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segunda-feira, janeiro 15, 2018

Uma nova funcionalidade doméstica - Infohabitar n.º 627

Infohabitar, Ano XIV, n.º 627

Número total de visualizações de página da Infohabitar em 15 de Janeiro de 2018 às 9h,00 (de Portugal): 999,964

CAROS LEITORES, ESTÁ MESMO, MESMO A  SER  ULTRAPASSADA A “BARREIRA" DO MILHÃO DE VISUALIZAÇÕES EM 14 ANOS DE EDIÇÕES DA INFOHABITAR

Parabéns a todos os autores e leitores que editaram e leram os nossos artigos; e vamos tentar chegar aos dois milhões mais cedo (antes dos 28 anos de edições), e para isso precisamos de artigos e de divulgação – artigos que nos sejam enviados (para abc.infohabitar@gmail.com) e uma divulgação que cada um de vós possa fazer no vosso “círculo” profissional e pessoal de contactos.

PS: e acreditem que, há 14 anos atrás, começámos mesmo com o contador a "0"; foi difícil, mas agora dá bastante prazer.


Fig. 01: Embora se critique neste artigo o mau uso e a continuidade de um uso datado e inadequado do funcionalismo arquitectónico habitacional é urgente lembrar e divulgar os excelentes exemplos de um adequado funcionalismo urbano e arquitectónico dominantemente residencial, que seria bem importante resgatar, recuperando as suas imagens urbanas e divulgando as suas excelentes realizações - no esboço, uma vista do exemplar e actualmente tão pouco estimado Bairro de Olivais Norte em Lisboa, um verdadeiro caso de referência nacional e europeu que assim deveria/deverá ser tratado.


Edita-se o artigo da Série “Habitar e Viver Melhor” n.º CIV

Uma nova funcionalidade doméstica

por António Baptista Coelho

Uma nova funcionalidade doméstica - o tais, bem conhecidos, espaços funcionais domésticos, mas agora bem personalizados, diversos, agradáveis e envolventes


Uma nova e mais adequada funcionalidade doméstica
O que se procura apontar no texto que se segue é a possibilidade e a oportunidade de se seguirem outros caminhos na concepção dos espaços habitacionais privados que não sejam os que são, habitualmente, associados a aspectos específicos de funcionalidade e mesmo de alguma “maquinização” das actividades que marcam a nossa vivência doméstica.
Tais ideias referem-se, essencialmente, aos espaços de cozinha e de casa de banho, embora outros espaços e subespaços da casa também possam e devam ser reencarnados numa perspectiva que não lhes negue as suas exigências funcionais, mas que as recoloque, finalmente, sob a alçada de uma agradável e vital caracterização doméstica; acabando de vez com a ideia de “máquinas de habitar”, assim reconvertidas a máquinas habitáveis e “domesticadas”.
E de certa forma esta mesma perspectiva de recuperação do sentido doméstico, agradável, envolvente, sossegado/calmo, caloroso, agradavelmente expressivo e identitário do habitar e especificamente dos espaços da habitação, é um caminho que vai continuar a ser abordado em próximos textos, referidos aos desejáveis subespaços que têm de compor/integrar e vitalizar/caracterizar os espaços maiores da habitação; e neste sentido obrigando-os a determinadas condições de adaptabilidade e versatilidade no seu uso e na sua apropriação.
Neste sentido e desenvolvendo um exercício que será interessante e muito rico alargar a múltiplos espaços habitacionais, iremos, em seguida, reflectir um pouco nesta perspectiva, e especificamente sobre as duas sub-tipologias espaciais domésticas que estão mais ligadas a essa “tradição” funcionalista, designadamente, os espaços de cozinha e de casa de banho. Naturalmente que sabemos não se tratar apenas de uma “tradição” funcionalista, pois, evidentemente, tais espaços têm exigências funcionais específicas e rigorosas, no que se refere a aspectos de segurança no uso, higiene, facilidade de limpeza, manutenção e “cadeias” funcionais aconselháveis, mas parece ser tempo de salvaguardar tais exigências, mas, no mínimo, harmonizando-as tendo em conta alguma novidade e/ou redescoberta associadas a um expressivo e eventualmente dominante sentido de domesticidade, sendo tempo de reencarar tais espaços com essa abertura de espírito e considerando, mesmo, que estas novas ou renovadas opções possam ter, eventualmente, expressão directa na própria caracterização das respectivas habitações.
E neste sentido abordam-se, em seguida, os espaços de cozinha e de casa de banho, fazendo-se uma pequena nota final sobre os espaços/elementos de arrumação e outros espaços ditos “de serviço”.

Fig. 02: está na altura de olharmos as "velhas" tipologias de vizinhança próxima e de edifício e habitação, nas suas mútuas relações e agregações, com outros olhos, inspirando-nos nelas para se iventarem "novas" tipologias "pós-funcionalistas".

Novas e antigas cozinhas

O espaço de cozinha constitui, historicamente, o núcleo e o coração de actividade da habitação, pelo menos quando pensamos na habitação popular, aquela que sempre foi, naturalmente, dominante e onde não existia pessoal dedicado à preparação e ao servir das refeições, e um coração da vida doméstica onde a preparação, o servir e o tomar as refeições era natural motivo de convívio familiar; um convívio que se passava também antes e depois das refeições e ao longo do seu alongado processo de preparação e que tinha e tem naturais “prolongamentos”, designadamente, no acompanhamento do recreio e do trabalho de casa/estudo das crianças e em muitas outras tarefas da “lide” doméstica que, globalmente, aconteciam também na cozinha ou “grande cozinha familiar”.
No âmbito da promoção habitacional intensiva que marcou o Século XX e em certo período histórico marcado pelas essenciais preocupações higienistas, seguidas das suas sequenciais preocupações funcionalistas, e numa altura em que muitas famílias ainda tinham apoios domésticos diversificados, seja no âmbito da família alargada, seja por parte de pessoal de serviço doméstico (muitas vezes reduzido já ao mínimo), assistiu-se como que a uma especialização da cozinha, tendo ficado o tratamento de roupas um pouco “pendurado” (sem espaço ou com pouco espaço específico atribuído), isto porque a tendência de funcionalização e especialização não conseguia servir bem todas as tantas funções entretanto identificadas; e assim certas funções da antiga cozinha multifuncional e convivial foram sendo menorizadas e integradas em espaços por vezes exíguos e mal localizados (ex., em espaços claramente residuais), enquanto as importantes funções de convívio natural e de refeições informais foram estrategicamente esquecidas ou então ridiculamente concentradas em pequenas mesas escamoteáveis e tantas vezes muito mal localizadas.
E, naturalmente, a regulamentação oficial fez eco desta “evolução”, que foi, inicialmente, positiva no sentido de se regrarem situações sem higiene/segurança e sem qualquer sentido funcional, mas que foi negativa porque empobreceu clara e gradualmente, ao longo do Século XX, toda a concepção arquitectónica doméstica (incluindo-se aqui, incrivelmente, não só a designada “habitação social/mínima”, mas a quase totalidade da promoção habitacional, que assim foi “simplificada”), seja no sentido do que seria uma importante continuidade cultural, seja no sentido da adaptabilidade a tantos e variados modos de viver a habitação.
E lembremos que hoje em dia, então, é que não há “pessoal doméstico”, que fique como que confinado aos espaços de “serviço”, a não ser em casos de excepção, e, portanto, estas considerações têm todo o sentido, devendo influenciar ou uma relação forte entre cozinha e estar, eventualmente, gerando-se amplos espaços de convívio familiar do tipo “sala de família”, ou uma redescoberta da grande cozinha familiar, multifuncional e convivial, a qual acaba por poder libertar o espaço de sala para funções mais específicas e/ou mais reservadas. E, já agora, lembremos as designações tantas vezes usadas para as cozinhas domésticas: espaços de serviço, zonas de água, zonas húmidas, etc – e vá lá que regulamentarmente elas sempre contaram como “área habitável” (a mais “valiosa” em termos regulamentares).  
 

Novas casas de banho

Quanto às “casas de banho” importa sublinhar a possibilidade de desenvolvimento da “figura” do espaço de banho com um sentido caracterizador e caracterizado por determinadas formas de viver a habitação. Situação que poderá ligar-se ao desenvolvimento de associações entre espaços de banho e outros espaços de estar, dormir e lazer com forte carácter identitário e relativamente privativo, embora espacialmente pouco controlado em termos dimensionais. O exemplo de um tal espaço é o sítio de banho de uma das casas do Arq.º Charles Moore, que se integra num espaço de estar e assume mesmo uma posição destacada neste espaço.
O sentido desta solução liga-se à recuperação de formas de banho tradicionais/antigas, que se associavam com flexibilidade aos diversos espaços da habitação, assumindo-se o banho como acto de prazer, além de função higiénica, acto esse expressivamente ambulatório, pois podia acontecer tanto junto a uma lareira, como numa grande cozinha multifuncional, neste caso por razões práticas de proximidade com a fonte de água quente.
De certa forma esta matéria de uma desejável recuperação do sentido amplo, de lazer e de prazer, do banho doméstico liga-se por um lado, ao interesse da separação entre funções higiénicas e de satisfação de necessidades básicas e o acto do banho, designadamente do banho de imersão, como função que tem também evidentes vantagens em termos da saúde, a tal “saúde pela água” (SPA), actualmente tão divulgada em equipamentos de turismo, mas que evidentemente deveria ter o seu papel garantido na habitação corrente.
Tudo isto tem também a ver com uma urgente opção de dignificação da “casa de banho” doméstica, resgatada da sua designação de “instalação/instalações sanitária/s” e que pode/deve assim deixar de ser relegada para os espaços interiores sobrantes das soluções habitacionais, ganhando direitos “de janela”, de desafogo espacial e de dignidade, identidade e até uma importante afectuosidade de acabamentos; em vez da fria disponibilização de um pequeno “mausoléu” de concentração de canalizações, serviços higiénicos e, por outro lado, luxos incoerentes em termos de “equipamentos sanitários” e de revestimentos até absurdamente impermeáveis).
E será sempre interessante reconsiderar a opção por um banho que possa ir mudando de sítio, conforme desejos e aspectos práticos (o caso do banho dos bebés é um bom exemplo deste tipo de banho), ou pela consideração do banho de imersão como elemento “central” de uma dada organização de um dado espaço doméstico estruturador da respectiva habitação – o que acontece no referido exemplo da casa de Charles Moore.
Importa ainda ter em conta que uma casa de banho pode e deve proporcionar uma expressiva apropriação em termos de arranjo geral, podendo constitui-se como extensão de um mundo muito pessoal, por exemplo, pela profusão de plantas tropicais e pela introdução de peças de mobiliário e de equipamento sanitário especiais, como é o caso de algum mobiliário especial e de uma velha banheira. De certo modo o que aqui se pode reforçar é o sentido de “casa de banho” personalizada e confortável, sendo para tal essencial a existência de boas condições de luz  e ventilação naturais.
E não tenhamos dúvidas que nada disto é compatível com espaços de “casa de banho” (realmente de “instalações sanitárias”) mínimos e interiores (tantas vezes encaixando mal até uma exígua banheira).


Fig. 03: a habitação ganha em carácter/identidade e verdadeiras funcionalidades com variadas e estimulantes misturas de usos e apropriações, que, no entanto, exigem um natural suporte dimensional e de estruturação doméstica.


Espaços/elementos de arrumação: breves notas

Sobre uma nova forma de encarar os espaços e elementos/equipamentos destinados à arrumação doméstica, apenas se lembra que é vital para um bom uso da habitação que ela integre uma adequada capacidade de arrumação (capacidade para mobilar, armários embutidos e compartimentos específicos), e que é possível estruturar a habitação com uma tal capacidade, deixando-a camuflada ou até parcial e estrategicamente visível, mas sempre bem “subjugada” na sua aparência e modo de usar a um ambiente expressivamente doméstico; não faz sentido é esquecer tais necessidades e/ou tratá-las sem sensibilidade de concepção, “colando”, posteriormente, “arrumos” a espaços anteriormente pormenorizados sem se considerar tal necessidade. 

Outros espaços “de serviço”: breves notas

Numa perspectiva de sensível “domesticação” da “velha” funcionalidade doméstica e visando-se uma promoção habitacional económica, não fará, talvez, muito sentido avançar com outras exigências funcionais muito desenvolvidas, podendo ser, eventualmente, preferível a junção dessas funcionalidades em diversos espaços domésticos, que para tal sejam suplementarmente dimensionados e proporcionando-se, assim, uma expressiva multifuncionalidade em diversos subespaços da habitação; e apenas a título de exemplo podemos imaginar a integração de máquinas de tratamento de roupa em casas de banho espaçosas, o desenvolvimento de uma varanda fechada que possa ser usada, em parte, para estender a roupa  e, em parte, como pequena zona de estar, a existência de espaço suplementar na cozinha para se poder passar a ferro e a existência de largos corredores de circulação, arrumação e estar especializado (ex., para leitura e estudo).

Como comentário a estas reflexões e na sua sequência, parece ser adequado apontar a oportunidade de se ir no sentido de se reequacionar a globalidade das “ditas” e bem conhecidas funcionalidades domésticas; e um pouco nesta perspectiva  em próximos artigos desta série iremos abordar a riquíssima matéria dos subespaços domésticos.

Notas finais:
Lembra-se que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já divulgámos, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista - o Blogger.
Finalmente salienta-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.


Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIV, n.º 627
Uma nova funcionalidade doméstica

Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Melhor Habitação com melhor Arquitectura VI: a Funcionalidade Residencial - Infohabitar 318

Infohabitar, Ano VI, n.º 318 Nota de divulgação

Novos comentários sobre a qualidade arquitectónica residencial
Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VI:
a Funcionalidade Arquitectónica Residencial
Artigo de António Baptista Coelho

Nota prévia: retomando uma edição cujo último “capítulo”, sobre a capacidade arquitectónica residencial, foi editado com o n.º 316 deste Infohabitar, há duas semanas, publicam-se agora algumas reflexões sobre a matéria da funcionalidade arquitectónica residencial.

Introdução geral Nas páginas seguintes apontam-se alguns aspectos que têm sido constante e sistematicamente ponderados, na sequência da aplicação dos conceitos ligados aos diversos rumos de qualidade arquitectónica residencial. Não se trata, assim, da sua respectiva e clarificada estruturação, mas apenas da sua ponderação cuidada, considerando os anos de prática de análise, que já decorreram desde a sua formulação inicial.

É sempre possível entrar no Infohabitar e aceder, de imediato, ao respectivo catálogo interactivo, onde uma das categorias agrupa todos os artigos dedicados à temática da Melhor Habitação com Melhor Arquitectura (no total serão 17 ou 18, sendo 15 sobre qualidades, um de introdução, um de conclusão genérica e outro de conclusão sintetizada e de temas de continuidade).
Regista-se, em seguida, o plano editorial previsto no Infohabitar, que, repete-se, será, descontínuo, alternado por outras edições e realizado à medida da elaboração dos respectivos artigos (a bold os temas já editados):

Infohabitar n.º 290 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura I: Introdução A matéria da relação e do contacto entre espaços e ambientes é tratada em termos de aspectos de:

Infohabitar n.º 291 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura II: Acessibilidade - facilidade na aproximação ou no trato e desenvolvimento de continuidades naturais por prolongamentos e múltiplas ligações.

Infohabitar n.º 295 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura III: Comunicabilidade - a qualidade daquilo que está ligado ou que tem correspondência ou contacto físico ou visual.

A matéria da caracterização adequação de espaços e ambientes é tratada em termos de aspectos de:

Infohabitar n.º 297 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura IV: Espaciosidade – referida, tanto aos espaços que são extensos e amplos como aos que apresentam desafogo nas suas envolventes.

Infohabitar n.º 316 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura V: Capacidade – que designa e qualifica o âmbito interior (dentro dos limites) ou a aptidão geral, espacial e ambiental, de qualquer elemento residencial.

Infohabitar n.º 318 - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VI: Funcionalidade – referida ao adequado desempenho das várias funções e actividades residenciais.

A matéria do conforto espacial e ambiental é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VII: Agradabilidade – referida ao desenvolvimento de condições de conforto, bem-estar e comodidade, nos espaços e ambientes residenciais.

Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura VIII: Durabilidade – qualidade do que dura muito ou, melhor, do que pode durar muito e em excelentes condições de manutenção.

Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura IX: Segurança – o acto ou efeito de tornar seguro, prevenir perigos, (tranquilizar).

A matéria da interacção social e da expressão individual é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura X: Convivialidade – referida ao viver em comum, ao ter familiaridade e camaradagem, à entreajuda natural ou sociabilidade entre vizinhos.

Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XI: Privacidade – referida à intimidade e capacidade de privança oferecida por um dado espaço num dado ambiente.

A matéria da participação, identificação e regulação é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XII: Adaptabilidade – referida à versatilidade e ao que se pode acomodar e consequentemente apropriar.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XIII: Apropriação – referida à capacidade de identificação, à acção de "tomar de propriedade", tornando próprio e a si adaptado.

A matéria do “aspecto” e da coerência espacial e ambiental é tratada em termos de aspectos de:
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XIV: Atractividade - a capacidade de dinamizar e polarizar a atenção.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XV: Domesticidade – referida à expressão mais pública ou doméstica do carácter residencial.
Infohabitar n.º xxx - Melhor Habitação com Melhor Arquitectura XVI: Integração – que é a integração ou integridade de um contexto, e de uma totalidade onde não falta nem um elemento de conteúdo e de relação.




Fig. 01: capa da edição do LNEC " Qualidade Arquitectónica Residencial - Rumos e factores de análise" - ITA 8, da Livraria do LNEC, referindo-se, em seguida, o respectivo link para a Livraria do LNEC
http://livraria.lnec.pt/php/livro_ficha.php?cod_edicao=52319.php

Salienta-se ser possível aprofundar estas matérias num estudo editado pelo LNEC que contém um desenvolvimento sistemático dos rumos e factores gerais de análise da qualidade arquitectónica residencial, que se devem constituir em objectivos de programa e que correspondem à definição de características funcionais, ambientais, sociais e de aspecto geral a satisfazer para que se atinja um elevado nível de qualidade nos espaços exteriores e interiores do habitat humano.


Sublinha-se, no entanto, que a abordagem que se faz, em seguida, às matérias da espaciosidade, enquanto qualidade arquitectónica residencial, corresponde ao revisitar do tema, passados cerca de 15 anos do seu primeiro desenvolvimento, e numa perspectiva autónoma e diversificada relativamente a essa primeira abordagem.






Fig. 02

Apresentação: a Funcionalidade Arquitectónica Residencial
A funcionalidade arquitectónica residencial refere-se à previsão e à promoção de um desempenho operacional ou eficaz das funções e actividades residenciais num dado espaço habitado e considerando, habitualmente, uma perspectiva orgânica de articulação entre zonas e actividades diversificadas.

A funcionalidade arquitectónica residencial tem assim uma relação directa com a eficiência proporcionada ou directamente apoiada por determinados espaços e elementos do habitar mais ligados a aspectos funcionais, sendo que não podemos esquecer que o habitar não é uma fábrica, que a habitação não deve ser considerada, pelo menos directamente, como um produto, e que, portanto, a funcionalidade exterior e interior do habitar se deve cisrcunscrever a aspectos específicos de desempenho dos diversos espaços e elementos, aspectos que facilitem as tarefas mais custosas do habitar e aquelas mais "maquinais" e objectivamente previsíveis (exemplo: a circulação e o estacionamento de veículos motorizados a velocidades baixas e com um máximo de relação com a movimentação pedonal).

Nestas matérias a funcionalidade arquitectónica residencial tem de serr assumida como globalmente subjugada à adequada caracterização residencial destes espaços e a conteúdos urbanos que sejam, naturalmente, marcados por relações orgânicas e por condições multifuncionais; portanto numa clara rejeição de estruturas rígida e monotonamente organizadas em termos de relações unívocas e sempre repetidas, pois tanto as vizinhanças residenciais mais estimulantes, como a cidade viva onde estas se integram, não tem essas característica de rigidês funcional.

Conjuntamente com a espaciosidade e a capacidade, a funcionalidade é responsável pela caracterização e adequação de espaços e ambientes do habitar, sendo que a funcionalidade tem a ver, essencialmente, com a garantia do sentido orgânico e a eficácia das acções exercidas nos espaços residenciais e urbanos e das suas relações com outros elementos e níveis do habitar, enquanto que, como se viu, a espaciosidade se liga aos variados desenvolvimentos físicos dos espaços do habitar e à sua configuração global específica, e a capacidade qualifica as diversas extensões do habitar com determinadas bases de uso e de apoio ao uso (por exemplo, arrumação); numa perspectiva que pode fazer lembrar uma estratégia de back-office, mas que abrange, também, um adequado perfil de felixibilidade nos usos.




Fig. 03

1. Reflexão geral sobre a funcionalidade arquitectónica residencial Como já se sublinhou, a última das qualidades do grupo da adequação de espaços e ambientes do habitar é a “velha” funcionalidade, quase sempre presente em inúmeras memórias descritivas de projectos de Arquitectura.

E salienta-se que se considera não ser, evidentemente, discutível a importância da adequação funcional em qualquer dos níveis físicos do habitat humano, mas já é muito desejavelmente ponderável o equilíbrio entre a eficácia funcional da “máquina de habitar” e vários outros rumos qualitativos, designadamente, ligados aos valores da socialização, da radicação sociocultural, e da humanização – em termos de escala e de relações afectivas e de identificação.

E hoje em dia é urgente redescobrir e revalorizar tais valores, assim como isolar e ponderar as novas funcionalidades urbanas e domésticas, articulando, mutuamente, esses velhos e reinterpretados valores e essas novas exigências funcionais - por exemplo: a forma como usamos, actualmente, o automóvel relativamente às nossas habitações; a forma como usamos, actualmente, os espaços públicos; os modos como usamos, actualmente, as nossas habitações.

E não tenhamos dúvidas de que usamos todos estes níveis e micro-níveis físicos do habitar de forma bastante distinta daquela que marcou tantos manuais de funcionalidade do habitar; e, aliás, mesmo quando tais manuais foram elaborados as cadeiras e os sofás de uma habitação já só por acaso se dispunham, por exemplo, rigidamente de forma simétrica e/ou ortogonal entre si e relativamente às paredes contíguas.

A funcionalidade refere-se ao adequado desempenho das várias funções e actividades residenciais, organizadas num conjunto coerente e eficiente. É uma velha, muito apreciada e muito discutida qualidade arquitectónica, que foi responsável pela estruturação de um movimento estético que influenciou o século XX.

Colando-se à sempre desejável racionalização construtiva ela teve tanto óptimos, como péssimos exemplos em termos de uma aplicação ao nível urbano e edificado, no entanto, ao nível doméstico trouxe ensinamentos de grande validade e cuja aplicação ainda hoje procuramos desenvolver e rentabilizar ao nível da pormenorização.

2. Aspectos estruturadores da funcionalidade Alguns aspectos ou temas teórico-práticos podem ser considerados como globalmente estruturadores da funcionalidade arquitectónica no habitar, salientando-se, desde já, os seguintes:

. desenvolver uma base geométrica e orgânica sobre a qual se organizam os elementos responsáveis pela funcionalidade residencial arquitectónica;
. assegurar uma unidade diversificada desses elementos;
. desenvolver uma legibilidade funcional equilibrada que não arrisque um sentido residencial básico, mas que assegure boas bases de acção aos dispositivos residenciais correntes e um máximo de eficácia, designadamente, nas funções urbanas potencialmente mais maquinais e e nas lides domésticas obrigatórias (exemplo: limpeza, arrumação, preparação de refeições, tratamento da roupa, etc.);
. e assegurar uma relação múltipla com o amplo leque de potenciais utentes, respectivas ergonomias e variadas formas de uso dos espaços e elementos.

Ainda numa perspectiva estrutural ou organizacional, podemos apontar que a funcionalidade arquitectónica no habitar tem diversas nuances ou mesmo dimensões consoante o nível físico de aplicação:

Ao nível urbano traduz-se, habitualmente, por uma estrutura legível: funcional, una e agradavelmente diversificada.

Ao nível do edifício liga-se, frequentemente, a uma organização dos conjuntos de elementos e fluidos que entram e saem através de dispositivos

Ao nível da habitação refere-se, quase sempre, ao suporte espacial de dispositivos funcionais, considerando-se, designadamente os seguintes aspectos específicos:
. conexões e compatibilidades;
. decomposição e recomposição;
. sínteses em domínios de funcionalidade;
. melhoria das tarefas urbanas e domésticas mais custosas;
. redução de percursos obrigatórios;
. dinamização da mecanização possível;
. e relações diferenciadas entre dispositivos mais maquinais e compartimentos ou espaços, considerando aspectos básicos de boa integração urbana e residencial.




Fig. 04

3. A funcionalidade, da habitação, à vizinhança e ao bairro A funcionalidade arquitectónica e residencial é uma matéria que abarca o habitar de uma ponta à outra, estrutura a cidade em termos de tráfegos e outros fluxos, abastece e proporciona a boa vivência das vizinhanças e caracteriza o conteúdo das habitações, proporcionando-nos um dia-a-dia mais simplificado no que se refere a tarefas obrigatórias.

Globalmente a funcionalidade arquitectónica e residencial associa-se aos diversos níveis do habitar em termos de dispositivos específicos, ou caracteriza-os em termos de uma funcionalidade passiva e adaptável. Mas em qualquer uma destas opções, e especialmente na primeira, deve as valências funcionais devem embeber-se com grande naturalidade em quadros residenciais agradavelmente caracterizados, caso contrário teremos ambientes sem humanidade e "frios".
Para já ficaremos por esta reflexão, mas importa aprofundar a ideia de que no habitar estamos ainda muito pouco avançados num sentido de apoio a um bem-estar amplo e denso, público e apropriado, que se reflicta quer nas nossas relações com a cidade, estimulando-as de uma forma muito sensível, quer na nossa vivência de vizinhanças que sejam verdadeiramente extensões da habitação sobre a cidade, nível ainda bem longe de poder ser considerado regra, quer, ainda naturalmente, num aprofundar de um espaço de habitação que seja a nossa verdadeira "casca de caracol" e não um cenário quase casual, temporário e impessoal.

4. Estratégias de funcionalidade A funcionalidade arquitectónica e residencial é, basicamente, um conceito orgânico que, aplicado ao habitat, visa o desenvolvimento da sua operacionalidade, mas em função da satisfação dos homens seus utentes, e tanto na totalidade da área residencial, como em cada um dos seus níveis físicos (Vizinhança Alargada e Próxima, Edifício, Habitação e Espaços/compartimentos).

"O funcionalismo arquitectónico consiste em envolver por construções um conjunto de funções ...próprias de um dado programa, num sítio específico" (1).
No exterior residencial, hoje em dia, devemos deixar de nos preocupar tanto com os veículos e voltar "a formas de habitat menos consumidoras de espaço, a afectações multifuncionais de bairros, que reduzem significativamente a duração média das migrações pendulares" (2), enquanto no interior dos edifícios devemos procurar apurar os espaços mais especializados que serão atribuídos às funções habitacionais mais exigentes, quanto à dureza e duração das respectivas tarefas, e desenvolver, muito cuidadosamente, características de polivalência noutros espaços; caminho certo de adequação a uma grande diversidade de modos de vida.




Fig. 05

5. A funcionalidade arquitectónica residencial ao nível urbano: perspectivas a considerar Hoje em dia a funcionalidade arquitectónica residencial ao nível urbano que há em poucos anos era marcada pelo primado do automóvel, passou a considerar a movimentação pedonal e os chamados modos suaves de movimentação; um novo quadro que resulta do intensificar das preocupações ambientais, mas que se saúda pelo avolumar do fundamental protagonismo da pessoa a pé, que traz a habitação para a vizinhança e que, daí, até pode e deve aceder à cidade mais viva através de transportes colectivos funcionais e confortáveis.

Nesta perspectiva há que sublinhar, ainda, a importância que tem a possibilidade de fruição da vizinhança citadina por crianças e idosos, condição naturalmente exigente, mas capaz de garantir um directo acréscimo do uso pedonal no exterior residencial; e condição que, naturalmente, vitaliza mais esse exterior e torna-o mais apetecível para ser usado por outros habitantes peões.
Mas há que assegurar aspectos funcionais já aqui referidos, com destaque para o estacionamento dos veículos dos residentes e para o equipamento colectivo das vizinhanças e da cidade que estas integram. E importa aprofundar estas matérias posteriormente.

6. A funcionalidade nos espaços públicos versus a funcionalidade nos espaços edificados; ou a funcionalidade entre o exterior e o interior urbano A funcionalidade cruza espaço urbano, vizinhança de proximidade, edifício e espaço doméstico.

Mas há que, em cada um destes níveis, considerar quais são as exigências funcionais hoje em dia e localmente determinantes de uma melhor qualidade vivencial e residencial, até porque uma previsão menos sensível e informada de funcionalidade será, frequentemente, responsável por insatisfação e eventualmente, até, por insegurança.

A funcionalidade nos espaços públicos Os eventuais problemas com funcionalidades mal escolhidas localizam-se, essencialmente, em espaços públicos e, designadamente, em vizinhanças residenciais. Automóvel ou peão? Unicidades ou misturas funcionais (em VA, VP e Ed)? Acessibilidades francas ou sossego e humanização ambiental? Todas estas questões têm solução com projectos coerentes e bem pormenorizados, mas, infelizmente, estes continuam a ser excepção. Há, assim, opções básicas que são mais do que simples opções funcionais.

A funcionalidade na VP e na relação VP/Ed A funcionalidade na vizinhança da habitação pode ser muito rica, desde a disponibilização de verdadeiros prolongamentos ajardinados das nossas habitações, à previsão de pequenos recintos de recreio juvenil em grande segurança, até ao sempre apetecível recanto num café; para não falar de se poder levar o veículo até praticamente a porta do edifício, mas sem arriscar a segurança pedonal.

A funcionalidade nos espaços edificados Ao nível do edifício esta problemática é muito mais pacífica, mas ainda assim continua a haver bastantes confusões sobre como (há que) conjugar aspectos mais directamente funcionais (ex. tipos e características de acessos comuns) com outros que sendo indirectamente funcionais têm importantes reflexos qualitativos na apropriação e na satisfação dos habitantes (ex. luz natural, sub-zonas funcionais, etc.).

A funcionalidade doméstica
O que se passa ao nível do edifício tem expressão acrescida no mundo doméstico. No interior da habitação não há dúvidas sobre a importância de uma bancada de cozinha alongada e em “L”, mas estas são raras. E não há dúvidas na estruturação de zonas funcionais, mas nem estas devem ter um carácter rígido, nem as funções desejadas e os modos de uso das casas têm um único padrão, nem as famílias são rigidamente padronizáveis, tanto mais considerando a sua actual evolução (....). Outro aspecto actualmente muito mais determinante do que aparenta e ainda muito pouco traduzido em termos doméstico-funcionais tem a ver com as novas funções das casas (sítios de trabalho; sítios de estudo; sítios de formação ao longo da vida; sítios de lazer alargado e múltiplo). De certa forma há aqui um forte “piscar de olhos” a outras opções funcionais com natureza múltipla e/ou com bases numa possível neutralidade espacial básica e servida por instalações. Mas será “só” isto?




Fig. 06

7. Carácter e importância da funcionalidade A funcionalidade é, naturalmente, uma qualidade objectiva e de primeira linha, mas que deve ser matizada por outras preocupações que irão influenciar, claramente, as formas e as tendências da sua concretização, designadamente, ao nível urbano de forma geral e, mais particularizadamente nos espaços edificados.

Ligando-se a esta preocupação há, assim, que rever cuidadosamente uma estratégia de funcionalização que tem sido usada, frequentemente, como alibi para implementação de condições mínimas de habitabilidade, designadamente, ao nível dos espaços edificados.
Adequadas circunstâncias funcionais devem ser veículos de articulação entre múltiplas actividades e não espartilhos associados a previsões unifuncionais em espaços por vezes exíguos.

8. Notas de reflexão e para desenvolvimento sobre a funcionalidade arquitectónica residencial Em termos de reflexão geral apuram-se, para já, os seguintes aspectos.

A funcionalidade arquitectónica residencial é uma matéria a rever, a redescobrir, a aprofundar e a desenvolver, porque a funcionalidade do habitar doméstico e urbano de hoje é razoavelmente diferente da que nos ensinaram nas "cartilhas" funcionalistas, porque mesmo estas "cartilhas" não terão sido frequentemente aplicadas de uma forma consistente e integrada, porque é necessário mitigar fortemente os aspectos funcionais quando concebemos adequadas condições habitacionais e urbanas, pois há nestas matérias muito mais para além das funções, e porque ...
Em termos dos desenvolvimentos considerados mais interessantes nestas matérias da funcionalidade urbana e residencial apontam-se, em seguida, algumas matérias, consideradas oportunas.
A funcionalidade arquitectónica residencial que se pode designar como "corrente" tem sido abordada sistematicamente mas direccionada fundamentalmente para aspectos do interior doméstico, havendo ainda, julga-se, trabalho a fazer em termos da funcionalidade nas vizinhanças e numa cidade que se deseja mais habitada.
No que se refere à funcionalidade arquitectónica residencial doméstica há, actualmente, importantes inovações e novidades, ou novas realidades, que importa aprofundar, considerando-se, designadamente, tanto os aspectos associados ao uso "universal" da habitação, essencialmente, numa perspectiva de apoio a habitantes cada vez mais envelhecidos, como os aspectos associados ao considerar, cada vez mais, a habitação como um sítio de trabalho, ou até como vários sítios de trabalho não doméstico; e não se duvide que estas considerações podem ter grande influência no re-equacionar da funcionalidade doméstica tal como tem vindo a ser enecarada desde os meados dos anos sessenta do século passado.
E podemos e devemos ter em conta, ainda, os aspectos de funcionalidade doméstica associada a modos de viver específicos, por exemplo, de minorias étnicas.
Quanto às funcionalidades exteriores residenciais, residenciais e citadinas e rsidenciais e peri-urbanas ou semi-rurais, há todo um trabalho a fazer no elencar de aspectos de uma funcionalidade que já não é aquela muito ligada a um urbanismo estruturado pelo automóvel privado; matéria esta que exige um aprofundamento urgente e cuidadoso.
Notas:
(1)Claire e Michel Duplay, "Méthode Illustrée de Création Architecturale", p. 190.
(2)Claire e Michel Duplay, "Méthode Illustrée de Création Architecturale", p. 191.

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Editor: António Baptista Coelho
Edição de José Baptista Coelho
Lisboa, Encarnação - Olivais Norte
Infohabitar n.º 318, 01 de Novembro de 2010