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domingo, março 27, 2016

575 - Inovação nos espaços comuns habitacionais - Infohabitar n.º 575

Inovação nos espaços comuns habitacionais - Infohabitar n.º 575

Infohabitar n.º 575
António Baptista Coelho
Artigo XCII da Série habitar e viver melhor


Inovar nos espaços comuns residenciais

Relativamente ao amplo leque de inovação ou de “outros espaços comuns” possíveis num dado edifício multifamiliar o limite estará na imaginação de cada projectista, nos objectivos estipulados para a respectiva intervenção residencial e no orçamento que esteja previsto para a mesma intervenção.

A ideia que, desde já, se aponta é que o caminho de super-diversificação de mini-espaços com as diversas utilidades que se tem desenvolvido, em diversos países, associado a condomínios de reduzida dimensão, não parece ter grande futuro pois acaba por se ter um conjunto de equipamentos de condomínio sem um mínimo de capacidade de auto-sustentação e de estímulo ao seu próprio uso.

Quando o condomínio tem dimensão apreciável e há folga financeira talvez seja interessante investir em conjuntos de espaços com utilidades bem fundamentadas e dimensões equilibradas e amplas, mais numa perspectiva de assegurar algumas valências essenciais e que serão sempre valorizadas ao longo dos decénios de vida do condomínio – como será o caso de um amplo jardim e de uma agradável sala de condomínio bem equipada – e desde que tais valências não comportem um esforço significativo na respectiva manutenção mensal.


Variadas valências condominiais

Outras valências condominiais mensalmente mais dispendiosas deverão der introduzidas com um cuidado máximo e ponderando, designadamente, o interesse de uma sua exploração autonomizada, embora com condições especiais para os condóminos.

Uma coisa é a imaginação criadora do promotor visando a oferta de múltiplos serviços comuns, que podem ir da biblioteca, á pequena sala de cinema, ao mini-ginásio e à pequena piscina. Outra coisa é oferecer actividades viáveis a médio prazo, considerando os seus custos de funcionamento. Mas aqui a dificuldade de uma tal oferta também não pode ser obstáculo ao seu desenvolvimento, e a existência de espaços disponíveis e multifuncionais será sempre um passo fundamental para o desenvolvimento de uma dimensão comum afirmada num edifício multifamiliar; se não existirem estes espaços nada será possível.


Fig. 01:  -  A imaginação pode fazer misturar tipologias unidas por espaços comuns exteriores, como neste caso em que na zona posterior de um edifício multifamiliar se desenvolvem pequenos estúdios/habitações com variadas potencialidades de uso (ex., habitações T0 e T1 para estadas periódicas de familiares dos habitantes dos fogos maiores do multifamiliar) - habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Bengt Hidemark, Ingemar Jönsson.


E assim, diversos tipos de actividades comuns poderão vir a ser sequencialmente introduzidas, adaptadas e alteradas, por decisão do condomínio desde que haja condições básicas de espaciosidade e de equipamento flexibilizadoras de tais decisões.

Naturalmente que numa outra dimensão de projecto e de vivência residencial estarão as unidades residenciais que associem um determinado número de habitações, frequentemente com pequena dimensão, a um amplo conjunto de espaços, serviços e equipamentos de uso comum e que são adoptados pelos residentes numa base obrigatória, ou, preferencialmente, julgo, numa base opcional e “à la carte”; espaços, serviços e equipamentos esses que poderão, por vezes com vantagem, servir outras pessoas da vizinhança que não sejam residentes no complexo/edifício, o que terá vantagens claras na dinamização do convívio e da integração social local.


Mais do que a “simples” espaciosidade sem outros objetivos

Nesta introdução a algumas outras notas sobre os “outros espaços comuns” possíveis num dado edifício multifamiliar apetece ainda dizer que parece ser sempre criticável é a abundância de espaços sem outro uso que não seja a simples e perdulária espaciosidade, pois é sempre possível suscitar ideias e ocupações e espaço a mais e sem qualquer utilidade não tem realmente interesse – e é fácil encontrar usos para amplos espaços comuns de entrada, e uma utilidade será, por exemplo, o desafogo espacial para se poder ver bem um grande mural artístico.

Provavelmente mais adequado do que estar a prever espaços e equipamentos comuns muito elaborados, mas essencialmente reservados aos habitantes do respectivo edifício, será mais adequado prever espaços e equipamentos multifuncionais que sirvam esses habitantes, mas que sejam potencialmente utilizados por outras pessoas, segundo regras a definir, garantindo-se, assim, uma maior base de sustentabilidade.

Atividades interessantes nos espaços comuns habitacionais

Talvez que um caminho interessante no desenvolvimento de outros tipos de espaços comuns passe pelo cuidadoso desenvolvimento daquelas actividades naturalmente mais praticadas, quando entramos no nosso edifício, como será o caso de uma adequada espaciosidade na porta de entrada, seguindo-se comodidade e funcionalidade na consulta do correio, e alternativas de acesso aos andares, por elevadores e por escadas, não obrigatoriamente concentradas.

Além destas possibilidades, naturalmente, muitas outras há, num leque de tipos de espaços que têm por limite a imaginação e o orçamento disponível, mas há dois aspectos fundamentais a considerar.

O primeiro é o respeito pela afirmação essencialmente privatizada da solução multifamiliar, que será o caso mais frequente, e que obrigará, sempre, a um eventual uso mais intenso dos espaços comuns suplementares, para além dos estritamente de acesso, claramente opcional, de modo a que não haja qualquer tipo de convivência “obrigatória”; apenas quando a opção multifamiliar for claramente marcada pela vivência de espaços e serviços comuns é de aceitar uma evidenciação especial de espaços comuns de estar e de convívio numa forte contiguidade com as principais zonas de acesso, e mesmo nestes casos será sempre agradável e estratégica a possibilidade de se poder aceder ao apartamento de cada um com um mínimo de convivialidade condominial, situação esta que torna o convívio sempre uma opção, tomada em liberdade de alternativas, o que é muito adequado.

O tipo de actividades realizáveis nestes espaços comuns suplementares talvez seja, numa primeira reflexão, o menos importante, pois desde que os espaços existam e sejam realmente apetecíveis e versáteis para diversos usos talvez seja até inteligente e estratégico deixar que sejam os condóminos a fazer certas opções funcionais, embora esta opção tenha o risco de um bloqueio democrático das opções a tomar; e portanto talvez seja mais seguro desenvolver-se um expressivo pré-arranjo e pré-equipamento, que permita desde logo um uso agradável, mas que proporcione, depois, opções suplementares (exemplo uma mesa de bilhar ou mais ma zona de estar).

O segundo aspecto fundamental a considerar é ter a noção clara que se a opção for a dinamização do uso de diversos tipos de espaços comuns ele só terão êxito se estiverem estrategicamente localizados na sua relação com as principais zonas de acesso ao edifício, se forem espaçosos, e se forem bem acabados, bem equipados e possibilitarem uma agradável relação paisagística e, eventualmente, física com o exterior (por exemplo, através de grandes janelas e terraços abrigados); não terá qualquer hipótese de uso intenso como espaço convivial uma sala de condomínio arrumada num espaço residual, mal acabado e equipado.


Fig. 02: não basta prever um dado espaço condominial de convívio, há que lhe proporcionar o máximo de condições para uma vivência eficaz (intensa e frequente) - habitações do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - Arquitetura: Mats Molén.


Ainda além destas possibilidades e seguindo uma relação privilegiada com aquilo que as pessoas têm mais tendência a fazer no seu edifício, fora do seu apartamento, será interessante pensar no apoio específico a um amplo leque de actividades oficinais, artísticas ou profissionais, realizado e numa “bateria” de agradáveis gabinetes, por exemplo, concentrados num nível específico do edifício e que poderão ser servidos por um núcleo de serviços comuns sanitários e, eventual e potencialmente conviviais; ficará sempre a questão da razão de não se associarem estes espaços aos respectivos apartamentos, mas esta poderá ser mais uma valência desejada por muitos e raramente encontrada e tem muito a ver com a necessidade de se ter algum isolamento para um amplo leque de actividades.

Naturalmente que vários ou quase todos estes desenvolvimentos têm directa influência nos custos de desenvolvimento destes espaços, mas aqui há que ter em conta realmente, que será sempre assim: todo e qualquer metro quadrado suplementar é sempre um gasto não necessário, a não ser que estejamos a desenvolver soluções com valências comuns bem definidas – por exemplo zonas de estar com actividades específicas; e numa solução extrema é sempre possível desenvolver um edifício cujos espaços comuns são reduzidos ao estritamente necessário em termos de circulações.

Mas uma coisa é certa: “desperdiçar” grandes espaços comuns apenas pelo simples gosto do desafogo espacial e de vistas numa enorme zona de entrada que acaba apenas por ser usada nos circuitos de circulação que a atravessam entre portas de rua, caixas de correio e elevadores, faz muito pouco sentido, pois até o luxo espacial pode ser exibido de formas muito mais interessantes, por exemplo através de um espaço interior profusa e cuidadosamente recheado de plantas.

Um outro aspecto a ter em conta é a irracionalidade de se investir num enorme espaço de entrada luxuosamente acabado e passar a vida a entrar e sair do respectivo apartamento por patins e elevadores acanhados, que dão, depois, acesso a outros patins de garagem e a espaços de garagem apenas minimamente acabados e, tantas vezes, claustrofóbicos. Há aqui, portanto, algum trabalho a fazer para harmonizar intervenções nestes espaços comuns de acesso que são, afinal, intensamente usados.



·         Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:
As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.
Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.
A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.
Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.
·        Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XII, n.º 575
Artigo XCII da Série habitar e viver melhor

Inovação nos espaços comuns habitacionais, Infohabitar n.º 575


Editor: António Baptista Coelho – abc@ubi.pt, abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.



segunda-feira, novembro 04, 2013

459 - Dos átrios comuns habitacionais aos outros espaços de condomínio - Infohabitar 459



A Infohabitar inicia com esta edição uma nova fase de publicação, com uma nova imagem editorial que esperamos agrade aos nossos leitores e que integra novas funcionalidades, entre as quais a possibilidade de leitura em telemóveis e tablets.

Com as melhores saudações,

A edição da Infohabitar

Infohabitar, Ano IX, n.º 459


Artigo XXXIX da Série habitar e viver melhor


Dos átrios comuns habitacionais aos outros espaços de condomínio

António Baptista Coelho

Aprofundando-se o percurso comentado por uma adequada programação do edifício habitacional e visando-se, por regra, a solução multifamiliar mais, ou menos, "coletiva" abordam-se, sinteticamente, neste artigo, (i) os átrios e outros espaços comuns conviviais ou específicos e, depois, (ii) as salas e outros espaços ao serviço dos respetivos habitantes/condóminos e seus eventuais convidados.


Átrios e outros espaços comuns conviviais ou específicos


Muito do que se referiu, em outros artigos da presente série, para as entradas comuns se aplica a estes átrios e outros espaços comuns conviviais, espaços que existirão, eventualmente, na sequência das entradas e considerando as intenções que, eventualmente existam, de criação de um ambiente colectivo que fomente as relações de convívio entre os residentes.

Estes espaços comuns conviviais poderão também ser desenvolvidos de forma autonomizada das entradas comuns, mas, neste caso, a sua localização, relativamente aos principais acessos comuns e, muito especialmente, os seus conteúdos funcionais terão de ser suficientemente apelativos para dinamizarem o seu uso (ex., sala ampla para festas alargadas, com equipamento adequado e com excelente vista paisagística).

É importante que se sublinhe, aqui, que tais espaços devem ter uma forte justificação por servirem de acesso às habitações, podendo, até, resumir a sua utilidade a esta função principal, ainda que apoiando, simultaneamente, o convívio informal e ocasional e a instalação de alguns elementos de equipamento e apropriação destes espaços, tais como, por exemplo, a ocupação com plantas em floreiras e vasos, uma ocupação que é corrente em qualquer espaço comum de escadas e patins, mas que, ao encontrar espaços mais amplos, pode assumir uma presença muito forte e positiva de “jardim interior”.

Tal como se pode concluir do que acabou de ser referido, para que os átrios e outros espaços comuns tenham um bom potencial de uso e de ocupação com plantas e alguns equipamentos é fundamental a existência de adequadas condições de luz e ventilação naturais.

Numa perspectiva mais "radical" é, até, possível defender que tais espaços comuns só podem existir quando se verifiquem tais condições que fundamentem a espetiva sustentabilidade, pois, de outro modo, esses espaços têm muito reduzida justificação, podendo mesmo contribuir, negativamente, para a insegurança e outros problemas no interior do edifício.

Podemos facilmente imaginar, aqui, três tipos distintos de espaços com as características associáveis a espaços e conjuntos espaciais habitacionais comuns e conviviais:

(i) aqueles que constituem, essencialmente, alargamentos de espaços de circulação comum;

(ii) os que integram as circulações comuns, mas têm outros tipos de usos, habitualmente, ligados à estadia e ao convívio informal;

(iii) e, finalmente, aqueles espaços que poderão estar, relativamente, autonomizados das principais circulações e que se podem destinar a um razoavelmente amplo leque de actividades, com destaque para o lazer (ex., ginásio, sala de estar e de convívio multifuncional, sala de jogos, sala de “cinema  em casa”, terraço de convívio com churrasqueira, etc.), mas podendo também agregar, em localizações estratégicas, atividades profissionais exercidas perto de casa, mas não em casa (ex., espaços oficinais, pequenos escritórios, etc.). E esta última matéria/tipologia espacial e funcional é duplamente relevante em termos da sua presença nos espaços comuns e da sua importância funcional complementar aos espaços privados e domésticos, devendo, por isso, merecer desenvolvimentos específicos em outros artigos desta série.



Fig 01: o interior comum/coletivo de um edifício da Cooperativa Caselcoop em Caselas, Lisboa, projetado pelo Arq.º Justino de Morais (na foto).



A ideia que parece poder ficar, a título de conclusão parcial, é que só vale a pena investir em espaços que tenham, à partida, um máximo de perspetivas de poderem vir a ser usados, de outro modo além da despesa inicial infrutífera, criam-se espaços que irão ser zonas sem uso, menos seguras e que irão obrigar a inúteis despesas de manutenção.

E, a partir, destas ideias talvez que a melhor solução, quando se deseje realizar algo mais do que o conteúdo habitacional, seja avançar em espaços multifuncionais, que possam albergar diversas utilidades e que possam vir a ser, até, afetados a actividades estranhas ao condomínio, se as referidas intenções iniciais, de realização de outras actividades fora das habitações, se revelarem difíceis de pôr em prática.

E, quem sabe, talvez seja possível a instalação de algum equipamento que sirva a vizinhança, mas também, e em grande proximidade, o conjunto das habitações do condomínio; mas, para tal, há que prever todo um conjunto de adequadas condições de autonomia e de viabilidade de funcionamento, sempre numa vizinhança positiva e sem quaisquer riscos de conflito com a essencial calma residencial nas habitações integradas no edifício; e esta é matéria vital em toda este potencial de misturas funcionais: o uso residencial deve ser, sempre, estimulado e nunca prejudicado, ainda que pontualmente, por estas atividades "extra-residenciais" - por exemplo, ao nível, de acesso de estranhos, ruído excessivo, e redução do sentido de conforto, abrigo e apropriação da habitação de cada um.

Todo este amplo potencial de atividades extra-residenciais, liga-se, naturalmente aos três aspetos em seguida apontados:

(i) à dimensão social (nº de habitantes) do respetivo condomínio e mesmo à respetiva caraterização social pormenorizada (etária, cultural, etc.);~

(ii) e/ou à intensidade com que o condomínio se integra na continuidade urbana da vizinhança próxima e da própria cidade que se segue; ou, alternativamente, ao grau de isolamento urbano local que carataeriza a intervenção;

(iii) e/ou à caraterização do próprio conjunto edificado no sentido de se assumir, em alternativa, mais como um conjunto de habitações bem autonomizadas, servidas por algumas infraestruturas comuns, ou como um conjunto de células habitacionais individualizadas (pessoas sós e casais) razoavelmente autonomizadas, mas expressiva e formenete servidas por um amplomleque de infraestruturas comuns espaciais e de serviços.

E podemos comentar que se trata aqui de matéria ligada ao reinventar de novas tipologias residenciais e urbanas.

Mas de qualquer forma importa registar que mesmo a corrente “sala de condomínio” pode e deve ser tratada de uma forma que lhe confira um máximo de condições de atractividade e diversidade de usos, pois de outroo modo mais vale considerá-la de modo basicamente residual.

Em tudo isto importa não esquecer que muitos estudos destacam a importância dos espaços comuns na socialização dos vizinhos. Por exemplo, num estudo realizado, há alguns anos, sobre o Bairro de Telheiras, cerca de um quarto das respostas consideraram os espaços comuns do edifício como locais de maior frequência de contacto com os vizinhos. (1)

Mas há que sublinhar que até a regulamentação - ainda que marcada pelos melhores objetivos - tem contribuído, indirectamente, para a gradual anulação do uso de todos os espaços comuns que não aqueles usados em ligação com os elevadores, obrigando-se a um uso comum de espaços exíguos, o que não favorece, em nada, o potencial de convivialidade do edifício; mais uma matéria que importa repensar e aprofundar.

E faltará talvez falar um pouco mais dos “outros” átrios, daqueles que nos marcam, quando neles entramos, e que por vezes até são pequenos e "simples" de desenvolver, sendo essencial sublinhar que o vestíbulo doméstico deve ser um espaço de algumas funcionalidades e de um máximo de identidade(s), plasmadas de uma forma muito sensível e onde o sentido do conjunto, do comum, exista, mas se harmonize e de certa forma se subalternize relativamente ao sentido da identidade de cada habitação e, indiretamente, de cada habitante; e isto ainda que tal condição deva ser assegurada ainda razoavelmente longe da porta de entrada de cada célula/mundo doméstico; e não nos esquecendo, ainda suplementarmente, que o átrio comum tem também de ser um limiar entre vizinhança e mundo doméstico, um limiar que nos introduza à vizinhança e que apoie na privatização da nossa "casa" (e uma "casa" que é frequentemente um apartamento afastado do chão, mais uma matéria a desenvolver posteriormente).

 

Fig. 02: o interior comum/coletivo de um edifício em Hamburgo, Aufbruch in Hamm-Sud, Arq.º Czerner und Czerner, 2000.


Salas e espaços de condomínio


Aproveitando-se as conclusões de um estudo realizado, há alguns anos, (editado pela Livraria do LNEC - Informação Técnica Arquitectura n.º 2), apontam-se, em seguida, as condições que são desejáveis nos compartimentos comuns do condomínio (salas de condóminos):

·      Posicionamento estratégico no edifício, por exemplo no piso térreo, aproveitando espaços com reduzidas condições de privacidade para usos habitacionais e bem relacionados com o átrio principal de recepção. A sala de condóminos deve cumprir exigências muito rígidas quanto a condições de natural acessibilidade e comunicabilidade em relação ao principal átrio de entrada no edifício, caso contrário arrisca-se a ter uma utilidade muito duvidosa.

·      Adequação, na configuração e no dimensionamento, ao número provável de utentes.

·      Multifuncionalidade

·      Adequados equipamentos e instalações de apoio (ex., pequenas instalações sanitárias para homens e senhoras, bancada de preparação ou simples apoio e aquecimento de refeições, e arrumação espaçosa para mobiliário escamoteável).

·      Adequadas condições de funcionalidade e conforto para os fins visados, nomeadamente, pela instalação, de raiz, de mobiliário construído (ex., bancos corridos em alvenaria).

·      Fazer sentir aos utentes o interesse que há na frequente utilização do "solo" exterior/logradouro comum ou dos espaços públicos ou semi-públicos contíguos.

·      Ter utilidades diárias reais (ex., frequentar pequeno bar com recantos de estar, ver TV panorâmica, jogar bilhar e ténis de mesa, acompanhar crianças que brincam em espaço exterior contíguo ou muito próximo enquanto se lê um livro ou o jornal, estar em grande recanto com lareira, sauna, “squash”, sala de ginástica, etc.).

·      Ter utilidades periódicas e eventuais (ex., uso para festas familiares ou alargadas a ser requisitado/marcado por qualquer um dos condóminos).

A sala de condóminos pode caracterizar-se por: instalações sanitárias adequadas, mobiliário comum, TV panorâmica recebendo canais de satélite, recantos e zonas para jogos difíceis de ter em casa (exemplo: ténis de mesa e bilhar ou snooker), recantos para jogos de mesa, zona de lareira, zona de aquecimento e apoio a refeições, mesas e cadeiras guardadas para servirem em ocasiões festivas, etc.


A questão do dimensionamento e eventual inexistência de sala de condóminos tem a ver com a situação de esta sala ser mais adequada/viável quando número de fogos agregado no mesmo edifício, ou conjunto de edifícios, é significativo - entre 20 a 30 -, de modo a que a participação de cada fogo para a sala de condóminos, em termos da respectiva fracção de área bruta, seja diminuta, por exemplo cerca de 1.50m² por fogo; o que resultará numa área de cerca de 30 a 45m², muito mais eficiente para os fins em vista do que um conjunto menos numeroso de fogos (exemplo: 12 fogos = 18m²).

Segundo Patricia Tutt e David Adler, o dimensionamento de uma sala de condóminos tem a ver com os seguintes aspectos: (2)

·      Quando se deseje uma verdadeira sala de condóminos, incluindo diversos espaços de convívio e estar, a referência a usar poderá ser de cerca de 1m²/habitante; o que dará para um edifício com 20 fogos, e uma média de 3.5 pessoas/fogo, uma área total com cerca de 70m², que parece ser equilibrada para os usos pretendidos.

·      Quando se deseje uma sala de condóminos essencialmente para as reuniões periódicas da Assembleia Geral do condomínio, poderá usar-se um dimensionamento base de 20m², ao qual se juntará um suplemento de área calculado na base de 0.20m²/habitante, acima de um grupo-base de 25 pessoas; o que dará para a mesma base de cálculo (edifício com 20 fogos, e uma média de 3.5 pessoas/fogo), uma área total com cerca de 20m²+0.20m²x45p = 29.00m².


Nota final: em próximos artigos desta série iremos seguir a "estrutura" dos espaços comuns habitacionais, designadamente, através das suas escada comuns, elevadores/ascensores e patins comuns de acesso às habitações privadas.


Notas:

(1) NEUT, ISCTE, "Usos e Apropriação do Alojamento em Telheiras: Relatório Final", p. 119.

(2) Patricia Tutt; David Adler (Ed.), "New Metric Handbook", pp. 312 e 315.



Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.

 

INFOHABITAR Ano IX, nº459
Artigo XXXIX da Série habitar e viver melhor

Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt
Dos átrios comuns habitacionais aos outros espaços de condomínio

Grupo Habitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

e  Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do LNEC

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

segunda-feira, outubro 28, 2013

458 - Sobre as entradas comuns habitacionais - parte II - Infohabitar 458


Infohabitar, Ano IX, n.º 458

Artigo XXXVIII da Série habitar e viver melhor

Sobre as entradas comuns habitacionais - parte II
António Baptista Coelho

Devido à sua extensão o presente artigo foi dividido em duas partes, que respeitam o seguinte índice (a negrito os itens editados na presente semana)

Índice 
I.Notas introdutórias 
II. Sobre as entradas comuns habitacionais: aspetos gerais 
III. Sobre as entradas comuns habitacionais: sobre a interioridade e domesticidade
IV. Sobre as entradas comuns habitacionais: relação interior/exterior e pormenorização             V. Sobre as entradas comuns habitacionais: a positiva marcação da agregação de habitações 
VI. Sobre as entradas comuns habitacionais: ao serviço dos, e salientado os, serviços comuns 
VII. Sobre as entradas comuns habitacionais: para além dos asptos funcionais está quase tudo o que há que considerar na conceção 
VIII. Sobre as entradas comuns habitacionais: ao serviço de um escala urbana e habitacional mais humana

V. Sobre as entradas comuns habitacionais: a positiva marcação da agregação de habitações
Naturalmente que a entrada de um edifício multifamiliar deverá, em primeira linha, reflectir e expressar, a dimensão social do respectivo agrupamento de habitações e a, eventual, existência de serviços de apoio domiciliários, devendo referir-se que ela pode variar entre um espaço mínimo, quase reduzido ao estritamente necessário para abrir a porta de entrada – numa opção em que a entrada comum se aproxima, claramente, do sentido de entrada privada das poucas habitações existentes naquele edifício – até soluções próximas das usadas em grandes átrios de hotéis, até porque, neste caso, as funções de entrada e recepção têm grandes semelhanças, quando se trate de  um edifício multifamiliar com grande dimensão e quando se desenvolvam condomínios com funções alargadas, tanto em espaços comuns, como nos serviços prestados ao funcionamento das habitações.
Há, no entanto, nestas matérias uma reflexão necessária que tem a ver com a opção, que pode ser feita, de se optar pela expressão pública de uma presença com grande sobriedade, mesmo tratando-se, por exemplo, de um grande edifício com muitos serviços comuns, numa sequência de espaços e de vistas que se vá revelando, estrategicamente, à medida que o habitante ou o visitante penetre nos espaços comuns de recepção e em outros espaços, com outras valências, que, eventualmente, assegurem uma continuidade mitigada ou filtrada a essas zonas de recepção.

Fig. 03: vizinhança de interesse social em Alvalade, Lisboa, projeto urbano do arquiteto Faria da Costa.

VI. Sobre as entradas comuns habitacionais: ao serviço dos, e salientado os, serviços comuns
Nesta matérias do habitar ao serviço do entrar/sair no habitar, e em outras matérias que lhe estão associadas. o limite estará na imaginação fundamentada dos projectistas, mas não se quer deixar de referir que, por um lado, há aqui, naturalmente, muito a aprender com a concepção dos bons espaços de hotelaria, e que, por outro lado, há que assumir e expressar um forte sentido residencial, pois entre estadias curtas e longas haverá diferenças de carácter a evidenciar; mas note-se a forma como se referiu este último aspecto, é que, repete-se, há muito a aprender com a residencialidade oferecida por alguns hotéis, afinal, num cruzamento de ideias de concepção em que a hotelaria vem também encontrar e utilizar muita matéria da residencialidade mais estrita em várias famílias de tipos de hotelaria, que vão dos hotéis de charme, aos hotéis de arte, aos hotéis especialmente dedicados a pessoas idosas, e a outras categorias hoteleiras.
Tal como se sintetizou num estudo anterior  (6) “entrar tem a ver com diversos aspectos fundamentais no habitar entre os quais se destacam:
  •  a transição entre espaços ambientalmente diferentes – abertos ou fechados, maiores e menores, etc;
  • a segurança nessa passagem, que se joga em grande parte nos respectivos aspectos de visibilidade em ambos os sentidos de uso das entradas (entrando ou saindo);
  • a identidade e a atractividade ou dignidade que deve marcar um espaço de transição do público para o privado (de um agregado familiar ou de um grupo);
  • e a espaciosidade equilibrada que deve marcar essa transição, e diz-se equilibrada pois tem de se ligar à espaciosidade que marca o resto do edifício”;
  • e termina-se esta síntese sublinhando-se ainda dois outros aspectos a considerar:  (i) “a apropriação, que se liga à identidade e à atractividade; (ii) e a, cada vez mais vital [porque importante e rara] convivialidade”.
A ideia que se desenvolveu nesta reflexão sobre a entrada como elemento positivo da construção de um habitar que possa influenciar um viver diário mais satisfatório foi não avançar muito em matérias mais específicas e ligadas, por exemplo, a soluções desenvolvidas com objectivos concretos e, eventualmente, pouco replicáveis, como será o caso de soluções expressivamente marcadas pela vida em comum e por um afirmado apoio ao convívio.
A principal ideia foi pensar em soluções que possam servir um amplo leque de gostos habitacionais, através de entradas adequadamente desenvolvidas; e considerando que, depois, e em espaços comuns específicos, poderá haver lugar a uma convivialidade espontânea e livremente assumida.

VII. Sobre as entradas comuns habitacionais: para além dos asptos funcionais está quase tudo o que há que considerar na conceção
Globalmente e para rematar este tema, há que destacar que as entradas dos edifícios têm de se caracterizar por aspectos muito mais amplos e diversificados do que, apenas, por simples questões funcionais, que se ligam, designadamente e por exemplo, a aspectos de acessibilidade e à eficácia no uso dos receptáculos postais e de baterias de contadores.
Dá vontade de dizer que há aqueles edifícios onde nem tais aspectos funcionais são considerados, há, depois, um outro grupo que respeita tais funcionalidades, e que podemos considerar habitacionalmente "adequados" e há, finalmente, aqueles edifícios cujas entradas são verdadeiros espaços de habitar com satisfação, e para tal, como se referiu, nem é preciso muito espaço nem muito dinheiro em equipamentos e acabamentos; precisamos, sim, de capacidade e qualidade de projecto.

Fig. 04: pormenor de edifício de interesse social em Alvalade, Lisboa, projeto de Miguel Jacobetty.

Faltará, desde já e basicamente, fazer aqui uma fundamental reflexão sobre a importância da entrada comum como pólo de estruturação do conjunto de acessos comuns do edifício multifamiliar, uma reflexão que é feita através de algumas palavras do Arq.º Bartolomeu Costa Cabral, que sublinham que "a localização das entradas e a sua articulação com os percursos exteriores é muito importante na definição da relação edifício-circulação, considerando-se necessária uma grande clareza no conjunto do sistema de acessos... garantindo aos fogos, simultaneamente, um grande isolamento e uma grande comunicabilidade com o sistema de acessos e o exterior, sendo os contactos com as funções da «rua» considerados como fundamentais..." (7)
E esta última reflexão tem também muito a ver com o desenvolvimento de pequenas agregações de habitações, nas quais ou se opta por uma simples entrada comum, espacialmente contida, embora estrategicamente bem marcada e agradavelmente visível, ou, alternativamente, se opta pela afirmação de uma expressiva desagregação do edifício, assumindo-se cada habitação e cada acesso habitacional como uma entidade com relativa autonomia formal e funcional, no caminho para uma solução em que, mais do que o conjunto edificado, se evidencia a presença de cada habitação e de cada acesso habitacional. E esta é uma matéria, que por si própria, justificaria um pequeno capítulo de desenvolvimento e que, portanto, importa explorar.

VIII. Sobre as entradas comuns habitacionais: ao serviço de um escala urbana e habitacional mais humana
Esta tipologia de diversidade de opções tem muito a ver com favorecer-se, nesta reflexão, a solução de ligação, mais afirmada, entre rua e habitação, que tem sido abordada ao longo deste processo de estudo como uma forma de nos podermos reaproximar de ruas mais vivas e de habitações mais apropriadas; uma perspectiva que tem, sempre, muito a ver com a opção mais geral por núcleos urbanos estruturados para os peões e bem servidos por transportes públicos de proximidade - assunto que merece cuidadoso e urgente desenvolvimento
E sobre esta matéria da constituição de entradas comuns para pequenos conjuntos de habitações criando agregados de pequenas vizinhanças bem estruturadas, importa referir, ainda, que pode haver uma opção específica neste sentido, por exemplo, para apoio a um grupo de habitantes que optam por um expressivo desenvolvimento de espaços e serviços comuns (ex., um pequeno pólo residencial para pessoas sós e pequenos agregados familiares).
E podemos comentar que este privilegiar da entrada comum, provavelmente, associado a um significativo desenvolvimento de outros espaços comuns, poderá configurar verdadeiras soluções de “habitação colectiva”, pois há um transportar ou uma extensão para espaços colectivos de várias funções habitualmente realizadas nos espaços domésticos.
E de certa forma e no limite podemos pensar aqui em soluções de habitar em que a agregação de habitações em vizinhanças seja um assunto e a disponibilização de espaços e equipamentos comuns seja outro assunto, embora, naturalmente, bem articulados entre eles.

Fig. 05: zona de entrada de edifício de interesse social em Olivais Norte, Lisboa, projeto dos arquitetos Nuno Teotónio Pereira e António Pinto de Freitas.

Falta fazer um brevíssimo apontamento sobre as entradas comuns em edifícios para uma família (unifamiliares) ou até para duas (bifamiliares) a quatro famílias (tri e tetrafamiliares), mas sempre fortemente agregados em conjuntos com afirmada unidade e continuidade, considerando-se que, na prática, tais soluções seguirão tudo aquilo atrás referido para os multifamiliares, pois, na realidade, o que aqui sucederá é uma agregação de habitações com significativa e afirmada individualidade.
E aproveita-se para sublinhar considerar-se que esta linha de opção por unifamiliares ou pequenos multifamiliares mutuamente densificados e bem agregados é, basicamente, muito compatível, quer com a sempre presente força do individualismo familiar doméstico, quer com todo um flexível conjunto de vantagens comuns do multifamiliar, quer, ainda, com a solução de ligação privilegiada, entre casa e rua, que tem sido proposta neste processo de estudo.

Notas:
(6) “Do bairro e da vizinhança à habitação”, LNEC, ITA n.º 2.
(7) Bartolomeu Costa Cabral, "Formas de Agrupamento de Habitação", p. 30.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados no Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico, as opiniões expressas nos artigos apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores.


Editor: António Baptista Coelho - abc@lnec.pt
INFOHABITAR Ano IX, nº458
Sobre as entradas comuns habitacionais - parte II
Grupo Habitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional
e  Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do LNEC
Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.