segunda-feira, janeiro 15, 2018

Uma nova funcionalidade doméstica - Infohabitar n.º 627

Infohabitar, Ano XIV, n.º 627

Número total de visualizações de página da Infohabitar em 15 de Janeiro de 2018 às 9h,00 (de Portugal): 999,964

CAROS LEITORES, ESTÁ MESMO, MESMO A  SER  ULTRAPASSADA A “BARREIRA" DO MILHÃO DE VISUALIZAÇÕES EM 14 ANOS DE EDIÇÕES DA INFOHABITAR

Parabéns a todos os autores e leitores que editaram e leram os nossos artigos; e vamos tentar chegar aos dois milhões mais cedo (antes dos 28 anos de edições), e para isso precisamos de artigos e de divulgação – artigos que nos sejam enviados (para abc.infohabitar@gmail.com) e uma divulgação que cada um de vós possa fazer no vosso “círculo” profissional e pessoal de contactos.

PS: e acreditem que, há 14 anos atrás, começámos mesmo com o contador a "0"; foi difícil, mas agora dá bastante prazer.


Fig. 01: Embora se critique neste artigo o mau uso e a continuidade de um uso datado e inadequado do funcionalismo arquitectónico habitacional é urgente lembrar e divulgar os excelentes exemplos de um adequado funcionalismo urbano e arquitectónico dominantemente residencial, que seria bem importante resgatar, recuperando as suas imagens urbanas e divulgando as suas excelentes realizações - no esboço, uma vista do exemplar e actualmente tão pouco estimado Bairro de Olivais Norte em Lisboa, um verdadeiro caso de referência nacional e europeu que assim deveria/deverá ser tratado.


Edita-se o artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CIV

Uma nova funcionalidade doméstica

por António Baptista Coelho

Uma nova funcionalidade doméstica - o tais, bem conhecidos, espaços funcionais domésticos, mas agora bem personalizados, diversos, agradáveis e envolventes


Uma nova e mais adequada funcionalidade doméstica
O que se procura apontar no texto que se segue é a possibilidade e a oportunidade de se seguirem outros caminhos na concepção dos espaços habitacionais privados que não sejam os que são, habitualmente, associados a aspectos específicos de funcionalidade e mesmo de alguma “maquinização” das actividades que marcam a nossa vivência doméstica.
Tais ideias referem-se, essencialmente, aos espaços de cozinha e de casa de banho, embora outros espaços e subespaços da casa também possam e devam ser reencarnados numa perspectiva que não lhes negue as suas exigências funcionais, mas que as recoloque, finalmente, sob a alçada de uma agradável e vital caracterização doméstica; acabando de vez com a ideia de “máquinas de habitar”, assim reconvertidas a máquinas habitáveis e “domesticadas”.
E de certa forma esta mesma perspectiva de recuperação do sentido doméstico, agradável, envolvente, sossegado/calmo, caloroso, agradavelmente expressivo e identitário do habitar e especificamente dos espaços da habitação, é um caminho que vai continuar a ser abordado em próximos textos, referidos aos desejáveis subespaços que têm de compor/integrar e vitalizar/caracterizar os espaços maiores da habitação; e neste sentido obrigando-os a determinadas condições de adaptabilidade e versatilidade no seu uso e na sua apropriação.
Neste sentido e desenvolvendo um exercício que será interessante e muito rico alargar a múltiplos espaços habitacionais, iremos, em seguida, reflectir um pouco nesta perspectiva, e especificamente sobre as duas sub-tipologias espaciais domésticas que estão mais ligadas a essa “tradição” funcionalista, designadamente, os espaços de cozinha e de casa de banho. Naturalmente que sabemos não se tratar apenas de uma “tradição” funcionalista, pois, evidentemente, tais espaços têm exigências funcionais específicas e rigorosas, no que se refere a aspectos de segurança no uso, higiene, facilidade de limpeza, manutenção e “cadeias” funcionais aconselháveis, mas parece ser tempo de salvaguardar tais exigências, mas, no mínimo, harmonizando-as tendo em conta alguma novidade e/ou redescoberta associadas a um expressivo e eventualmente dominante sentido de domesticidade, sendo tempo de reencarar tais espaços com essa abertura de espírito e considerando, mesmo, que estas novas ou renovadas opções possam ter, eventualmente, expressão directa na própria caracterização das respectivas habitações.
E neste sentido abordam-se, em seguida, os espaços de cozinha e de casa de banho, fazendo-se uma pequena nota final sobre os espaços/elementos de arrumação e outros espaços ditos “de serviço”.

Fig. 02: está na altura de olharmos as "velhas" tipologias de vizinhança próxima e de edifício e habitação, nas suas mútuas relações e agregações, com outros olhos, inspirando-nos nelas para se iventarem "novas" tipologias "pós-funcionalistas".

Novas e antigas cozinhas

O espaço de cozinha constitui, historicamente, o núcleo e o coração de actividade da habitação, pelo menos quando pensamos na habitação popular, aquela que sempre foi, naturalmente, dominante e onde não existia pessoal dedicado à preparação e ao servir das refeições, e um coração da vida doméstica onde a preparação, o servir e o tomar as refeições era natural motivo de convívio familiar; um convívio que se passava também antes e depois das refeições e ao longo do seu alongado processo de preparação e que tinha e tem naturais “prolongamentos”, designadamente, no acompanhamento do recreio e do trabalho de casa/estudo das crianças e em muitas outras tarefas da “lide” doméstica que, globalmente, aconteciam também na cozinha ou “grande cozinha familiar”.
No âmbito da promoção habitacional intensiva que marcou o Século XX e em certo período histórico marcado pelas essenciais preocupações higienistas, seguidas das suas sequenciais preocupações funcionalistas, e numa altura em que muitas famílias ainda tinham apoios domésticos diversificados, seja no âmbito da família alargada, seja por parte de pessoal de serviço doméstico (muitas vezes reduzido já ao mínimo), assistiu-se como que a uma especialização da cozinha, tendo ficado o tratamento de roupas um pouco “pendurado” (sem espaço ou com pouco espaço específico atribuído), isto porque a tendência de funcionalização e especialização não conseguia servir bem todas as tantas funções entretanto identificadas; e assim certas funções da antiga cozinha multifuncional e convivial foram sendo menorizadas e integradas em espaços por vezes exíguos e mal localizados (ex., em espaços claramente residuais), enquanto as importantes funções de convívio natural e de refeições informais foram estrategicamente esquecidas ou então ridiculamente concentradas em pequenas mesas escamoteáveis e tantas vezes muito mal localizadas.
E, naturalmente, a regulamentação oficial fez eco desta “evolução”, que foi, inicialmente, positiva no sentido de se regrarem situações sem higiene/segurança e sem qualquer sentido funcional, mas que foi negativa porque empobreceu clara e gradualmente, ao longo do Século XX, toda a concepção arquitectónica doméstica (incluindo-se aqui, incrivelmente, não só a designada “habitação social/mínima”, mas a quase totalidade da promoção habitacional, que assim foi “simplificada”), seja no sentido do que seria uma importante continuidade cultural, seja no sentido da adaptabilidade a tantos e variados modos de viver a habitação.
E lembremos que hoje em dia, então, é que não há “pessoal doméstico”, que fique como que confinado aos espaços de “serviço”, a não ser em casos de excepção, e, portanto, estas considerações têm todo o sentido, devendo influenciar ou uma relação forte entre cozinha e estar, eventualmente, gerando-se amplos espaços de convívio familiar do tipo “sala de família”, ou uma redescoberta da grande cozinha familiar, multifuncional e convivial, a qual acaba por poder libertar o espaço de sala para funções mais específicas e/ou mais reservadas. E, já agora, lembremos as designações tantas vezes usadas para as cozinhas domésticas: espaços de serviço, zonas de água, zonas húmidas, etc – e vá lá que regulamentarmente elas sempre contaram como “área habitável” (a mais “valiosa” em termos regulamentares).  
 

Novas casas de banho

Quanto às “casas de banho” importa sublinhar a possibilidade de desenvolvimento da “figura” do espaço de banho com um sentido caracterizador e caracterizado por determinadas formas de viver a habitação. Situação que poderá ligar-se ao desenvolvimento de associações entre espaços de banho e outros espaços de estar, dormir e lazer com forte carácter identitário e relativamente privativo, embora espacialmente pouco controlado em termos dimensionais. O exemplo de um tal espaço é o sítio de banho de uma das casas do Arq.º Charles Moore, que se integra num espaço de estar e assume mesmo uma posição destacada neste espaço.
O sentido desta solução liga-se à recuperação de formas de banho tradicionais/antigas, que se associavam com flexibilidade aos diversos espaços da habitação, assumindo-se o banho como acto de prazer, além de função higiénica, acto esse expressivamente ambulatório, pois podia acontecer tanto junto a uma lareira, como numa grande cozinha multifuncional, neste caso por razões práticas de proximidade com a fonte de água quente.
De certa forma esta matéria de uma desejável recuperação do sentido amplo, de lazer e de prazer, do banho doméstico liga-se por um lado, ao interesse da separação entre funções higiénicas e de satisfação de necessidades básicas e o acto do banho, designadamente do banho de imersão, como função que tem também evidentes vantagens em termos da saúde, a tal “saúde pela água” (SPA), actualmente tão divulgada em equipamentos de turismo, mas que evidentemente deveria ter o seu papel garantido na habitação corrente.
Tudo isto tem também a ver com uma urgente opção de dignificação da “casa de banho” doméstica, resgatada da sua designação de “instalação/instalações sanitária/s” e que pode/deve assim deixar de ser relegada para os espaços interiores sobrantes das soluções habitacionais, ganhando direitos “de janela”, de desafogo espacial e de dignidade, identidade e até uma importante afectuosidade de acabamentos; em vez da fria disponibilização de um pequeno “mausoléu” de concentração de canalizações, serviços higiénicos e, por outro lado, luxos incoerentes em termos de “equipamentos sanitários” e de revestimentos até absurdamente impermeáveis).
E será sempre interessante reconsiderar a opção por um banho que possa ir mudando de sítio, conforme desejos e aspectos práticos (o caso do banho dos bebés é um bom exemplo deste tipo de banho), ou pela consideração do banho de imersão como elemento “central” de uma dada organização de um dado espaço doméstico estruturador da respectiva habitação – o que acontece no referido exemplo da casa de Charles Moore.
Importa ainda ter em conta que uma casa de banho pode e deve proporcionar uma expressiva apropriação em termos de arranjo geral, podendo constitui-se como extensão de um mundo muito pessoal, por exemplo, pela profusão de plantas tropicais e pela introdução de peças de mobiliário e de equipamento sanitário especiais, como é o caso de algum mobiliário especial e de uma velha banheira. De certo modo o que aqui se pode reforçar é o sentido de “casa de banho” personalizada e confortável, sendo para tal essencial a existência de boas condições de luz  e ventilação naturais.
E não tenhamos dúvidas que nada disto é compatível com espaços de “casa de banho” (realmente de “instalações sanitárias”) mínimos e interiores (tantas vezes encaixando mal até uma exígua banheira).


Fig. 03: a habitação ganha em carácter/identidade e verdadeiras funcionalidades com variadas e estimulantes misturas de usos e apropriações, que, no entanto, exigem um natural suporte dimensional e de estruturação doméstica.


Espaços/elementos de arrumação: breves notas

Sobre uma nova forma de encarar os espaços e elementos/equipamentos destinados à arrumação doméstica, apenas se lembra que é vital para um bom uso da habitação que ela integre uma adequada capacidade de arrumação (capacidade para mobilar, armários embutidos e compartimentos específicos), e que é possível estruturar a habitação com uma tal capacidade, deixando-a camuflada ou até parcial e estrategicamente visível, mas sempre bem “subjugada” na sua aparência e modo de usar a um ambiente expressivamente doméstico; não faz sentido é esquecer tais necessidades e/ou tratá-las sem sensibilidade de concepção, “colando”, posteriormente, “arrumos” a espaços anteriormente pormenorizados sem se considerar tal necessidade. 

Outros espaços “de serviço”: breves notas

Numa perspectiva de sensível “domesticação” da “velha” funcionalidade doméstica e visando-se uma promoção habitacional económica, não fará, talvez, muito sentido avançar com outras exigências funcionais muito desenvolvidas, podendo ser, eventualmente, preferível a junção dessas funcionalidades em diversos espaços domésticos, que para tal sejam suplementarmente dimensionados e proporcionando-se, assim, uma expressiva multifuncionalidade em diversos subespaços da habitação; e apenas a título de exemplo podemos imaginar a integração de máquinas de tratamento de roupa em casas de banho espaçosas, o desenvolvimento de uma varanda fechada que possa ser usada, em parte, para estender a roupa  e, em parte, como pequena zona de estar, a existência de espaço suplementar na cozinha para se poder passar a ferro e a existência de largos corredores de circulação, arrumação e estar especializado (ex., para leitura e estudo).

Como comentário a estas reflexões e na sua sequência, parece ser adequado apontar a oportunidade de se ir no sentido de se reequacionar a globalidade das “ditas” e bem conhecidas funcionalidades domésticas; e um pouco nesta perspectiva  em próximos artigos desta série iremos abordar a riquíssima matéria dos subespaços domésticos.

Notas finais:
Lembra-se que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já divulgámos, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista - o Blogger.
Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 627
Uma nova funcionalidade doméstica

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, janeiro 08, 2018

Espaços domésticos para trabalho profissional e passatempos

Infohabitar, Ano XIV, n.º 626


Número total de visualizações da Infohabitar em 8 de Janeiro de 2018: 999.000

Espaços domésticos para trabalho profissional e passatempos
Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CIII

por António Baptista Coelho

Notas iniciais:
Com o presente artigo retoma-se a edição corrente da Série “Habitar e Viver Melhor”, que se vai aproximando da sua conclusão.

O editor da Infohabitar

Espaços domésticos para trabalho profissional e passatempos


Fig. 01: espaços habitacionais para trabalhos não domésticos e para passatempos

1. Trabalho profissional ou não-doméstico na habitação

A temática do trabalho profissional ou não-doméstico realizado na habitação (“em casa“) – por vezes designado por home-office – será, aqui, abordado, não numa perspetiva específica e desenvolvida , mas pensando-se no tema com um perfil suplementar às atividades mais diretamente ligadas à habitação.

1.1 A habitação que integra espaços não domésticos

Preferencialmente e de forma geral, os espaços para trabalho profissional ou não-doméstico em casa devem ser razoavelmente separados dos restantes espaços da casa e estarem próximos do vestíbulo de entrada, tanto porque podem apoiar atividades que exigem algum sossego e isolamento (escrita, estudo e leitura) ou porque podem ser pouco compatíveis com a habitação (produzem ruídos e lixos), ou porque essas atividades podem incluir a receção de estranhos à família.
Naturalmente, existem espaços para trabalho profissional ou não-doméstico em casa que são compatíveis com as mais diversas atividades habitacionais, no entanto e de forma geral tanto estas atividades como as não-domésticas ganharão com a sua possível autonomização mútua.
Considera-se ainda que, numa situação “limite”, uma opção por uma habitação que integra um pequeno espaço de home-office pode inverte-se em situações em que a atividade profissional assume uma importância determinante, e que se ligam a interessantes formas específicas de habitar e de viver; caso em que teremos um espaço de trabalho profissional que integra uma zona, mais pequena, e eventualmente “informal”, onde se concentrem algumas atividades especificamente habitacionais.
Esta última opção poderá acontecer nas mais variadas situações razoavelmente correntes, mas pode também ligar-se a situações mais específicas referidas, por exemplo, ao habitar e trabalhar, integrados, de algumas pessoas idosas e/ou com deficiências físicas ou sensoriais, mas ainda profissionalmente ativas, e que transformem a sua habitação num espaço quase unificado em que vivem, descansam, convivem e trabalham, conjugando, por exemplo, um máximo de atividades num único grande espaço multifuncional – uma situação que muito ganhará com a possibilidade de se desenvolver um amplo espaço vivencial, muito agradável, funcional e que seja usável com autonomia relativamente a outras zonas domésticas.
Naturalmente, haverá, sempre, o exemplo, “clássico”, do profissional que integra o seu espaço de trabalho na sua habitação e que, nesse sentido, tentará, na medida do possível separar, ao máximo, as duas funções, para que qualquer delas possa ser desempenhada com a máxima autonomia e eficácia – e neste caso é clara a necessidade de uma acessibilidade o mais possível autónoma relativamente aos espaços comuns ou públicos e de um apoio o mais possível autónomo em termos de serviços sanitários.
Desde já se salienta que não parece ser fácil a integração de espaços profissionais em habitações rígida e sequencialmente hierarquizadas em zonas chamadas “funcionais”, de estar e de quartos, assim como não parece ser fácil a integração de espaços profissionais em habitações cujas dimensões estejam diretamente associadas a um reduzido leque de ocupações habitacionais próximas de áreas e dimensões consideradas mínimas.
E neste sentido podemos mesmo sublinhar a grande dificuldade de integração de uma zona de home-office numa pequena habitação em que se entra direta ou quase diretamente para uma pequena sala-comum e desta sala se passa para uma rígida zona de quartos; e sublinha-se o potencial de adaptabilidade e de apropriação e liberdade doméstica que se perde com tais opções.

1.2 Associações e hábitos interessantes

A associação mais corrente é assegurada entre zonas de trabalho e zonas de entrada na habitação, uma solução que proporciona o funcionamento praticamente independente da referida zona de trabalho, um funcionamento que se caracteriza por total autonomia caso esta zona tenha uma casa de banho privativa ou muito próxima.
As associações mais interessantes são feitas entre as zonas de trabalho e as zonas de estar, seja numa perspetiva de forte associação em continuidade espacial, seja numa associação que permita o funcionamento dos espaços de estar e de trabalho independentemente ou de forma unificada.
As zonas para trabalho não doméstico e para recreio podem ser muito variadas, apontando-se as seguintes:
·        Salas, saletas e quartos de trabalho e/ou de lazer e recreio.
·        Varandas e anexos (variados tipos de trabalhos manuais e oficinais).
·        Quintal ou pátio privado (especialmente para horticultura e floricultura).
·        Quartos de trabalho e escritórios, que são quartos específicos e relativamente especializados, ou, pelo menos, autonomizados nos seus acessos.
·        Pequenas zonas e/ou recantos para trabalhar.
·        Pequenas zonas e/ou recantos para ler, para ouvir música, para ver televisão.
·        Associação de conjuntos de pequenos espaços, como os que acabaram de ser referidos, em "suites", compostas por diversos desses espaços, além das zonas de dormir/repousar  e dos apoios em casas de banho.
Esta última solução pode estar muito ligada a casais e pessoas isoladas que queiram conciliar a convivência familiar com a manutenção e o desenvolvimento dos seus "universos pessoais" – uma possibilidade associada aos mais diversos grupos etários, embora com evidente aplicação no caso da habitação de pessoas idosas e de jovens adultos. No limite esta solução poderá dispor de acesso independente e mesmo de alguns apoios mínimos para preparação de refeições, numa solução que dá à habitação um enorme potencial de adaptabilidade e versatilidade. Naturalmente que esta solução deve ser adequadamente tratada em termos de privacidade visual e acústica relativamente ao resto da habitação, bem como da sua máxima autonomização em termos de acesso ao exterior da habitação.

1.3 Problemas correntes e questões levantadas (dimensionais e outras)

Os principais problemas referem-se, frequentemente, a intrusões mútuas, em termos de ruído e de privacidade, entre as zonas de estar e as zonas de trabalho em casa.
As questões levantadas com mais frequência terão a ver, como se referiu, com aspetos de isolamento ou separação relativamente aos ruídos domésticos e de privacidade relativamente às atividades que se desenrolam em casa; no entanto é fundamental a existência de condições adequadas ao desenrolar das várias atividades com destaque para os outros aspetos de conforto ambiental, e designadamente com aspetos de iluminação natural, ventilação e temperatura.
Os aspetos dimensionais parecem não levantar problemas críticos, acontecendo, frequentemente, que os espaços para trabalho profissional ou não-doméstico em casa decorrem em pequenos compartimentos, recantos e partes de compartimentos espacialmente reduzidas.
A título de exemplo significativo Alexander refere que um recanto para trabalho deve ter um mínimo de 6m2 de área e ser encerrado por paredes e janelas ao longo de 50% a 75% do seu perímetro; a posição ideal para trabalho deve permitir vistas para fora do recanto, frontais ou laterais - Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 744 a 747; e sublinha-se, aqui, a espaciosidade deste recanto de trabalho, numa perspetiva que se considera hoje em dia extremamente atual, tendo-se em conta a muito expressiva grande frequência da prática do trabalho profissional na habitação.

Fig. 02: espaços habitacionais diversificados e multifuncionais

2.    Espaços domésticos para a prática de passatempos

O que se referiu para os espaços de trabalho “em casa” aplica-se, em boa parte, aos espaços de lazer domésticos destinados à prática de um passatempo/hobby, até porque frequentemente serão ténues as fronteiras entre trabalho e lazer em casa, havendo, por exemplo, passatempos que sendo ações de lazer exigem verdadeiros espaços especializados e, frequentemente, oficinais, assim como passatempos que podem evoluir, com naturalidade, para atividades profissionais importantes.

2.1 Aspetos motivadores e problemas correntes

A possibilidade de se realizar um passatempo em plenitude – por exemplo, montar e pintar miniaturas –, a possibilidade de se usufruir plenamente de um dado equipamento de recreio doméstico – por exemplo usar uma consola de jogos – e, naturalmente, a possibilidade de nos podermos dedicar a uma atividade de lazer pessoal nas melhores condições possíveis – por exemplo ouvir música ou arrumar e usar uma biblioteca – são aspetos capazes, por si sós, de caracterizar um espaço doméstico como uma habitação bem próxima da habitação sonhada.
Neste assunto importa sublinhar que é possível assegurar um leque razoavelmente amplo de condições para o lazer e o recreio doméstico, considerando as ações mais frequentes e mais desejadas e, frequentemente, as respetivas exigências nem são muito especiais, delimitando-se por exemplo à previsão de uma zona mais recatada e razoavelmente autonomizada na zona de estar ou de um pequeno compartimento estrategicamente colocado na vizinhança de variados espaços domésticos e de uma casa de banho, e que assim poderá ter inúmeras utilizações.
Há ainda que referir que a atual sociedade aposta decididamente em muitos nichos de lazer doméstico, havendo uma constante evolução do leque de atividades possíveis, por exemplo, desde a cozinha gourmet, à micro-jardinagem e à ginástica em casa frente ao écran da televisão.
E é muito importante que os espaços domésticos acolham positivamente todas estas possibilidades pois conquistam-se, assim. Novas e estimulantes dimensões do habitar.
Salienta-se que, nesta matéria, os principais problemas estão ligados a um exercício de atividades de lazer e de passatempos que não colidam, criticamente, com outras atividades domésticas e não sofrendo más influências críticas destas mesmas atividades.

2.2 Aspetos específicos do recreio doméstico de crianças e idosos

O recreio e o trabalho de crianças estão associados a espaços com as seguintes características: desafogo espacial e dimensional, e atenção que espaços apertados além de pouco utilizáveis resultam em situações com muitas arestas perigosas; adaptabilidade para variados arranjos de mobiliário, que são necessários à medida do crescimento da criança; excelentes condições de conforto ambiental, através de espaços alegres, ventilados e cheios de Sol; estarem próximos das zonas mais usadas, mas não as prejudicando; poderem acontecer em integração com zonas de trabalho doméstico, propiciando-se a opção pela companhia mútua e pela ação conjunta, seja em termos de ações de recreio, seja por exemplo no apoio das crianças nos seus trabalhos escolares.
O trabalho e o recreio das crianças fazem-se nos seus quartos, em espaços livres de mobiliário, mas também nos espaços sociais da habitação, em companhia dos adultos (por exemplo, na cozinha e zonas de serviço, na sala, nos corredores, nas varandas e no quintal privado).
Segundo Claude Lamure -"Adaptation du Logement à la Vie Familiale", pp. 205 e 207 -, o recreio, jogos e trabalhos de crianças e adolescentes liga-se aos seguintes tipos de soluções, que “transbordam” claramente de soluções correntes mas sem grandes investimentos suplementares … : a existência de um espaço suplementar "de estar" dedicado a estes objetivos, que pode resultar, por exemplo, simplesmente, do alargamento de uma zona de circulação interior; o agrupamento de uma zona de jogos com uma de serviços domésticos, por exemplo na "lavandaria” ou numa cozinha grande e desafogada (com um mínimo de 12m²); e até a opção pelo desenvolvimento de uma zona de estar própria para crianças – uma solução naturalmente mais adequada a famílias com muitas crianças e que poderá harmonizar-se com a disponibilização de pequenos quartos individuais, desde que estes fiquem em forte integração com o referido espaço de estar; e, finalmente, a criação de uma "sala de família", ampla e multifuncional (zonas diferenciadas), que pode associar a preparação de refeições a um amplo leque de serviços domésticos, mais programados e mais livres.
Relativamente às zonas de recreio e trabalho de jovens estas podem desenvolver-se num amplo leque de posições – exemplo, quartos, salas, saletas, varandas, anexos e espaços exteriores privados –, sublinhando-se a necessidade específica de isolamento acústico melhorado e de um relacionamento privilegiado com as zonas de entrada na casa (por exemplo, em quartos mais independentes); a integração destas atividades nas zonas sociais da habitação é naturalmente favorável, mas associa-se a um seu dimensionamento expressivamente desafogado e a um seu equipamento adaptável e multifuncional.
Os passatempos e atividades oficinais e artesanais, exigem condições pouco compatíveis com habitações pequenas, situação que poderá resultar na previsão de espaços privativos fora da habitação e destinados a pequenas oficinas que poderão ser utilizadas, por exemplo, para a manutenção de bicicletas ou até, quem sabe, para a prática do artesanato.

Fig. 03: espaços habitacionais para trabalhos não domésticos e para passatempos

3 . Novidades, dúvidas, tendências (ex., trabalho em casa; idosos, etc.) e aspetos motivadores em espaços habitacionais para trabalhos não domésticos e para passatempos

A título de comentário quase final nesta matéria salientam-se as frequentes ténues e sensíveis fronteiras entre passatempos e trabalhos não domésticos, podendo os primeiros evoluir para os segundos, com frequentes ganhos dos respetivos agentes/habitantes; uma evolução que, tal como se referiu, é de grande interesse no enriquecimento dos quadros domésticos correntes e que se liga, frequentemente, à disponibilização de pequenos acréscimos dimensionais e espaciais estrategicamente disseminados na habitação, condições estas que, mais uma vez, sublinham  a importância de um adequado projeto de arquitetura.
Para concluir esta reflexão, sempre introdutória ao tema, apontam-se, em seguida, as características mais desejáveis nos espaços e compartimentos que servem para o trabalho não doméstico e para o recreio na habitação:
   .    Poderem receber peças de mobiliário muito diversificadas e associadas aos mais diversos tipos de atividades não domésticas; e de certa forma, e frequentemente, estes espaços serão aqueles aos quais se destinam muitas daquelas peças de mobiliário que vão sendo colocadas de lado pela família.
.      Pela sua própria natureza de espaços e recantos de trabalho, “de liberdade” e de identidade é importante que estes espaços e recantos domésticos aceitem bem condições de desarrumação sem prejudicarem os outros espaços habitacionais.
.     Considerando as habitações correntes, estes espaços e compartimentos devem ser basicamente multifuncionais, podendo ter diversos tipos de ocupação (por exemplo, escritório ou biblioteca com um sofá-cama de recurso, anexo da casa que para além de ser arrumação geral é também pequena oficina para passatempos e que pode ser também sítio de recurso para dormir).
.     Quando se trate de trabalhos que produzam ruído ou lixo, que utilizem materiais "sujos" ou até eventualmente tóxicos é importante que os respetivos espaços sejam fáceis de limpar, bem ventilados e separados do resto da habitação.
As áreas, o mobiliário e o equipamento exigidos pelo trabalho não doméstico e pelo recreio doméstico, tanto se distribuem por vários espaços da casa e especialmente pelas salas e quartos de dormir, como podem ser relativamente especializados e bastantes exigentes nas respetivas condições ambientais, como é o caso dos trabalhos de estudo e concentração e dos diversos trabalhos manuais interiores e exteriores.
É assim interessante refletir que o trabalho profissional e o recreio em casa podem ser fatores de excelente caracterização do ambiente doméstico, ao “diluírem” e disseminarem a sua presença um pouco por toda a habitação, ou ao marcarem, fortemente, uma parte da mesma, condição esta que também pode resultar numa atraente definição de um nível de leitura e de uso suplementar ou “paralelo” do espaço doméstico.
Nos tempos de hoje, quando num qualquer “canto” é “teoricamente” possível montar, num pequeno móvel, um pequeno escritório funcional e ligado ao mundo, e quando, cada vez mais, é de estimular a iniciativa e o dinamismo do empreendedorismo será estimulante um cuidado sistemático com a previsão de pequenos espaços domésticos realmente adequados ao trabalho e à concentração, isto além da sempre fundamental disponibilidade de um quarto com acesso e apoios independentes – um compartimento que pode aceitar um grande leque de usos.
Salienta-se, finalmente, que as zonas de trabalho não doméstico e para a prática de passatempos são frequentemente marcadas por uma forte apropriação seja em termos de ocupação por mobiliário, seja em termos de elementos funcionais e de arranjo interior, condição esta que, por um lado, deve levar à sua cuidadosa previsão, incentivando-se assim estas atividades e que, por outro lado, põe bem em relevo a grande importância deste tipo de previsão quando se visa uma expressiva apropriação do espaço doméstico pelos seus habitantes – condição esta que deveria ser exigência básica na conceção arquitetónica residencial.

Notas finais:
Lembra-se que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já divulgámos, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista - o Blogger.
Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 626
Espaços domésticos para trabalho profissional e passatempos
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, janeiro 01, 2018

Sobre a Infohabitar, o GHabitar e o CIHEL - Infohabitar 625

Infohabitar, Ano XIV, n.º 625

Sobre a Infohabitar, o GHabitar e o CIHEL


por António Baptista Coelho

No primeiro texto de 2018, no início do décimo quarto ano de edições semanais da nossa revista, renovam-se os desejos de um grande "18", com muita saúde, paz e força para avançar nos nossos objetivos pessoais e de grupo.

Infohabitar

A Infohabitar irá continuar a assegurar a edição de um artigo em cada semana, desejavelmente, e tal como tem acontecido desde setembro último, logo na segunda-feira, visando-se, desde já, a continuidade da temática relativa à série editorial intitulada “Habitar e Viver Melhor”, que conta já com mais de 100 textos e que se aproxima do seu final; neste sentido e na próxima semana será editado um artigo com significativa extensão e com o título “Espaços domésticos para trabalho profissional e passatempos”.


Fig. 01, cabeçalho da Infohabitar

É sempre altura, no início de um novo ano editorial, para se registar e agradecer o extenso grupo de autores da Infohabitar, em seguida referidos, e para se convidarem “velhos” e novos autores a contatarem a edição da revista no sentido da edição de novos artigos – ao cuidado do editor, para abc.infohabitar@gmail.com.

Listagem dos autores já editados na Infohabitar ( em ordem cronológica da respetiva edição):

Duarte Nuno Simões, Celeste d'Oliveira Ramos, Marilice Costi, Sheila Walbe Ornstein, José Walter Galvão, Maria João Eloy, António Reis Cabrita, Nuno Teotónio Pereira, Sara Eloy, António Baptista Coelho, Paulo Machado, João Carvalhosa, Guilherme Vilaverde, Maria Luiza Forneck, Khaled Ghoubar, José Coimbra, Pedro Baptista Coelho, Sidónio Simões, João Lutas Craveiro, José L. M. Dias, Marluci Menezes, Manuel Tereso, António Novais, Rita Abreu, Teresa Heitor, Ana Tomé, Fausto Simões, Carlos Pina dos Santos, Pedro Taborda, João Cantero, Maria Tavares, João Ferreira Bento, Alberto José de Sousa, Mariana Morgado Pedroso, Milton Botler, António Pedro Dores, Joana Mourão, Bruno Marques, Hélio Costa Lima, Teresa Marat Mendes, Sara Ribeiro, João da Veiga Gomes, João Manuel Mimoso, Lúcia Leitão, Samuel Gonçalves, Defensor de Castro, Décio Gonçalves, Isabel Plácido, Ana Pinho, Leça Coelho, João B. Pedro, Jorge Mangorrinha, Eduardo Ganilho, Paulo Tormenta Pinto, João Rainha Castro, Luís Morgado, António Carvalho, Wilson Zacarias, Margarida Rebelo, Carla Cachadinha, Célia Faria, Daniela Fernandes, Gustavo de Casimiro Silveirinha, Isabel Romana, José Forjaz, Celso Simões Bredariol, Anselmo Belém Machado, Luís António Machado da Silva, João Lutas Craveiro, Iva Miranda Pires, Isabel Duarte de Almeida, Arno Rieder; Pedro Almeida, Niara Clara Palma, Graziela Dal'Lago Hendges, Grace Tibério Cardoso, Francisco Vecchia, Salvador Claro Neto, Susana Mourão, Ubiratan de Souza, Coryntho Baldez, Silvia Mikami Pina, Raquel Paula Barros, Carlos Almeida Marques, Simone Barbosa Villa, Jordi Estivill Pascual, Marco Aresta, Giulia Scialpi, Ana Maria Martins, …


GHabitar


Fig. 02, logótipo da GHabitar


Lembra-se que a Infohabitar é uma revista que, desde sempre, está ligada ao GHabitar, anteriormente designado de Grupo Habitar, uma Associação Técnica e Científica sem fins lucrativos cuja criação antecedeu o lançamento da Infohabitar e que irá realizar as suas próximas eleições, muito provavelmente, em simultâneo com a respetiva Assembleia Geral anual, até ao dinal de março de 2018; e aproveitando a oportunidade divulga-se a atual composição dos Corpos Sociais da GHabitar.
Mesa da Assembleia Geral:
Presidente: Duarte Nuno Gomes Simões (Arq.)
Vice-Presidente: Hermano Vicente (Eng.)
Secretário: Orlando Manuel Ezequiel Vargas dos Santos (FENACHE)
Direcção:
Presidente: António Baptista Coelho (Arq.)
Vice-Presidente: Defensor de Castro (Eng.)
Secretário: José Clemente Ricon (Arq.)
Tesoureiro: Jorge Amável Quintela (Econ.)
Vogal: António Carlos Coelho (Arq.)
Vogal: António Reis Cabrita (Arq.)
Vogal: Manuel Correia Fernandes (Arq.)
Conselho Fiscal:
Presidente: Dâmaso Silva (Geól)
Vogal: João Lutas Craveiro(Sociol.)
Vogal: Paulo Tormenta Pinto(Arq.)


CIHEL

O GHabitar, para além de várias dezenas de outros eventos com menor dimensão esteve na origem e na estruturação de quatro congressos CIHELCongresso Internacional da Habitação no Espaço Lusófono, evento técnico-científico que sempre contou com o apoio do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e de um conjunto amplo de entidades com destaque (numa ordem cronológica aproximada, mas sublinhando que várias entidades apoiaram vários congressos) para: o ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa e o seu CIAAM, a Câmara Municipal de Lisboa, o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), a FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia, a Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE), o Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (CIAUD), o FUNDCIC, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL), O Laboratório de Engenharia de Angola (LEA), o CIALP, a Faculdade de Arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie (FAU-Mack), a Faculdade de Arquitetura e o Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP e IAU-USP), a FAPESP, a CAPES, o CNPq, a Mack Pesquisa, o LABHAB, a Câmara Municipal do Porto e a sua Domus Social, a Universidade da Beira Interior (UBI) e o NAUBI, a Câmara Municipal de Viseu, a Câmara Municipal do Fundão, as Aldeias Históricas de Portugal e as Aldeias de Xisto, o ISCSP, e a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto.

O 4.º CIHEL aconteceu há poucos meses, mas, como o tempo voa, iremos em breve iniciar os trabalhos preparatórios de reflexão sobre a continuidade do Congresso, contando com a contribuição direta do respetivo Secretariado Permanente.

E, já neste sentido, registam-se os links para os quatro Congressos CIHEL já realizados:

1.º CIHEL (Lisboa) - ISCTE-IUL


Fig. 03, logotipo do 1.º CIHEL

2.º CIHEL e 1.º CCRSEEL (Lisboa) - LNEC, FCT-UNL


Fig. 04, logotipo do 2.º CIHEL


3.º CIHEL (São Paulo) - FAU-Mack, FAU-USP, IAU-USP 


Fig. 05, logotipo do 3.º CIHEL



4.º CIHEL e 1.as Conferências CIHEL (Porto e Covilhã) - CM Porto e UBI

Semana CIHEL2017


Fig. 06, logotipo do 4.º CIHEL e 


Fig. 07, uma das ilustrações de divulgação do 4.º CIHEL


Numa perspectiva de desejada dinamização de todas estas iniciativas, que, naturalmente, dependerão do vosso interesse e da vossa participação activa, e lembrando que nos aproximamos  do milhão de consultas/page-views da nossa Infohabitar,

enviamos as melhores saudações,

António Baptista Coelho
Editor da Infohabitar

Notas finais:
Lembra-se que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já divulgámos, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista - o Blogger.
Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 625
Espaços domésticos para trabalho profissional e passatempos
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.