se tivermos em conta a influência que esta teve em todo a tecido urbano, quer na malha de mobilidade quer na malha construída.

Perante a impossibilidade de individualizar as infra-estruturas por serviço ou função, estas servem todos as necessidades de deslocação sejam industriais sejam de lazer. Esta sobreposição transforma a infra-estrutura, principalmente a viária num elemento fundamental de ligação entre as diversas partes da cidade, concentrando assim muito do volume de tráfego de pessoas e bens em deslocação.

As necessidades que as áreas anteriormente chamadas subúrbanas apresentavam, no que se refere a actividades económico-sociais e de serviços, ainda se mantêm actualmente nas sub-cidades ou alvéolos urbanos. Esta situação recorrente não só impede uma necessária independência da cidade central, como sobrecarrega as infra-estruturas e não permite o desenvolvimento sustentável do processo de expansão da cidade. A esta falta de coesão há que somar o papel de ligação mas também de fronteira da infra-estrutura. O que a sua escala e existência permitem a nível de acesso à cidade central, retrai a verdadeira criação de equipamentos e serviços nos alvéolos metropolitanos, logo uma menor identificação com o espaço urbano.

Fragmentação do Tecido Urbano
Com o avanço constante ou contínuo do processo de urbanização do território, assiste-se a uma aparente perda de controlo do desenho da cidade. O processo evolutivo, nem sempre constante e dependente de mais variáveis, levou ao aparecimento de franjas de território construído.

Alvéolos de tecido urbano isolado e aglomerados de elevada densidade e diversidade apresentam-se desconexos do tecido do core da cidade adjacente.

Com diferentes visões e definições tanto Ascher (2) como Sassen (3) coincidem que esta fragmentação resulta da especialização de partes do tecido metropolitano.

O espaço metropolitano tende a construir algo diferente da cidade, pequenos aglomerados, praticamente auto-suficientes, com uma estruturação espacial questionável, tendendo a expandir-se num sentido desconhecido. Deste modo assiste-se a um afastamento do carácter anterior da cidade quando esta era uma discreta unidade geográfica, política e social, facilmente identificada e delimitada. (4)

As cidades devem ter um planeamento que lhes confira identidade própria pelo simples facto de estas rapidamente se estarem a tornar desconexas, divididas em partes.

Diferenciação
Os novos centros metropolitanos carecem de identidade devido em muito à fraca estruturação do traçado.

A diferenciação pode conferir ao traçado da malha urbana características de âmbito social, para que nestas áreas outrora de periferia possa surgir um maior sentido de pertença.

"Ao longo de quase um século, a rua tem estado sob ataque persistente de diversos sentidos: os projectistas de Siedlungen e Cidades-jardim, os mestres modernos do CIAM, e do governo local e arquitectos dos países Anglo-saxónicos e Escandinavos terem tentado postular formas de assentamento urbano em que a rua foi sendo destituída da sua função passada ou analisada fora da existência. Houve um ataque correlativo por partes dos seguidores de Haussmann que subordinaram todas as funções de assentamento urbano à rua em si, particularmente para a rua como um transportador do tráfego. "Mas, por outro lado para atacar a rua significa atacar"o mais importante componente do padrão urbano: um padrão que só é consumido, aprendeu, e reconhecido pelo seu uso ““. (5)

Assim os capilares metropolitanos, vias de menor escala, mais urbanas voltam a ter o papel de caracterizar e conceder aos novos centros metropolitanos ou alvéolos urbanos identidade e qualidade. Estes capilares metropolitanos através da sua caracterização poderão atingir este objectivo.

A rua – Espaço público
A definição da palavra “Praça” como “Lugar largo e espaçoso, ordinariamente rodeado de edifícios”, que propicie a convivência ou a sua apropriação para recriação, complementada com a definição de Jane Jacobs dos quatro elementos necessários para que um parque ou praça funcione – complexidade, centralidade, insolação e delimitação espacial – concretiza o exemplo da Praça Cosme Damião. (ver Figuras 1 e 2)

No entanto a sua complexidade, não se refere ao sentido do uso mas no sentido da sua configuração, e delimitação espacial, mas deve-se às vias que simultaneamente a atravessam e delimitam.

Este surge como um dos exemplos de espaço público descaracterizado como consequência da influência da 2ªCircular, em Lisboa. Esta situação remete para a rua o papel de espaço público, uma vez que está patente uma clara sobreposição da mobilidade, e da acessibilidade à infra-estrutura em relação à verdadeira acepção do espaço “Praça”.





Fig. 01





Fig. 02

Figuras 01 e 02 - Praça Cosme Damião
Fonte: GoogleMaps, 2010

Assim para a concretização do planeamento que venha a conceder à rua o carácter de espaço público, as ruas dever-se-ão demonstrar atractivas com um perfil cuidado e com qualidade de desenho, nomeadamente a nível de mobiliário urbano mas principalmente a nível de espaços criados e de qualidade de vivência.

No que se refere à continuidade do tecido, Jane Jacobs refere que este deverá possuir uma escala tal de modo a que forme uma malha contínua que possibilite a constituição de uma sub-cidade em potencial. Assim, e perante a sub-cidade já constituída pelos alvéolos metropolitanos, resulta neste momento reflectir sobre o processo em curso.

Dado que a continuidade deve ser considerada chave, no sentido da mobilidade, torna-se imperioso a constituição de conjuntos de capilares urbanos, cujo carácter permita essa continuidade quer de tráfego, quer de leitura, o que conferirá à sub-cidade uma maior segurança e identidade.

Neste sentido de segurança e qualidade de vivência do espaço urbano, concretamente a rua, a contribuição do traçado que precederá a constituição da malha de rua, permitirá a qualificação das ruas, com a intensificação da constituição de elementos como parques e praças, como forma de descompressão da malha. A esta descompressão somar-se-á a complexidade de usos do tecido urbano, criando interacções adaptáveis entre o hardware urbano e o constantemente mutante software urbano. (6)

Deste modo o zoneamento (zoning) da cidade é facilitado, havendo uma malha definida e a alteração do uso dos solos acompanha as mutações do tecido urbano.
“Uma grande cidade não é uma colecção de cidades pequenas, justapostas: uma grande cidade é um local onde a grande maioria das pessoas com as quais nos relacionamos, fazemos trocas e compartilhamos os espaços públicos nos são predominantemente desconhecidos”. (7)

Fragmentando o tecido urbano edificado o urbanismo modernista contribuiu para a desarticulação da morfologia das cidades, destruindo ruas.

A escala intermédia de transição de escala no tecido urbano é a chave para o planeamento quer de edifícios, quer de infra-estruturas e espaço público.

A rua metropolitana transitória
A cidade é um sistema aberto, um organismo que necessita de energia e bens da envolvente.

Como sistema que é funciona como um conjunto de elementos interligados, interdependentes.

O grande objectivo das circulares e infra-estruturas viárias de localização exterior ao tecido consolidado era escoar a maior quantidade de tráfego do centro da cidade. A este objectivo soma-se o de evitar a necessidade de entrada na malha viária mais estreita para atravessar a cidade, congestionando-a. Ambos os objectivos aparentemente são cumpridos, por exemplo na 2.ª Circular, mesmo sendo que se denuncia a contradição e eminente esgotamento, estando muitas vezes congestionada.

A premissa inicial de serem infra-estruturas exteriores em relação ao tecido urbano consolidado actual já não se confirma, pelo que estas se tornaram parte desse mesmo tecido. Elas próprias criaram tecido, catalisaram o seu crescimento, mas também o condicionaram. Neste ponto surge a questão fundamental que se impõe no que se refere a tensões no tecido metropolitano actual, que se prende com a mudança de escala.

Adaptando a situações urbanas concretas padrões de sistemas simples, que possam ser replicados ainda que adaptativamente, será possível que a cidade se constitua como um sistema complexo organizado. Actualmente como esses padrões são desconexos e não relacionáveis formalmente, temos um sistema complexo desorganizado. (8)

É neste contexto que surge o conceito de rua metropolitana transitória, uma vez que o carácter evolutivo não permite uma classificação final, e estes elementos surgem na sequência espacial imediata das grandes vias, assumindo-se como ramificações que os ligam às vias das massas urbanas construídas criadas por si.

Na regeneração do tecido urbano, a rua metropolitana transitória apresenta-se em processo transitório, num sentido de maior urbanidade, menos de acesso à infra-estrutura ou sobrante da malha do traçado, mas mais acessíveis e urbanos, no sentido de proximidade.

Os principais factores dinamizadores do aparecimento desta nova tipologia de rua, que no seu conjunto constituem uma rede de capilares metropolitanos são:
- a infra-estrutura
- o consequente desenvolvimento de novos tecidos e aglomerados urbanos
- a localização de novos equipamentos e tipologias de mobilidade (exemplo Interfaces de transportes, estações multi-modais)
- a alteração do uso dos solos.

Assim, no que se refere a rua metropolitana transitória o sentido de transição assume uma perspectiva dual, pelo sentido temporal relacionado com o carácter efémero do perfil actual da rua, como pelo sentido espacial relacionado com a localização espacial da rua relativamente entre a infra-estrutura e o tecido urbano adjacente. Apresentamos seguidamente alguns exemplos.

Casos
Rua Quinta de Santa Maria, Santa Maria dos Olivais




Fig. 03




Fig. 04

Figuras 03 e 04 – Rua de Quinta de Santa Maria
Fonte: GoogleMaps, Gustavo Silveirinha 2011
Legenda:
Pontos/Círculos vermelhos maiores: Infra-estrutura de elevado tráfego
Pontos/Círculos vermelhos pequenos: Rua Metropolitana Transitória avaliada

A rua Quinta de Santa Maria situada na freguesia de Santa Maria dos Olivais, apresenta-se como um exemplo mais completo de rua metropolitana transitória dada a sua situação em relação a uma infra-estrutura viária de elevada escala, a 2.ªCircular.

- Usos do solo envolvente
O uso do solo envolvente é quase exclusivamente habitacional, não havendo nenhum equipamento a destacar, nem acessível através desta rua.

- Sensibilidade/Adaptação ao Local
Apesar de o seu perfil não ser o final esta apresenta um elevado grau de consolidação, já que se aconselhava mais espaço de tráfego intermédio principalmente junto à entrada na 2.ªCircular, apresenta uma solução que resulta numa passagem de escala suave.




Figura 05 – Rua de Quinta de Santa Maria
Fonte: GoogleMaps, 2011

- Contribuição para o Local
O seu papel transitório está patente na forma como o tráfego viário é conduzido através de diversas fases de descompressão pelo facto de possuir placas centrais que permitam a distribuição gradual dos veículos em circulação. O estacionamento encontra-se previsto e devidamente projectado. Também o seu perfil a nível de interacção peão–automóvel demonstra desenho cuidado e funciona, bem como seguro para ambos.

- Futuro
É previsível que o seu perfil se altere ligeiramente pela alteração do uso quer de espaços desocupados nas imediações quer pela adaptação de pequenos edifícios não habitacionais na envolvente. Como consequência deverá haver um aumento de tráfego viário, que não deverá alterar a qualidade da rua, nem do espaço público que esta rua constitui.




Figura 06 – Rua de Quinta de Santa Maria
Fonte: Gustavo Silveirinha, 2011

Ligação Avenida de Berlim – Avenida Cidade do Porto, Alameda da Encarnação, Santa Maria dos Olivais
A Ligação Avenida de Berlim – Avenida Cidade do Porto situada na freguesia de Santa Maria dos Olivais, apresenta-se com uma função e perfil indefinido.

- Usos do solo envolvente
Acessível através desta rua encontra-se o Quartel dos Bombeiros da Encarnação, e a Alameda da Encarnação. Existem bastantes terrenos desocupados na envolvente da rua e acessíveis traves desta, presume-se com cariz habitacional. O troço inicial da Alameda da Encarnação apresenta também ainda um perfil pouco claro o que dificulta uma leitura da Alameda como um todo.




Fig. 07



Fig. 08

Figuras 07 e 08 – Ligação Avenida de Berlim – Avenida Cidade do Porto
Fonte: GoogleMaps, Gustavo Silveirinha 2011
Legenda:
Pontos/Círculos vermelhos maiores: Infra-estrutura de elevado tráfego
Pontos/Círculos vermelhos pequenos: Rua Metropolitana Transitória avaliada

- Contribuição para o Local
A sua contribuição é negativa para o local, e está patente na forma como o tráfego viário é conduzido, bem como pelo modo como se processa o estacionamento nesta mesma via. Também o seu perfil a nível de interacção peão–automóvel demonstra falta de desenho, bem como de segurança para ambos. A inexistência de passeios em parte da rua, bem como o seu dimensionamento reduzido não permite uma utilização fácil do espaço da rua.




Figura 09 – Ligação Avenida de Berlim – Avenida Cidade do Porto
Fonte: Gustavo Silveirinha, 2011

- Sensibilidade/Adaptação ao Local
Dada a sua situação em relação a uma infra-estrutura viária de elevada escala, ou seja de ligação ao acesso pela Avenida cidade do Porto à 2.ªCircular, apresenta um perfil desadequado á que alem do seu perfil ser indefinido, não possui actualmente escala de modo a funcionar como mediador de tráfego.




Figura 10 – Ligação Avenida de Berlim – Avenida Cidade do Porto
Fonte: GoogleMaps, 2011

- Futuro
É previsível que o seu perfil se altere pela alteração do uso quer de espaços desocupados nas imediações quer pelas intervenções a serem realizadas pela ligação do Metro entre a Estação do Oriente e o Aeroporto da Portela. Como consequência deverá haver um aumento de tráfego viário, o que deverá potenciar a melhoria de qualidade da rua, bem como do espaço público que esta rua constitui.

Deste modo poder-se-á antever o aparecimento de serviços ou comércio, nos terrenos envolventes a estas vias também o que catalisará uma maior vivência das mesmas e o seu carácter mais urbano.

Rua Doutor João Couto, Benfica




Fig. 11



Fig. 12

Figuras 11 e 12 – Rua Doutor João Couto
Fonte: GoogleMaps, Gustavo Silveirinha 2011
Legenda: Pontos/Círculos vermelhos maiores: Infra-estrutura de elevado tráfego
Pontos/Círculos vermelhos pequenos: Rua Metropolitana Transitória avaliada

- Usos do solo envolvente
A rua Doutor João Couto situa-se na freguesia de Benfica, e o uso do solo da sua envolvente é maioritariamente habitacional excepção feita a pequeno comércio pontual e uma bomba de gasolina acessível pedonalmente também através desta rua. Não existem terrenos desocupados na envolvente próxima.

- Contribuição para o Local
A sua contribuição é para o local não é observável a não ser pelo serviço de circulação, uma vez que o seu perfil não inclui nem circulação para peões nem é definido, que não facilita nem a sua leitura, nem a segurança na interacção peão–automóvel nem de vivência. De referir que esta rua permite o acesso a uma passagem superior para atravessamento da 2ªCircular.

- Sensibilidade/Adaptação ao Local
Dada a sua situação em relação a uma infra-estrutura viária de elevada escala, ou seja extrema proximidade em relação à 2.ªCircular, apresenta um perfil desajustado uma vez que não possui actualmente escala de modo a funcionar como mediador de tráfego, numa eventual ligação.



Figura 13 – Rua Doutor João Couto
Fonte: Gustavo Silveirinha, 2011

Torna-se óbvia, no entanto, a influência simultaneamente negativa e positiva da envolvente na rua. A localização de um parque de estacionamento com alguma qualidade de desenho influência de forma positiva a leitura da rua. Negativa é também a proximidade da 2ªCircular que prejudica a qualidade do perfil da rua e da sua utilização.



Figura 14 – Rua Doutor João Couto
Fonte: GoogleMaps, 2011

- Futuro
A tendência de as ruas metropolitanas transitórias se tornarem mais urbanas, previsivelmente também se reflectirá aqui, com a colocação de passeios e a qualificação da ligação ao parque urbano já existente no inicio da rua.


Avenida Marechal Craveiro Lopes, Campo Grande




Fig. 15



Fig. 16

Figuras 15 e 16 – Avenida Marechal Craveiro Lopes
Fonte: GoogleMaps, Gustavo Silveirinha 2011
Legenda: Pontos/Círculos vermelhos maiores: Infra-estrutura de elevado tráfego
Pontos/Círculos vermelhos pequenos: Rua Metropolitana Transitória avaliada

- Usos do solo envolvente
Os usos do solo envolvente a esta rua são, maioritariamente, pequeno comércio e habitação, com alguma concentração de escritórios de serviços.




Figura 17 – Avenida Marechal Craveiro Lopes
Fonte: Gustavo Silveirinha, 2011

- Contribuição para o Local
A contribuição quase exclusiva desta rua para o local em que se encontra, é a de servir de local de estacionamento para o comércio e habitação da envolvente da envolvente. A nível de organização da circulação a contribuição actualmente é praticamente nula, bem como a nível do desenho de espaço público. Possui circulações para peões apenas junto aos edifícios do lado sul.

- Sensibilidade/Adaptação ao Local
Esta rua é paralela ao acesso à 2ªCircular pelo que não se relaciona directamente com a infra-estrutura de tráfego elevado próxima. No entanto a inexistência deste contacto não se reflecte na qualidade do espaço, funcionando apenas como cul-de-sac para inversão de marcha e alguma circulação pedonal residual de passagem dada a complexidade do espaço e de atravessamento do mesmo.

- Futuro
A inexistência de espaços desocupados não faria prever uma grande alteração no desenho e perfil da rua a curto prazo. No entanto, dado o seu carácter complexo, esta apresenta-se como uma solução viável para as tensões de circulação e ruas próximas (Figura 17), bem como apresenta espaço suficiente para permitir espaço de estadia, por oposição ao ser carácter confuso e de passagem para o tráfego pedonal.

Conclusão
A classificação de rua metropolitana transitória pode ser considerada temporária em relação às vias existentes, com a expansão da cidade, na medida em que elas poderão progressivamente “urbanizar-se”, ao transformar-se em “ruas urbanas”, avenidas ou até “mainstreets” de bairro, enquanto outras surgirão como novas ruas metropolitanas, com escala adequada a nova ligações supra-municipais.

Também no que se refere ao papel espacial transitório da rua em relação a uma infra-estrutura de elevado tráfego, o carácter desta é simultaneamente transitório espacial e temporalmente, uma vez que o seu posicionamento, dada expansão da cidade se foi alterando. Mas a médio prazo é previsível que o seu perfil se altere também e se torna também mais urbana e a sua escala adaptada à realidade envolvente, pelo que a ocorrer será uma alteração de escala em diversos graus da hierarquia viária.

Estes exemplos demonstram que a cidade funciona, mas poderia ser optimizada enquanto sistema, e enquanto elemento de vivência humana, pela qualidade de circulação, mobilidade, espaço público e identificação com o espaço urbano.

A concretização da cidade como um sistema funcional permitirá evitar o congestionamento das vias, facilitando a mobilidade e potenciando o funcionamento da cidade. A mobilidade cria qualidade de vivência e riqueza, factores que potenciam a expansão da cidade. Deste modo o sistema condicionar-se-á e controlar-se-á a si próprio.

O reconhecimento da cidade através da sua identidade não se deve à replicação pura e simples de soluções que funcionem em determinado momento e espaço, mas na qualificação de soluções parciais, na medida em que funcionem em conjunto de modo a transmitir essa identidade. A concretização do conceito de rua como espaço público e, permite a minimização dos custos a nível de desenho e espaço urbano pela implantação e influência das infra-estruturas, seja de que naturezas for. (ex. viária, ferroviária).

Assim a tendência da rua metropolitana transitória é a de se urbanizar, e ser um “condutor de urbanização”, de se adaptar à evolução da cidade, da alteração dos usos do solo, da localização de novos equipamentos.

Haverá no entanto que considerar um regresso progressivo a um centro das cidades cujo crescimento potenciou a sua desocupação. Esta reocupação implicará também reavaliar a relação das infra-estruturas viárias com o tecido urbano pré-existente através de ruas transitórias.

Deste modo será possível aproveitar as mudanças de paradigma urbano para concretizar novas soluções de desenho urbano e traçado que permitam a consolidação da cidade como sistema integrado de sistemas urbanos de menor escala.

Os novos territórios e tecidos urbanos criados por novas infra-estruturas deve-se referir que estes têm o potencial de adaptação que o tecido consolidado pode já não ter, de adaptação prévia e qualificação quer do espaço público, quer especificamente da das relações entre tecido urbano e infra-estrutura, com especial atenção às ruas transitórias e à cidade transitória que as engloba.

Nota do autor
Neste artigo e seguindo a etimologia da palavra, do latim transitorius, o uso feito do adjectivo transitório refere-se a elementos cujas características que os constituem se focam especificamente na mobilidade e passagem que estes proporcionam e permitem.

Simultaneamente este adjectivo foi utilizado na sua acepção com sentido de algo cuja duração é passageira ou pouco duradoura, o que concretamente neste caso se refere ao carácter indefinido mas em mutação do perfil das ruas.

Num contexto menos lato poder-se-ia talvez considerar a rua como um elemento transitário, no entanto poderia levar a uma consideração redutora quer do papel da rua no desenho da cidade.
Assim como seria redutora pelo do carácter social, espacial e complexo da rua no que se refere também a ser espaço público apropriável e de estada e relação pessoal. Deste modo o conceito de transitário está implícito daí a sua não consideração.

transitório (9) - (latim transitorius, -a, -um, que serve de passagem, por onde se passa)
adj.
1. Que dura pouco.
2. Passageiro, breve.

transitário (10) - (trânsito + -ário)
adj.
1. Relativo ao trânsito.
2. Atravessado gradualmente pelo trânsito ou por mercadorias em trânsito.
adj. s. m.
adj. s. m.

Notas:
(1) Kosso, P. – Appearence and reality, An Introduction to the Philosophy of Physics, New York: Oxford university Press, 1998

(2) Ascher, François – Métapolis ou l’avenir des villes, Paris: Editions Odile Jacob, 1995.

(3) Sassen, Saskia – The Global City: New York, London, Tokyo: Princeton University Press, 1991

(4) Chambers, Iain -: Migrancy, Culture, Identity, London and New York: Routledge, 1994

(5) Rykwert J. The Street: the Use of its History. In: Anderson S, editor. On streets. Cambridge, Mass.: M.I.T. Press, 1978.Rykwert J. The Street: the Use of its History. In: Anderson S, editor. On streets. Cambridge, Mass.: M.I.T. Press, 1978.Rykwert, J. – The Street: the Use of its History. In: Anderson S, editor. On streets. Cambridge, Mass.: M.I.T. Press, 1978.

(6) Brandão, P. – Manual de Metodologia e Boas Práticas para a Elaboração de um Plano de Mobilidade Sustentável

(7) Jacobs, Jane – The death and life of great American cities, Londres, Pimlico, 2001

(8) Weaver, Warren, “Science and Complexity”, American Scientist 36: 536, 1948, (Recolhido em 19-01-2011);
http://www.ceptualinstitute.com/genre/weaver/weaver-1947b.htm
“Warren Weaver sugeriu que a complexidade de um determinado sistema é o grau de dificuldade em prever as propriedades do sistema, se as propriedades de partes do sistema são dadas.“

(9) in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa,
http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=transit%C3%B3rio,
[consultado em 2011-03-06]

(10) in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa,
http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=transit%C3%A1rio,
[consultado em 2011-03-06

Notas editoriais:
(i) A edição dos artigos no âmbito do blogger exige um conjunto de procedimentos que tornam difícil a revisão final editorial designadamente em termos de marcações a bold/negrito e em itálico; pelo que eventuais imperfeições editoriais deste tipo são, por regra, da responsabilidade da edição do Infohabitar, pois, designadamente, no caso de artigos longos uma edição mais perfeita exigiria um esforço editorial difícil de garantir considerando o ritmo semanal de edição do Infohabitar.
(ii) Por razões idênticas às que acabaram de ser referidas certas simbologias e certos pormenores editoriais têm de ser simplificados e/ou passados a texto corrido para edição no blogger.
(iii) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

Infohabitar a Revista do Grupo Habitar
Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar, Ano VII, n.º 339, 26 de Março de 2011

O Grupo Habitar - APPQH, é uma associação técnica e científica sem fins lucrativos, que tem sede no Núcleo de Arquitectura e Urbanismo (NAU), do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)