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segunda-feira, outubro 30, 2017

Inovar no espaço da cozinha doméstica - Infohabitar 616

Infohabitar, Ano XIII, n.º 616

Inovar no espaço da cozinha doméstica

– 4 artigos sobre o tema e um novo texto
por António Baptista Coelho

No início de setembro de 2017 a Infohabitar retomou as suas edições regulares, através da edição de um novo artigo em cada semana, logo à segunda-feira, aproveitando-se para, mais uma vez, enviar um amigável desafio aos leitores no sentido de poderem enviar para o editor (mail referido no final do artigo) propostas de artigos para edição (a enviar para abc@lnec.pt).

Considerando que, durante um número muito significativo de semanas a Infohabitar editou artigos integrados no âmbito da série designada “Habitar e Viver Melhor”, lembrámo-nos de proporcionar uma desenvolvida e comentada revisão desta matéria, antes de prosseguirmos na edição desta série; uma revisão que inclui, sublinha-se, sistematicamente, novos textos de síntese de comentário sobre cada uma das matérias específicas tratadas em cada edição.

Neste sentido e neste artigo apresentam-se, em seguida, os títulos interactivos dos artigos da série “Habitar e Viver Melhor”, que abordam as temáticas do interior da habitação e, designadamente, de uma adequada inovação nos espaços de cozinha doméstica, aproveitando-se para acrescentar, no final do artigo, uma nova nota de reflexão sobres estas apaixonantes matérias; e salienta-se que todos os artigos qui editados, desde início de Setembro de 2017, integram, logo a seguir à listagem interactiva dos artigos, novos textos de reflexão sobre a envolvente habitacional, as novas tipologias residenciais, a estrututação dos respectivos edifícios e a organização e estruturação habitacional.

Em próximos artigos iremos continuar a disponibilizar reflexões sobre os diversos tipos de espaços habitacionais e domésticos, mais comuns, ou mais privados e personalizados, que integram e caracterizam cada fogo/habitação.

Lembra-se que bastará ao leitor “clicar” no título do artigo que lhe interessa para o poder consultar.

Lembra-se, ainda, que por motivos alheios à Infohabitar, que muito lamentamos e que já apontámos, na Infohabitar, a maior parte dos artigos desta série editorial não conta, neste momento, com as respectivas ilustrações; estando, no entanto, disponíveis todos os seus textos, que se caracterizam por expressiva autonomia relativamente às referidas imagens; em tempo procuraremos ir repondo as referidas ilustrações, agora através de uma ferramenta integrada no próprio processo editorial do nosso blog/revista.

Finalmente regista-se que o processo editorial da Infohabitar, revista ligada à ação da GHabitar - Associação Portuguesa de Promoção da Qualidade Habitacional (GHabitar APPQH) – associação que tem a sede na Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (FENACHE) –, voltou a estar, desde o princípio de setembro de 2017, em boa parte, sedeado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e nos seus Departamento de Edifícios e Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT); aproveitando-se para se agradecer todos os essenciais apoios disponibilizados por estas entidades.

São os seguintes os quatro (4) artigos disponibilizados sobre o tema “Inovar no espaço da cozinha doméstica:
Sobre as temáticas associadas e associáveis à matéria geral do interior da habitação e, designadamente, ao conjunto de actividades que se desenvolvem habitualmente ou que se poderão desenvolver em espaços de cozinha doméstica, podemos referir, em primeiro lugar, a importância da cozinha como espaço convivial; uma importância que marcou o espaço de cozinhar doméstico desde sempre, pois, na prática, foi este, com naturalidade, o espaço doméstico convivial de eleição na maioria das famílias, só não o sendo em situações de separação entre quem cozinhava e quem tomava as respectivas refeições, portanto quando da existência de empregados domésticos com a finalidade de preparar e servir as refeições; e a esta importante finalidade convivial do espaço de cozinha voltaremos mais à frente neste texto a propósito de variados subtemas, como são, por exemplo, o habitar dos pequenos agregados familiares e o habitar de “interesse social”.



Cruzando esta última reflexão com a nossa história próxima associada à habitação funcionalista, teremos uma altura em que se avançou e bem para a facilitação dos trabalhos domésticos, de certa forma, “maquinizando-se” os trabalhos associados à preparação e ao servir de refeições, e, no limite, atingindo-se aquilo que é frequentemente designado de “cozinha laboratório”, numa evolução que tem os seus aspectos muito positivos associados à adequada racionalização dos trabalhos de preparação e servir refeições, que são dos trabalhos domésticos mais “pesados”, mas que, por vezes, esquece que quem trabalha na cozinha de hoje e na esmagadora maioria das nossas habitações não são empregados domésticos, mas sim todos nós os membros dos respectivos agregados familiares; e que, por isso, há que harmonizar essa essencial e específica funcionalidade – que está aliás associada a outros aspectos funcionais domésticos muito importantes, designadamente, na área das arrumações especializadas – com a continuidade da integração de quem cozinha e serve refeições no âmago do respectivo agregado familiar, em termos de continuidade do respectivo convívio e do acompanhamento familiar específico de idosos e crianças.

Esta é uma matéria fundamental numa boa habitação, mais amigável, mais convivial mais familiarmente integrada e acredite-se que é matéria frequentemente muito descuidada, em favor da, naturalmente, muito mais simples racionalização das operações de preparação e serviço de refeições.

Na prática trata-se de manter na cozinha a sua velha e natural função de convívio familiar enquanto se preparam e tomam refeições, um convívio bem natural e efectivo desde o princípio da evolução do homo sapiens, quando inventámos o uso do fogo para cozinhar e a propósito do fogo e do conforto e segurança que nos dava, ficávamos em companhia e a comunicar mais um pouco pela noite dentro.

 Para tal as nossas cozinhas têm de ter espaço adequado para uma mesa de refeições, que aliás pode ser também espaço para preparar refeições, ou, em alternativa, pode existir um amplo espaço de cozinha e refeições, estimulantemente caracterizado como “sala de família”.
Naturalmente que para se dinamizar o convívio nos espaços de cozinha estes devem ter ambientes adequados e confortáveis, sendo que será importante que as condições de tiragem de fumos e cheiros, as condições de integração de máquinas e os seus potenciais ruídos e , globalmente, as condições de conforto ambiental aí proporcionadas, sejam devidamente consideradas pois de contrário as cozinhas não são atraentes para o convívio familiar e alargado.

Considerando estas matérias de conforto ambiental e funcional na cozinha e do desenvolvimento de espaços de cozinha convivialmente atraentes, importa salientar, desde já, que, frequentemente, são integradas na cozinha funções domésticas pouco compatíveis com a preparação e o servir de refeições; estamos a considerar, designadamente, as funções ligadas ao tratamento de roupa, que poderão e deverão ter espaços específicos de exercício, mas também algumas funções associadas a uma arrumação geral, por vezes também pouco compatíveis com uma sua grande integração no espaço da cozinha.

De certa forma estaremos aqui no âmbito do que se poderá considerar como algumas confusões em termos de misturas funcionais domésticas realmente pouco compatíveis, mas que encontram no espaço de cozinha e mal-usando-se simples justificações funcionais, o espaço que sobra e que dá jeito para libertar os outros espaços da habitação; isto, naturalmente, quando em quadros de áreas domésticas marcados por áreas e dimensões mínimas – na prática a cozinha, assim como outros espaços domésticos, “estrategicamente” considerados muito funcionais (como as chamadas “instalações sanitárias”) acabam por ser as zonas em que se reduzem, frequentemente, e logo à partida áreas e dimensões, justificando-se esta opção com aspectos funcionais, que na prática são muito limitados, porque ou não integram importantes funções como é o caso das refeições (ditas “correntes”), ou integram-nas mas com áreas frequentemente tão reduzidas e residuais que acabam por resultar na integração de minúsculas mesas em que cada um pode eventualmente tomar uma refeição, mas sozinho.

E estamos a pensar em refeições na cozinha, mas poderíamos pensar em passar a ferro na cozinha e no estar informal na cozinha e até – mas com todos os necessários cuidados de segurança – o brincar infantil na cozinha ou pelo menos o fazer os trabalhos de casa na cozinha; ou tudo isto numa cozinha/sala de família.

Esta tendência de “pequenez” dimensional que tanto afecta, frequentemente, a concepção do espaço de cozinha doméstico e que, aliás, tem até base regulamentar – regulamento realizado em pleno período funcionalista – acaba por afectar, frequentemente, o desenvolvimento de espaços de cozinha em habitações sem grandes limitações espaciais onde não há o suplemento funcional, ambiental e de alma para reinventar e retomar o fazer de “uma cozinha” que possa até constituir um dos corações caracterizadores da habitação.
    
O que se tem estado a referir sobre o que se pode designar o recuperar de uma cozinha estrategicamente multifuncional liga-se a um oportuno objectivo de quase-duplicação dos espaços conviviais e sociais domésticos, proporcionando-se que a sala-de-estar possa ser usada de variadas formas e de acordo com grande variedade de gostos e modos de habitar; com variados exemplos de apropriação entre os quais se referem a criação de uma zona de estar muito associada à leitura e/ou à televisão e/ou à audição de música, ou o desenvolvimento de uma sala de estar bastante formal e “de visitas”, marcada por mobiliário “especial”, ou ainda o desenvolvimento de uma zona de estar multifuncional e frequente usada como espaço de trabalho profissional e/ou como espaço de estudo dos jovens; e atenção que será sempre possível integrar numa sala como estas uma mesa (ex., escamoteável ou extensível) para se usar em refeições mais formais e em datas especiais. E naturalmente que este sentido de cozinha multifuncional é muito oportuno quando estamos a lidar com áreas controladas (“habitação de interesse social”).

Em todas estas perspectivas de uma renovada e adequada concepção do espaço de cozinha há um aspecto a sublinhar, que é vital e que se refere ao desenvolvimento, na cozinha, de um espaço doméstico verdadeiramente acolhedor, seja nos seus aspectos estruturantes e organizativos, seja no que se refere ao respectivo conforto ambiental (luz natural, higrométrica, conforto sonoro), seja no desenvolvimento de agradáveis relações visuais com o exterior da habitação e com os seus outros espaços interiores, seja em todos os seus respectivos aspectos de pormenorização e de equilibrada capacidade de apropriação (ex., sítio para introduzir vasos com plantas, sítio para introduzir um móvel de família, etc.).

Esta última matéria daria(dará!?) um artigo e, portanto, aqui não é desenvolvida, limitando-nos a referir que este sentido de expressiva  criação, na cozinha, de um espaço doméstico verdadeiramente acolhedor, está, frequente, nos antípodas, do que habitualmente se fazia – e não só em habitação de interesse social –, quando se desenvolviam espaços de cozinha estritamente funcionais em termos de dimensão, de ambiente e de relacionamento (que poderiam até ser designados como “instalações para cozinhar”, a exemplo das designadas “instalações sanitárias”).

Ainda sobre a cozinha há duas matérias que importa, desde já, apontar e que poderão merecer, depois, desenvolvimentos específicos: trata-se da cozinha para os idosos e da cozinha para quem pouco cozinha, porque compra habitualmente refeições pré cozinhadas ou até, raramente, toma refeições em casa.

A noção que parece prevalecer no que respeita à caracterização de uma cozinha bem adequada para pessoas idosas, é que ele deve ser tão segura e expressiva e funcionalmente adaptada no sentido de se facilitarem e “securizarem” as funções de preparação, apoio e toma de refeições, como tão expressivamente  agradável, atraente, funcionalmente estimulante e adequada e potencialmente convivial, proporcionando-se uma estratégica concentração de actividades domésticas na cozinha e, eventualmente, libertando-se, até, outros espaços da habitação para apoio a outras actividades e passatempos e/ou para um “concentrado” uso ocasional; numa perspectiva que acaba por poder concentrar os trabalhos domésticos diários num espaço mais circunscrito e facilmente mantido em adequadas condições de conforto.

Relativamente à cozinha para “quem não cozinha” ou pouco cozinha, apenas se refere que as opções de grande integração da cozinha num espaço multifuncional do tipo “sala de família” ou a expressiva caracterização da cozinha como espaço doméstico muito agradável e personalizável/apropriável (ex., mobiliário de família, quadros nas paredes, revestimentos calorosos, etc.) são opções que integram fortemente o espaço “tradicional” da cozinha  no conjunto da habitação, anulando-se a existência de um espaço funcional de “instalações para cozinhar” pouco ou nada utilizado e ambientalmente descontinuado relativamente ao resto da habitação.

Quanto a novidades e tendências nas cozinhas domésticas delas já aqui falámos um pouco, mas é interessante e oportuno ter em conta o actual crescimento do interesse na elaboração de pratos mais cuidados (a televisão está inundada de programas associados a esta tendência), uma situação que pode e deve fazer pensar e programar zonas de preparação de refeições potencialmente bem adequadas a uma cozinha expressivamente elaborada e associada ao uso de um leque alargado de ingredientes e utensílios (havendo de considerar a respectiva e adequada arrumação); e há outras novas tendências que podem e devem ter reflexo no desenvolvimento das cozinhas domésticas como é o caso da criação de pequenas garrafeiras, frequentemente associadas a exigências ambientais especializadas;
e a estas matérias relativas aos espaços e usos das cozinhas domésticas e às variadas formas da sua apropriação por diversas categorias de habitantes, voltaremos (mas nos artigos acima disponibilizados encontrarão, desde já, um amplo conjunto de reflexões).

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.

Infohabitar, Ano XIII, n.º 616
Inovar no espaço da cozinha doméstica – 4 artigos sobre o tema e um novo texto
Infohabitar
Editor: António Baptista Coelho
abc.infohabitar@gmail.com
Editado nas instalações do Núcleo de Estudos Urbanos e Territoriais (NUT) do Departamento de Edifícios (DED) do LNEC; Infohabitar, Revista do GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional – Associação com sede na Federação Nacional de Cooperativa de Habitação Económica (FENACHE).

Apoio à Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.

domingo, maio 10, 2015

O espaço de cozinha: novidades e tendências - Infohabitar 532



Últimas notícias: o 3.º CIHEL recebeu 118 propostas de artigos.

Infohabitar, Ano XI, n.º 532

O espaço de cozinha: novidades e tendências

António Baptista Coelho

Artigo LXXIX da Série habitar e viver melhor


Continuamos, em seguida, a Série editorial sobre "habitar e viver melhor", na qual temos acompanhado uma sequência espacial desde a vizinhança de proximidade urbana e habitacional até ao edifício multifamiliar, e neste os seus espaços comuns.
Estamos agora a abordar , com algum detalhe, os espaços que constituem os nossos “pequenos” mundos domésticos e privativos, refletindo sobre as diversas facetas que os qualificam; e concluímos hoje a reflexão sobre o espaço de cozinha.

O espaço de cozinha: novidades e tendências


A cozinha como zona de refeições

Uma excelente solução, embora ainda pouco habitual, é a integração de uma atraente zona de preparação de refeições num espaçoso compartimento multinacional, marcado pelo convívio informal e familiar.
E, de certa forma, esta solução pode concretizar-se em duas opções distintas:
- uma sala-comum onde se integra um espaço de kitchenete;
- ou uma cozinha-sala de família, onde o espaço de preparação de refeições assume um protagonismo forte e digno.
Fig. 01: Zona de cozinha e de refeições de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 33 - 34, Arquitetura: Greger Dhalström.

A cozinha como espaço bem equipado

É importante referir que o falar-se de kitchenetes não significa que estas não possam dispor de um excelente potencial funcional em termos de preparação de refeições; podendo constituir-se em espaços plenamente equipados, até no sentido de poderem minimizar ao máximo os incómodos ambientais (ex., ruído, cheiros) nas zonas contíguas.
E, portanto, mais do que uma relação direta entre números de quartos e tipos de cozinhas, devemos considerar, a partir de uma adequada base funcional para cozinhar em boas condições próprias e de influência na restante vida doméstica (exemplo, ruídos, cheiros, vapores), opções de habitar que favoreçam ambientes específicos, tal como acabaram de ser apontados.


Relação entre dimensão da habitação e espaço de cozinha

Naturalmente, que os pequenos apartamentos estarão mais adequados a soluções em kitchenete, mas é perfeitamente possível e adequado pensar, por exemplo, num pequeno apartamento estruturado, por exemplo, em torno de uma espaçosa cozinha-sala de família, ou dispondo de uma espaçosa e “clássica” cozinha onde se possam tomar refeições, assim como é possível imaginar um grande apartamento onde apenas existe uma kitchenete, embora extremamente bem equipada em termos funcionais e “maquinais”.

Fig. 02: Zona de cozinha e de estar de habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 36 - 37, Arquitetura: Bengt Hidemark, Ingemar Jönsson.

Adequação a diversos modos/formas de habitar

E todas estas opções marcam diversas formas de fazer um habitar privado e bem caracterizado pelas formas de habitar de quem o vive; formas bem distintas das ordinárias soluções industrializadas de tantas cozinhas que conhecemos, e que acabam por se definir como verdadeiros eletrodomésticos gigantes, que mais do que usar, acabamos por ter de, nós próprios, servir no dia-a-dia (limpar, arrumar, manter, “não riscar”, etc.).


Novos espaços de preparação de refeições

Talvez que as pessoas não apreciem as "cozinhas laboratório", tal como apontou M. Imbert (1), talvez que se aceitem bem as cozinhas mais pequenas, quando se dispõe de um espaço específico para refeições, talvez seja agradável, aquela “solução à americana", em que a preparação de refeições está totalmente integrada numa sala de família, que pode ser o espaço de refeições e de convívio diário e "à vontade", onde as crianças brincam e trabalham e onde se vê televisão.
E importa aqui salientar o enorme potencial de convívio que têm hoje em dia os espaços de cozinhas; e um potencial que é estratégico numa sociedade atual marcada pelo isolamento doméstico e pelo individualismo.
Cristopher Alexander  (2) defendia, já há bastante tempo, que a função de cozinhar deve ser recuperada como elemento quotidiano animador da vida familiar, através da sua integração com o estar familiar e por uma relação direta com as restantes áreas comuns da habitação.
De certa forma é também insistir, estrategicamente, na intensificação das relações face a face, nesta era globalizada e "internetizada", também no interior da habitação.


Cozinha multifuncional como um novo espaço doméstico

Considerando essa referência do espaço de cozinha como elemento quotidiano animador da vida familiar, lembremos que diversas pessoas podem trabalhar conjuntamente numa grande e bem iluminada cozinha, com bancada alongada, mesa de refeições espaçosa e, até, por exemplo, um recanto para um sofá (3); transforma-se, assim, a cozinha num espaço doméstico de convívio pleno de potencialidades funcionais, formais e de dinamização da vida privada.
E com certeza que todas estas possibilidades e outras acima apontadas serão sempre preferíveis a soluções estereotipadas onde, tantas vezes, o espaço está lá apenas para que as pessoas se movimentem no trabalho que executam nas bancadas de cozinha, quase como se fossem robots.


Cozinha multifuncional adequada a idosos e jovens

E atente-se que uma cozinha-sala, bem configurada, é um compartimento com grande utilidade, quer ao serviço da informalidade em fogos para jovens casais e vivendo sós, quer ao serviço da estratégica concentração de atividades e espaços, em fogos para idosos, nomeadamente, quando estes precisam de ajudas na cozinha e quando já se caracterizam por algumas dificuldades de movimentação.


Diversas imagens da cozinha

Quanto à imagem mais “tecno” ou mais “rústica” de uma cozinha ela terá de ficar à escolha de quem a vá usar, no entanto algo diz que nos sentimos muito mais “em casa”, num ambiente caloroso, e é, pelo contrário, difícil de imaginar o cozinhar em cozinhas laboratório, revestidas a metal reluzente, isto, pelo menos, quando somos nós próprios a viver/usar realmente tais espaços.

Fig. 03: Zona de cozinha que é, também, a única zona de acesso a uma habitação do conjunto urbano "Bo01 City of Tomorrow", desenvolvido no âmbito da exposição que teve lugar em Malmö em 2001 (ver nota final) - H 35, Arquitetura: Kai Wartiainem, Ingrid Reppen.

Cozinha-sala de estar e cozinha sala de família

Para concluir esta temática, a perspectiva de uma cozinha-sala de estar e de família pode ser considerada de duas formas distintas:
- uma delas, relativamente corrente, em que tal espaço surge como alternativo a outros espaços de estar, numa solução tão associável a habitações amplas, como até a habitações com controlos de área, assegurando-se, neste caso, possibilidades de usos diversificados tanto na pequena sala-cozinha, como na pequena sala-comum que com ela estará conjugada;
- e uma outra, menos corrente e sempre mais discutível, em que existe, realmente, apenas uma única zona para cozinhar, refeições e estar, uma solução tanto menos corrente e adequada, quanto maior for a habitação em termos de número de quartos.
E pode haver, ainda, inovações radicais como aquele em que uma ampla cozinha, bem assumida como tal, para espaço essencialmente dedicado à preparação de refeições, integra, também, a única entrada na habitação.

References


Referências/notas
(1) M. Imbert, "Mission d'Études de la Ville Nouvelle du Vaudreil", p. 12.
(2) Christopher Alexander; Sara Ishikawa; Murray Silverstein; et al, "A Pattern Language/Un Lenguaje de Patrones", pp. 587 e 588.
(3) Sven Thiberg(Ed.), "Housing Research and Design in Sweden", p. 122.


Nota importante sobre as imagens que ilustram o artigo:

As imagens que acompanham este artigo e que irão, também, acompanhar outros artigos desta mesma série editorial foram recolhidas pelo autor do artigo na visita que realizou à exposição habitacional "Bo01 City of Tomorrow", que teve lugar em Malmö em 2001.

Aproveita-se para lembrar o grande interesse desta exposição e para registar que a Bo01 foi organizada pelo “organismo de exposições habitacionais sueco” (Svensk Bostadsmässa), que integra o Conselho Nacional de Planeamento e Construção Habitacional (SABO), a Associação Sueca das Companhias Municipais de Habitação, a Associação Sueca das Autoridades Locais e quinze municípios suecos; salienta-se ainda que a Bo01 teve apoio financeiro da Comissão Europeia, designadamente, no que se refere ao desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis no campo da eficácia energética, bem como apoios técnicos por parte do da Administração Nacional Sueca da Energia e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Lund.

A Bo01 foi o primeiro desenvolvimento/fase do novo bairro de  Malmö, designado como Västra Hamnen (O Porto Oeste) uma das principais áreas urbanas de desenvolvimento da cidade no futuro.

Mais se refere que, sempre que seja possível, as imagens recolhidas pelo autor do artigo na Bo01 serão referidas aos respetivos projetistas dos edifícios visitados; no entanto, o elevado número de imagens de interiores domésticos então recolhidas dificulta a identificação dos respetivos projetistas de Arquitetura, não havendo informação adequada sobre os respetivos designers de equipamento (mobiliário) e eventuais projetistas de arquitetura de interiores; situação pela qual se apresentam as devidas desculpas aos respetivos projetistas e designers, tendo-se em conta, quer as frequentes ausências de referências - que serão, infelizmente, regra em relação aos referidos designers -, quer os eventuais lapsos ou ausência de referências aos respetivos projetistas de arquitetura.

Notas editoriais:
(i) Embora a edição dos artigos editados na Infohabitar seja ponderada, caso a caso, pelo corpo editorial, no sentido de se tentar assegurar uma linha de edição marcada por um significativo nível técnico e científico, as opiniões expressas nos artigos e comentários apenas traduzem o pensamento e as posições individuais dos respectivos autores desses artigos e comentários, sendo portanto da exclusiva responsabilidade dos mesmos autores.
(ii) De acordo com o mesmo sentido, de se tentar assegurar o referido e adequado nível técnico e científico da Infohabitar e tendo em conta a ocorrência de uma quantidade muito significativa de comentários "automatizados" e/ou que nada têm a ver com a tipologia global dos conteúdos temáticos tratados na Infohabitar e pelo GHabitar, a respetiva edição da revista condiciona a edição dos comentários à respetiva moderação, pelos editores; uma moderação que se circunscreve, apenas e exclusivamente, à verificação de que o comentário é pertinente no sentido do teor editorial da revista; naturalmente , podendo ser de teor positivo ou negativo em termos de eventuais críticas, e sendo editado tal e qual foi recebido na edição.
(iii) Para proporcionar a edição de imagens na Infohabitar, elas são obrigatoriamente depositadas num programa de imagens, sendo usado o Photobucket; onde devido ao grande número de imagens se torna muito difícil registar as respectivas autorias. Desta forma refere-se que, caso haja interesse no uso dessas imagens se consultem os artigos da Infohabitar onde, sistematicamente, as autorias das imagens são devidamente registadas e salientadas. Sublinha-se, portanto, que os vários albuns do Photobucket que são geridos pelo editor da Infohabitar constituem bancos de dados da Infohabitar, sendo essas imagens de diversas autorias, apontadas nos artigos da Infohabitar, pelo que deve haver todo o cuidado no seu uso; havendo dúvidas um contacto com o editor será sempre esclarecedor.

Infohabitar, Ano XI, n.º 532
Artigo LXXIX da Série habitar e viver melhor
O espaço de cozinha: novidades e tendências

Editor: António Baptista Coelho 
abc@lnec.pt e abc.infohabitar@gmail.com
GHabitar (GH) Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

Edição: José Baptista Coelho - Lisboa, Encarnação - Olivais Norte.