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segunda-feira, novembro 27, 2017

Espaços comuns no edifício multifamiliar - Infohabitar 620

Infohabitar, Ano XIII, n.º 620

Espaços comuns no edifício multifamiliar: novo artigo e links para outros 4 artigos sobre o tema

por António Baptista Coelho

Caros leitores, nesta edição da Infohabitar, depois de uma pequena introdução encontrarão um novo artigo sobre a  temática dos espaços comuns em edifícios multifamiliares e links para outros quatro artigos sobre o mesmo tema. 

Fig-01: ao fundo edifício em Olivais Norte, Lisboa, projecto de Artur Pires Martins e Cândido Palma de Melo; um caso de referência na Arquitectura residencial portuguesa e um exemplo de protagonismo arquitectónio dos espaços comuns do edifício - neste caso galarias exteriores e torres verticais de acessos.

No início de setembro de 2017 a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira. Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar editou artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos artigos de reflexão e comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido apresentam-se, em seguida, os títulos interactivos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas dos espaços comuns em edifícios multifamiliares, e junta-se um novo artigo com reflexões sobre estas matérias. Em próximos artigos iremos continuar a disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados.
Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos totalmente alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os quatro (4) artigos disponibilizados sobre a temática dos “Espaços comuns no edifício multifamiliar” (basta clicar sobre cada um para aceder ao respectivo texto):

- Espaços comuns habitacionais conviviais (e associativos)

- Inovação nos espaços comuns habitacionais (I)

- (Urgente) inovação nos espaços comuns habitacionais (II)

- Garagens comuns habitacionais


Inovar nos espaços comuns dos edifícios multifamiliares

(novo artigo)

As temáticas associadas e associáveis à matéria geral da habitação e, designadamente, ligadas à matéria específica dos “espaços comuns nos edifícios multifamiliares” são extremamente amplas e tão sensíveis como significantes; portanto, não queremos correr o risco de dar a ideia de as irmos tratar, aqui, de forma exaustiva, iremos sim abordar, a propósito, alguns tópicos considerados talvez mais relevantes e/ou oportunos, hoje em dia, e deixar algumas reflexões e ideias como pistas para posteriores incursões teórico-práticas.

Algo de essencial quando se aborda a natureza e o potencial funcional e vivencial dos espaços comuns em multifamiliares, e talvez matéria bastante esquecida ou nem sequer reconhecida, tem a ver com o papel tão diversificado como protagonista destes espaços – entradas interiores, exteriores e de transição interior/exterior, galerias interiores e exteriores, corredores, patins, etc. – na “construção” da tipologia do edifício multifamiliar e na sua específica caracterização.

E esta matéria por si só levar-nos-ia bem longe, designadamente, quando se considera ser mais do que a altura para desenvolvermos uma tão afirmada como “revolucionária” (re)invenção tipológica no multifamiliar, largando de vez a “ditadura” funcionalista que nos apresentou, praticamente, um muito reduzido leque tipológico (ex., esquerdo/direito, distribuição por galerias interiores ou exteriores e pouco mais, como bem sabemos) e avançando, decididamente numa ampla diversificação tipológica directamente associada a várias vertentes “modificadoras”, ligadas a uma ampla diversidade projectual de soluções:

- de acesso comum;

- de acesso privado;

- mistas, com acessos comuns e privados;

- do tipo esquerdo/direito (essencialmente, através de alterações dimensionais e de configuração geral);

- de acessos por galerias exteriores e/ou exteriores;

- de acessos mistos, do tipo esquerdo/direito e por galerias exteriores e/ou exteriores;

- que integram edifícios de transição entre o uni e o multifamiliar;

- que integram e articulam edifícios multifamiliares e edifícios de transição entre o uni e o multifamiliar;

- que integram conjuntos específicos de habitações (ex., pequenos apartamentos T0 e T1);

- que integram conjuntos relativamente diversificados de tipos de habitações;

- que integram diversos espaços de actividades comuns;

- que integram diversos equipamentos colectivos que servem os habitantes dos respectivos edifícios e outros da respectiva vizinhança;

- que integram conjuntos habitacionais e urbanos com expressiva presença ao nível da(s) respectivas vizinhança(s) próxima(s).

Não tenhamos dúvidas de que, se quisermos avançar numa concepção dos espaços comuns do edifício que seja devidamente adequada a cada uma destas tipologias de soluções e a agregações, cuidadosamente diversificadas, de algumas destas tipologias, esses espaços comuns devem reflectir o melhor possível a respectiva natureza da intervenção em termos espaço-funcionais e de adequada caracterização arquitectónica, incluindo aspectos de arquitectura e imagem urbanas; e sendo o trabalho tão cuidadoso como criativo os resultados serão, sem dúvida, frequentemente, tão inovadores como extremamente estimulantes para quem habitar tais soluções.

Fig-02: ao fundo edifício em Olivais Norte, Lisboa, projecto de Artur Pires Martins e Cândido Palma de Melo; um caso de referência na Arquitectura residencial portuguesa e um exemplo de protagonismo arquitectónio dos espaços comuns do edifício - neste caso galarias exteriores e torres verticais de acessos.

E podemos, ainda, avançar que nos melhores projectos, naqueles considerados “de referência”, tais aspectos foram devidamente considerados e, mais do que isso, bem usados na caracterização do “partido” próprio e “único” de cada uma dessas intervenções; numa atitude bem distinta da doentia repetição de soluções praticamente iguais, interior e exteriormente. E assim se procurará desenvolver, nos sítios mais diversos e potencialmente suscitadores de soluções únicas, soluções de espaços comuns estimulantes e valorizadoras de cada um desses sítios e da dinâmica de vida dos respectivos moradores.

Apenas para dar alguns exemplos deste sentido de reflexão, exemplos pouco “ponderados/estruturados” no sentido de serem casos reais que nos vieram à memória com grande naturalidade enquanto escrevemos estas palavras, podemos referir:

- Um caso no Norte da Alemanha em que entre dois blocos habitacionais alongados, com acessos por pequenas galerias/varandas muito humanizada, existe um amplo espaço comum com tecto envidraçado e múltiplo pé direito, usado para muitas actividades dominantemente de lazer, repouso e convívio “contido” (em pequenos grupos).

- Vários casos europeus em que a “massa” dos quarteirões habitacionais é sensivelmente desagregada e humanizada numa orgânica mistura de soluções habitacionais com acessos comuns e outras com acessos privatizados ao espaço público.

- Vários casos europeus e norte-americanos em que as galerias exteriores de acesso às habitações se desenvolvem em termos quase de pequenas ruas elevadas; havendo soluções em que o acesso a estes espaços continua a ser restrito aos habitantes de um dado conjunto edificado, e outras soluções em que o acesso é tornado basicamente público, embora sempre pedonal.

- Um caso parisiense em que em grandes edifícios multifamiliares em altura, o acesso às respectivas habitações se faz através de grandes varandas privativas, simulando-se, assim, o carácter da habitação unifamiliar, mas no quadro de um grande multifamiliar; e em que, naturalmente, os respectivos espaços comuns verticais também se caracterizam por estratégicas e estimulantes relações com o exterior.

- Casos portugueses de habitação cooperativa, realizados nos últimos três decénios, em que a principal unidade edificada não é o edifício, mas sim o quarteirão, sendo que a acessibilidade dos habitantes se faz, em parte, directamente, entre o respectivo miolo do quarteirão, definido como espaço de uso público pedonal, e as habitações térreas contíguas.

- Ainda outros casos portugueses de habitação económica realizada nos anos 60 do século passado, em que existe um sábio manejar da concepção dimensional e formal de galerias exteriores, estrategicamente conjugadas com acessos verticais, por vezes do tipo esquerdo/direito, conseguindo-se soluções extremamente interessantes na fusão entre funcionalidade e “imagibilidade”; por vezes atribuindo-se até um certo sentido agradavelmente lúdico à organização dos respectivos acessos.

- E ainda outros casos nacionais de habitação de promoção municipal, privada e cooperativa em que acontece uma estimulante concepção de espaços interiores de acesso (patins, átrios e galerias/corredores), bem dimensionados, estrategicamente pontuados pela luz natural e agradavelmente apropriáveis pelos respectivos moradores.

E, caros leitores, praticamente todos estes casos se integram nos principais parâmetros básicos que podem e devem marcar uma construção de habitação que seja racional e económica, pois, por exemplo, os principais volumes são caracterizados por forte regularidade geral formal e não existem sinuosidades construtivas significativas.

A título de um pequeno desabafo dá vontade de dizer que o limite de tais soluções estará na imaginação razoavelmente regrada de quem as concebe; só que por vezes a regulamentação acaba por ser um relativo obstáculo ao respectivo desenvolvimento.

E neste sentido convidam-se os leitores à consulta dos artigos sobre espaços exteriores privados que são facultados acima e que abordam as seguintes matérias.

Uma das matérias e que é essencial na estruturação geral e na concepção pormenorizada dos espaços comuns de edifícios multifamiliares é o claro e geral respeito e a expressiva salvaguarda da privacidade dos espaços domésticos interiores, bem como a cuidadosa consideração da privacidade dos espaços domésticos exteriores; e esta redacção respeita situações onde, por escolha projectual e programática, se aceita que em zonas domésticas exteriores, essencialmente afectas a usos privados, haja expressiva abertura visual, quando não até eventual interpenetração espacial relativamente aos respectivos espaços comuns de circulação. E sintetizando, a regra deve ser a expressiva salvaguarda da privacidade doméstica, exceptuando-se situações específicas em que se aceitam condições diversas. 

Outro aspecto a considerar na concepção dos espaços comuns de edifícios multifamiliares é que o eventual estímulo às relações conviviais entre vizinhos, deve ser sempre submetido à referida regra de respeito pela privacidade doméstica e pelo sossego doméstico (outra importante forma de privacidade), sendo que poderá ser promovido em situações cuidadosas e sempre privilegiando condições de convívio relativamente circunscrito; podendo haver, no entanto, um potencial de convívio alargado e eventual (ex., no interior de um quarteirão), mas que, neste caso, deverá ser sempre condominialmente bem condicionado e regrado , pois nunca faria sentido que os moradores fossem “obrigados” a suportar situações de convívio incomodativo e frequentes.

Um outro aspecto que já foi, acima, aflorado refere-se à expressão que pode ter a estrutura de acessos e de espaços comuns na imagem pública dos respectivos edifícios e mesmo das respectivas vizinhanças de proximidade. E não se trata aqui de defender qualquer “obrigatoriedade” conceptual, mas sim de sublinhar o importante papel que tais elementos podem e devem ter numa positiva e afirmada caracterização local; numa opção bem distinta de paisagens urbanas idênticas, descaracterizadas e a “perder de vista”.

Relativamente ao amplo leque de “espaços comuns” possíveis num dado edifício multifamiliar o limite estará, tal como se procurou apontar, na imaginação e na capacidade de cada projectista, nos objectivos estipulados para a respectiva intervenção residencial e no orçamento que esteja previsto para a mesma intervenção, embora este último aspecto não seja determinante numa estratégia de adequada diversificação dos espaços comuns, tal como se defendeu acima.

E, finalmente, abordam-se as garagens comuns como elementos que são, cada vez mais, protagonistas na vivência diária dos edifícios multifamiliares, mas que, incrivelmente, continuam, por regra, a ser tratadas apenas como elementos funcionais – e mesmo nesta matéria muitas vezes caracterizadas por péssima funcionalidade nas manobras. E não será altura de se encarar a concepção das garagens comuns com a dignidade que merecem espaços tão intensamente usados? Fica a questão, que é razoavelmente desenvolvida no artigo acima apontado.

e a estas matérias relativas aos “espaços comuns no edifício multifamiliar”, voltaremos (mas, tal como já se apontou, nos artigos acima disponibilizados encontrarão, desde já, um conjunto interessante de reflexões).

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 620
Espaços comuns no edifício multifamiliar: 4 artigos sobre o tema e um novo artigo
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, setembro 18, 2017

Espaços Comuns do Edifício Habitacional - Infohabitar 610

Infohabitar, Ano XIII, n.º 610

Espaços Comuns do Edifício Habitacional

por António Baptista Coelho

Tal como foi anteriormente divulgado, a Infohabitar está a retomar as suas edições regulares, procurando disponibilizar um novo artigo em cada semana e preferencialmente à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição.

Considerando que, durante já um número muito significativo de semanas a Infohabitar tem editado artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma “revisão da matéria dada”, antes de prosseguirmos na edição desta série.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interativos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam temáticas relativas aos “Espaços Comuns do Edifício Habitacional”, e aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma muito pequena e informal nota de reflexão sobres estas apaixonantes e tão atuais matérias.

Em próximos artigos iremos disponibilizar reflexões sobre a estruturação e os conteúdos possíveis e desejáveis nos espaços comuns das habitações e, sequencialmente, nos diversos espaços habitacionais mais privados e personalizados.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respetivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caraterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sediado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os 8 artigos disponibilizados sobre o tema: “Espaços Comuns do Edifício Habitacional”:

A importância dos espaços comuns ou semi-privados nos edifícios multifamiliares (I)

. A importância dos espaços comuns ou semi-privados nos edifícios multifamiliares (II) - os perfis de qualidade e de criatividade nos espaços comuns habitacionais

. Sobre as entradas comuns habitacionais - parte I

. Sobre as entradas comuns habitacionais - parte II 

. Dos átrios comuns habitacionais aos outros espaços de condomínio

. Escadas comuns e elevadores residenciais

. Galerias comuns e patins residenciais

. Do edifício comum aos mundos domésticos 



Sobre as temáticas associadas e associáveis aos “Espaços Comuns do Edifício Habitacional” muito há a dizer e sublinha-se que o que a seguir se aponta, em oito parágrafos temáticos, corresponde, apenas, a uma informal reflexão sobre estas excelentes matérias.

Um primeiro aspecto a considerar consiste, naturalmente, no protagonismo dos espaços comuns do edifício habitacional multifamiliar na sua caracterização e “ADN” tipológico, considerando-se não uma simplificada identidade tipológica, mas sim uma definição tipológica “fina”, que integre, designadamente e de forma não exaustiva, desde aspetos de dimensão geral e altura do edifício, a aspetos de caraterização dos tipos de acessos verticais e horizontais, a matérias associadas com as relações exterior/interior proporcionadas, a aspetos de diversidade de espaciosidades e instalações comuns oferecidas, a matérias de relacionamento entre os acessos às habitações, os espaços comuns e o exterior do edifício e a matérias de conjugação de usos (usos mistos, não apenas residenciais) servidas e potenciadas pelos espaços comuns do edifício.

E ainda dentro deste aspecto de reflexão tipológica há que integrar a consideração das tipologias de transição entre o uni e o multifamiliar, frequentemente designadas de “intermediárias” e daquelas mistas e extremamente ricas em termos de imagens urbanas pormenorizadas, porque associam e fundem diversas tipologias – por exemplo: unifamiliares densos, intermediárias, pequenos e médios multifamilares com variadas características em termos de acessibilidade comum e privada; e cuja riqueza muito decorre do complexo de espaços de acesso que aí são proporcionados (semi-privados, comuns, comuns de uso público e públicos).

Um outro aspecto, mais específico, a ter em conta pode ser definido em termos das características de “extensão da rua” proporcionadas pelos espaços comuns do edifício, uma extensão naturalmente condicionada e controlada e que pode corresponder, no limite, a um conjunto bem expressivo de barreiras difícieis de transpor, ou a uma ligação muito natural e directa entre “a rua” – espaço público ou de uso público – e o acesso à habitação de cada agregado familiar.

Uma outra matéria ligada a esta última corresponde ao que se pode designar de potencial de “extensão da habitação” que é proporcionado pelos espaços comuns do edifício “casa”, e aqui trata-se, não apenas, do “espelho” da referida “extensão da rua”, mas dos espaços de relação/passagem e transição entre espaços privados e espaços comuns, seja em termos de vistas como de potencial de “mistura” e de apoio a um bom funcionamento de ambos.

Outras matérias ligam-se ao papel protagonista que a estruturação e a caracterização pormenorizada dos espaços comuns habitacionais têm na identidade da respectiva intervenção urbana do edif´cio multifamiliar e predominantemente residencial, com destaques específicos, quer para a escala humana atingida e o respectivo sentido de relação muito directa entre edifício e “homem”, em termos de proporções e de usos pormenorizados e dos seus reflexos nas matérias ligadas ao importante sentido “misto” de aproximação, abrigo e identificaçãoe escala urbana, quer para a escala urbana obtida, que tem, naturalmente, de se harmonizar com a primeira, mas que terá objetivos específicos de integração e imagem urbanas, com reflexos em importantes aspetos entre os quais se podem destacar as características de dignidade/atractividade e de relativa sobriedade que parecem ser, geralmente, desejáveis.

Um outro aspecto importante na caracterização dos espaços comuns de um edifício habitacional pode ser definido em termos do seu potencial de naturalização, ou da sua capacidade para integrar elementos naturais de vegetação e/ou de integração em zonas marcadas pela vegetação; uma matéria que tem de ser assumida seja pela forte abertura a essa capacidade, seja por uma assumida mas bem integrada capacidade de contraste com o verde urbano. Esta é uma matéria que apenas aparentemente é menos importante/interessante, recomendando-se a procura e a análise de soluções de expressiva integração da natureza nos espaços comuns habitacionais para se atentar no seu verdadeiro potencial integrador e caracterizador.

Naturalmente que os espaços comuns de um edifício habitacional têm de ser adequadamente caracterizados por aspetos qualitativos básicos, designadamente, em termos de acessibilidade, segurança no uso e contra riscos de incêndio, conforto ambiental e capacidade de manutenção; trata-se de uma matéria incontornável e já devidamente desenvolvida em muitos estudos e “guias de desenho”, que devemos sempre salientar, mas procurando sempre harmonizar com as características de conforto e “domesticidade” que se julga deverem caracterizar os espaços que antecedem e envolvem os nossos aspaços domésticos mais privados, parecendo, portanto, muito pouco aceitáveis ambientes “maquinais”, estritamente funcionalistas, “áridos” e sem identidade – e este é um complexo mas bem importante desafio que se faz ao projectista.

Outros aspectos qualitativos básicos, menos evidentes no que se refere a uma prática projectual residencial considerada mais corrente, ligam-se ao relevo dado à importância dos “pares” qualitativos associados tanto à identidade/apropriação, como à convivialidade/privacidade. Não se irá aqui desenvolver este duplo caminho de reflexão sobre os espaços comuns habitacionais referindo-se, apenas, que são matérias, expressivamente ausentes do mau projecto residencial e presentes, metamorfoseadas, em muitos dos melhores casos de referência habitacionais e urbanos, que associam o sentido de “casa sua” mesmo em grandes multifamiliares, seja por “formas” de base, seja por aspectos “dinâmicos” e participados pelos respectivos moradores e que integram aspetos de harmonização entre a cabal defesa da privacidade doméstica e uma adequada proposta de convívio, ainda que estrategicamente limitado e delimitado em determinados “pontos” e espaços do edifício e da sua envolvente.

E, finalmente, parece ser importante e interessante reflectir sobre como instilar na concepção e mesmo na vivência do edifício multifamiliar e, designadamente, dos seus espaços comuns, aspectos qualitativos básicos associados às respectivas relações urbanas pormenorizadas, considerando-se, desde as matérias da integração no que se refere à imagem urbana local às matérias específicas associáveis ao que se pode considerar como sendo a sua muito desejável e intensa coesão e vitalização térreas.

Fora desta sequência de reflexões mais ligada ao edifício propriamente dito há que apontar aqui, de forma destacada, a importância que tem a consideração dos tipos de moradores esperados, tendo-se em conta aqueles com maior condicionamento em termos de deslocação e percepção e visando-se, desejavelmente, a criação de edifícios e agregados de edifícios em que se vise a possível e melhor convivência entre diversos níveis etários e dimensões de agregados familiares, tendo-se bem presente a expressiva e crescente presença dos idosos e de pessoas com reduzida autonomia na nossa sociedade e considerando-se que uma boa parte do êxito de edifícios dirigidos para uma ampla mistura sociocultural e etária se joga nos seus espaços comuns e na relação destes e dos espaços domésticos com a envolvente urbana.
e a estas matérias voltaremos …

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 610
“Espaços Comuns do Edifício Habitacional” – 8 artigos sobre o tema
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.